Joleen Daniels - Pare o Casamento!
Jilted! - Sabrina Noivas 22

"Se algum tiver algum impedimento, diga agora, ou cale-se para sempre!" Nada faria Rob Emory desistir da mulher que amava sem lutar muito. Nada! Embora ele nunca tivesse oficializado o seu namoro com Jenny Landon, todos sabiam que tinham nascido um para o outro. Todos. Mas, pelo jeito, menos Jenny!
Jenny no podia contar a ningum por que decidira se casar com um homem que no amava. Porm, conforme o tempo passava, se tornava mais difcil esconder a verdade de Rob...

Digitalizao e Correo: Nina

Dados da Edio: Ed. Nova Cultural 1994  Publio original: 1994  
Gnero: Romance contemporneo   Estado da Obra: Corrigida

PRLOGO

Fazenda Landon, nas proximidades da cidade de Layton, Texas.

Dentro de poucos minutos, a mulher que ele amava iria se tornar a esposa de outro homem. E no existia nada que pudesse fazer para mudar essa situao desesperadora.
Rob Emory, do alto de uma colina, observava a fazenda Landon e tinha uma viso geral do que acontecia l embaixo.
Os convidados, usando suas melhores roupas, conversavam em grupos e bebiam champanhe. As inmeras cadeiras, colocadas em frente a um altar improvisado, logo estariam ocupadas e a cerimnia iria se iniciar.
O noivo e o padre ficariam sob aquela cobertura de flores no final daquele corredor entre as cadeiras e ento... Jenny apareceria.
Sentindo toda a tenso de Rob, o cavalo empinou. Ele, com muito custo, controlou o animal. Tudo o que poderia fazer quando Jenny aparecesse era descer aquela colina e tirar a mulher que amava de l.
A nica coisa que o impedia de tornar realidade aquele pensamento maluco era o fato de saber que Jenny nunca o perdoaria. Poderia tir-la de l  fora, mas isso no seria uma grande vitria, nem o deixaria satisfeito. Queria Jenny inteira, de corpo e alma. Queria tudo o que Jenny sempre fora. E existiam coisas que no podiam ser tomadas  fora; elas precisavam ser oferecidas livremente.
Rob, ento, fez a nica coisa possvel. Esperou. Esperou e contou os segundos, lutando contra a ideia absurda de que talvez, vendo-o ali na colina, Jenny mudasse de ideia.
Aos poucos, Rob no via mais os convidados. Imagens do passado povoaram-lhe a mente.
Tudo comeara no dia em que Jenny, recm-chegada da universidade, fora  cerimnia de casamento do irmo de Rob.

Capitulo I

Fazenda Dois Diamantes, perto da cidade de Layton, Texas Uma semana antes...

Pode beijar a noiva.
Num misto de felicidade e inveja, Rob olhava para a maneira que o seu meio-irmo Jlio abraava e beijava a esposa Maggie e selava com um beijo aquela unio. O rosto da noiva estava radiante de felicidade, que era refletida na fisionomia dura, no rosto cheio de cicatrizes de Jlio.
Para muitos, aquela diferena flagrante na aparncia fsica dos noivos era motivo para comentrios, at para escrnio. Rob, porm, s via a beleza do amor que existia entre os noivos. Ele mesmo tinha um rosto que a maioria das mulheres achava bonito, mas naquele momento trocaria sua aparncia por um pouco do contentamento, do brilho que via nos olhos do irmo.
Quando foi cumprimentar a cunhada, Rob estava emocionado. Maggie o abraou com carinho e, para brincar com a noiva, ele retribuiu o abrao com muita fora.
	Bem-vinda  famlia, Maggie.
	Obrigada, Rob. Nunca fui to feliz em toda a minha vida.
	D pra perceber, cunhadinha.
Depois foi a vez de cumprimentar o irmo. O abrao, alm de terno, foi muito caloroso.
	Finalmente, hermano, voc se tornou um homem srio.
	Viu s, Rob? Quem diria, hem?
	Meu irmo mais velho casado... Estou muito feliz por voc, Jlio.
	Obrigado, Rob.
Jlio se afastou para cumprimentar outros convidados e, ao ouvir aquela risada to familiar, Rob virou-se para certificar-se. No se enganara. Era Jenny Landon. O tempo pareceu suspenso no ar. O corao de Rob batia com tanta fora que ele temeu que os outros convidados o ouvisse. Tudo em volta de repente desapareceu: os noivos, os convidados, os parentes. Tudo. At a prpria sala. Rob s conseguia ver Jenny.
Devagar, Rob foi ao encontro dela. Da mulher que por momento algum saa dos seus pensamentos, a razo de sua existncia.
Jenny continuava rindo, mas, no instante em que viu Rob, o riso morreu em seus lbios e ela ficou ligeiramente vermelha.
Depois do que pareceu uma eternidade, Rob chegou ao lado dela e fitou intensamente aqueles olhos cinzentos de expresso selvagem. No se contendo, Rob estendeu a mo. e tocou de leve os ruivos cabelos de Jenny.
	Oi...  Rob tentou sorrir e no foi capaz, preso que estava ao intenso magnetismo que os unia.
Foi ento que o sonho tornou-se um grande pesadelo.
	Jenny Landon,  voc!  Sybil Perry, a mulher do juiz gritou de longe.  Parabns, querida. Parabns pelo futuro casamento.
Jenny piscou aflita e, parecendo tambm ter estado alheia a tudo, deu-se conta de onde se encontrava. Por um momento ela havia se esquecido. Por um momento havia sentido que tudo, tudo era possvel para ela e Rob. Mas o sonho tinha acabado. Agora s lhe restava a dura realidade.
E a realidade eram aqueles olhos hispnicos, escuros, que a fitavam perplexos. A realidade era o espanto de Rob ao ver que ela usava um anel de noivado.
Jenny percebeu que uma barreira invisvel se erguera entre ela e Rob. E quis derrubar aquela barreira. Mas como? Dizendo algo que a desculpasse? Seria intil, em vo. Nenhuma palavra mudaria a triste situao em que vivia.
Jenny deu um passo para trs e se afastou de Rob. Com um sorriso forado, se aproximou de Sybil Perry. . A mulher do juiz fez a maior festa para Jenny:
	Mas que anel lindo, menina.  A mulher segurou-lhe a mo.  H muito tempo no via um diamante to maravilhoso.
	E bonito mesmo, sra. Perry.
	Ele me faz lembrar o meu anel do noivado. Tenho ele at hoje. Quando for me visitar, eu o mostro a voc.
: Certo...
	Claro que nem se compara ao seu, mas fiquei to feliz quando fui presenteada com ele...  At aquele momento a velha senhora continuava segurando a mo de Jenny.
	 mesmo?  Jenny perguntou alheia. Estava preocupada com Rob. Pensara que durante o casamento de Jlio iria poder lhe falar em particular sobre o seu noivado. A, de repente, a interferncia inoportuna de Sybil Perry. Deveria ter imaginado que um incidente como aquele aconteceria. A conversa seria muito difcil para os dois. Rob tinha de entender que tudo acabara entre eles. "Eu tambm tenho que entender que tudo acabou entre ns", Jenny se corrigiu em pensamento.
Puxando Jenny pela mo, Sybil a fazia andar por entre os convidados.
	Ns simplesmente temos que mostrar esse anel para Emmeline Davis.
Sem graa, Jenny hesitava. Queria ter coragem de voltar para perto de Rob e dizer algo, qualquer coisa que fosse. Ao invs de fazer o que o seu corao mandava, Jenny, mesmo hesitante, se deixava levar por Sybil.
Confuso, com os pensamentos em tumultos, Rob no sabia o que fazer. Aqueles convidados todos o irritavam. No sentia a menor vontade de ficar numa festa de casamento. Precisava clarear as ideias. E quando algum o tocou nas costas, ele virou-se praguejando. De repente, Rob viu-se cara a cara com a sua cunhada e sentiu-se um grande tolo.
	Rob, como  que voc pode agir desse jeito?  Maggie perguntou com carinho.  Ainda bem que era eu... L na igreja voc me pareceu to feliz e agora... parece que acabou de enterrar o seu melhor amigo...
	Me desculpe, Maggie...
	Mas  claro que desculpo. Mas me diga: quem era a moa com quem voc estava conversando na igreja?
Encaminhando a cunhada para o centro do salo, Rob fazia de tudo para esconder a raiva, a frustrao e como estava profundamente ferido.
	No enterrei meu melhor amigo, Maggie. Estou muito feliz com esse casamento.
	Quer me fazer um favor?  Maggie ergueu as sobrancelhas.
	Claro que sim.
	Me diga o que est acontecendo de errado.
Uma empregada se aproximava trazendo uma bandeja cheia de taas de champanhe. Rob viu ali uma oportunidade para fugir da conversa que estava tendo com a cunhada.
	Olha l! Chegou a hora de brindarmos  felicidade dos noivos.  Rob pegou duas taas de champanhe e entregou uma delas a Maggie.  Onde est o meu irmo?
	Ali! Do seu lado direito, conversando com o padre.
	Jlio! Hermano, venha at aqui! Quero fazer um brinde!
Com discurso e tudo!
Rob entregou a taa que estava nas mos a Jlio e pegou uma outra.
	Ateno pessoal!  Jlio gritou.  Meu irmo vai fazer um discurso! Olha l, maninho! Tem que ser um discurso caprichado!
Todos ficaram em silncio. Rob ergueu a taa e disse com a voz embargada:
	 Maggie e ao meu irmo Jlio, quero desejar toda a felicidade do mundo. Agora vocs j tm um ao outro. Desejo que toda essa felicidade que vejo nos seus olhos continue pelo resto de suas vidas!
Depois de provarem o champanhe, Jlio voltou beijar a noiva. Os convidados, sorrindo muito, aplaudiram o beijo.
A festa continuou animada. Rob conversava com as pessoas, mas sentia-se como se estivesse vivendo um pesadelo que demorava para acabar. De todas as maneiras, ele tentava no olhar para Jenny. Mesmo na hora em que os noivos foram cortar o bolo e que os dois ficaram muito prximos um do outro.
Jlio pediu ao conjunto que animava a festa para tocar uma valsa e saiu danando com Maggie.
Rob decidiu ir embora. Continuar ali estava insustentvel. Porm, assim que ele virou-se, ouviu a voz da cunhada:
	Rob! Venha c! Chegou a sua vez de danar com a noiva!
Ele se aproximou da cunhada e os dois comearam a danar.
	A outra grande paixo da minha vida est muito ocupada.
 Maggie apontou Tedd, o filho de sete anos de seu casamento anterior.  Ele adora balas e doces. Olha l como as mos dele esto cheias! Como  que daria para eu danar com o meu filho?
	E onde est Jlio?
	Atrs de voc.
Rob, sem para de danar foi virando e viu o irmo danando com sua me, Nilda.
	Viu s como ela est feliz?  Maggie perguntou.
	Est mesmo.
Apesar de serem filhos de pais diferentes Rob, que estava com vinte e quatro anos, e Jlio com trinta e trs, se davam muito bem. Jlio era o tipo do irmo com quem Rob sempre podia contar. O inverso tambm era verdadeiro: Rob tinha sido o primeiro a saber dos amor que unia Maggie e Jlio.
Rob sabia que precisava se controlar. No podia deixar que seus problemas pessoais estragassem aquele momento to esperado por Jlio e Maggie. Resolveu, ento, brincar com a cunhada:
	Para mim est sendo um grande privilgio danar com voc.
	 mesmo?  Maggie perguntou sorrindo.
	Voc acha que iria desperdiar a chance de t-la nos braos?
	Se pensa que brincando vai conseguir me levar na conversa, o senhor est muito enganado. Vamos l, Rob, me diga o que est acontecendo de errado com voc.
	Voc nunca desiste, no  Maggie?
	Se eu desistisse com facilidade no teria me casado com o seu irmo.
Rob sorriu. Maggie continuou:
	Estou falando srio. S quero ajudar. Se no fosse por voc tenho certeza que seu irmo e eu no estaramos juntos hoje.
Rob recordou-se de quando Maggie, viva e sozinha com o filho, fora morar na fazenda. Servira de confidente para ela. Maggie no tinha ningum no mundo. Alm do filho s possua uma casinha na fazenda Dois Diamantes que herdara do seu falecido patro, que era o pai legtimo de Jlio.
Jlio, atordoado com a morte de sua primeira esposa e do filho que acabara de nascer, lutara muito contra a atrao que logo sentira por Maggie.
Porm, a persistncia e a beleza de Maggie, acabaram vencendo. Depois de muitos desencontros, o amor havia triunfado.
	Felizmente  Rob suspirou.
	O que foi que voc disse?  Maggie quis saber.
	Nada. S estava pensando alto.
	Ento continue pensando alto e me conte o que est acontecendo com voc.
	Tudo bem...  Rob viu que a cunhada no iria desistir.
 A moa que estava falando comigo na igreja  Jenny Landon.
	E quem  ela? Eu a conheo?
	Jenny  a moa que me telefonou da escola na semana passada.
	Ah... Aquela que telefonou rompendo o namoro? Como ela ousou vir ao meu casamento e aborrecer voc?
Rob sorriu da reao da cunhada. Maggie mais parecia uma leoa prestes a atacar a sua presa.
	Calma, Maggie... Est tudo bem. A famlia dela foi convidada para o casamento. O pai de Jenny tem uma fazenda que faz divisa com a Dois Diamantes. Os Emory e os Landon so amigos h anos. Eu esperava mesmo encontr-la nesta festa.
	Alguma coisa mais aconteceu.  Maggie afirmou.  Alguma coisa que voc no esperava. Estou certa ou errada?
	Quando ela me deu aquele telefonema, fiquei com muita raiva. Mas depois a raiva passou. Estava certo que Jenny refletiria melhor e voltaria atrs. Quando eu a vi na igreja, tinha certeza que tudo continuava bem entre ns. Ela olhava pra mim do mesmo jeito de sempre. Parecia me querer, precisar de mim... Foi a que apareceu Sybil Perry e a cumprimentou pelo noivado.
	 mesmo?  Maggie estava espantada.
	Jenny at est usando um anel de noivado. Um anel que eu nunca teria dinheiro para dar a ela de presente.
	Rob, eu...
	Isso s mostra aquilo que eu nunca quis ver: Jenny no se importa comigo. No significo nada para ela.
	Eu no teria tanta certeza assim.
Antes que Rob pudesse responder  observao da cunhada, Jlio se aproximou e disse:
	 minha vez de danar com a noiva, irmozinho.
	Rob, tenha calma, tudo vai se resolver...
	No se preocupe comigo, Maggie. J sou bem grandinho.
Essa  a festa do seu casamento. Divirta-se muito. Voc merece.
Ao deixar a cunhada nos braos do irmo, Rob sentiu-se profundamente s na sua dor. Para amenizar o sofrimento, tirou para danar a primeira mulher que apareceu na sua frente. E continuou a no olhar para Jenny Landon.
A festa do casamento estava cada vez mais amimada. A cunhada continuava radiante e Rob tinha que concordar com a opinio de todos: Maggie era uma bela mulher. Jlio tinha tido mesmo muita sorte.
Depois de tomar vrios copos de champanhe, Rob sentia-se mais relaxado. Mas a alegria no era muita. Jenny continuava l: linda. Linda e ruiva. E ele? O que poderia fazer? Observ-la? Nem isso ele se permitia. O golpe que sofrera tinha sido muito grande. Jenny estava noiva e usava um anel, um anel presenteado por outro homem.
Maggie se aproximou de Rob e quis saber:
	Como  que voc est se sentindo?
	No posso dizer que esteja nos melhores dos meus dias, mas estou bem.
	E a festa?
	Est tima. As pessoas esto se divertindo muito.
	O seu irmo est me surpreendendo.
	Por qu?  Rob perguntou.
	Nunca vi Jlio to feliz. Parece uma criana.
	No  pra menos, Maggie. Ele a ama muito. E vocs acabaram de se casar.
	Eu tambm amo o Jlio com loucura.
	Nunca vi um casal to equilibrado e to apaixonado Rob comentou, sorrindo para a cunhada.
	E eu que pensei que nunca, nunca na vida me casaria de novo...
	O amor faz coisas impossveis.
	 mesmo. E por falar em amor, o que voc est pretendendo fazer?
	No sei, Maggie... No sei... O golpe que levei foi muito duro.
	No fim, Rob, tudo se acerta. Voc vai ver: quando menos esperar estar sorrindo de novo.
	Gostaria que Deus ouvisse as suas palavras, mas as minhas esperanas esto desaparecendo.
	E por qu?
	Ela ficou noiva. E ningum fica noiva assim sem mais nem menos...
	Vai saber!  Maggie ergueu a sobrancelhas.  O futuro  uma grande incgnita, cunhado.
Vria moas interromperam a conversa de Rob com Maggie, pedindo  noiva que jogasse o buque.
	Agora?  Maggie deu uma gargalhada.
	Agora, no! J!  uma moa com cerca de vinte anos respondeu.
	Ento vou atender ao pedido de vocs. E j!
Maggie subiu em uma cadeira e ficou de costas para as moas.
	Esto todas prontas?
	Estamos  elas responderam em unssono.
	Ento, l vai ele!  E Maggie jogou o buque para trs.
O buque foi cair nas mos de Jenny que se mantivera alheia quela algazarra toda.
Os convidados riram muito e aplaudiram.
De repente, no meio do barulho, Rob se viu empurrado e percebeu o que estava por acontecer. E no teve como evitar: ou danava com Jenny, ou fazia uma cena desagradvel no casamento do prprio irmo. Rob optou por danar, no podia estragar a felicidade de duas pessoas to importantes para ele.
Diante de Jenny, com cuidado, ele a tomou nos braos e os dois comearam a danar.
Depois de alguns minutos, Rob pediu  Jenny:
	Por favor, olhe para mim.
Ele sentiu Jenny estremecer e teve certeza que ela iria ignorar-lhe o pedido. Mas Rob se enganou. Devagar, Jenny ergueu o olhar e enfrentou o dele. Naquele instante Rob percebeu que, apesar de ela estar usando um anel de noivado que indicava um compromisso com outro homem, os sentimentos de Jenny por ele ainda estavam vivos.
	Jenny, por qu? S quero saber por qu?
Ela baixou o olhar, para em seguida ergu-lo de novo. Jenny no queria dizer as palavras cruis que h muito vinha preparando.
	Me diga, tenho o direito de saber  ele pediu.
Jenny inspirou profundamente e comeou:
	Eu... eu encontrei um homem...

	Continue  Rob pediu.  No posso mais ficar nesta ansiedade louca.
	Eu encontrei um homem que pode me oferecer muito mais do que voc.
Pronto! As palavras tinham sido pronunciadas. E realmente tinham sido muito cruis.
Rob sentiu um frio imenso dentro do peito. Uma sensao de desespero, abandono, que nunca experimentara na vida. Como Jenny podia dizer aquilo? Quer dizer ento que Jenny estava preocupada com... Rob balanou a cabea. Era inacreditvel! Ele fizera o colegial, entrara numa universidade e depois desistira de tudo. Agora vivia da maneira que sempre desejara viver, da maneira que acreditava ser a correta. Nunca na vida tinha pensado em acumular bem materiais. Nunca. At aquele exato momento.
	Um homem que pode lhe oferecer mais do que eu...  Rob estava inconformado.  Quer dizer ento que  mais negcio se casar com um riquinho qualquer do que se prender a um homem sem futuro como eu?
	No  bem assim, Rob.
	No  bem assim? Ento como ? Ser que ele tambm pode lhe oferecer muito mais em outras reas do relacionamento de vocs?  Rob estava indignado.
Deliberadamente, Rob a puxou com fora de encontro a si. Jenny, por sua vez, sentiu que o ar lhe faltava e deixou o buque cair. Sabia que precisava ir embora, sair dali o mais rpido possvel, sabia que era preciso acabar com aquilo de uma vez por todas, mas sabia tambm que no queria e nem iria fugir. O seu corao a intimava a ficar nos braos de Rob.
Perdendo o controle sobre si prpria, Jenny estendeu a mo e acariciou a nuca vigorosa.
	Rob...  ela sussurrou-lhe junto ao ouvido querendo que aquela palavra desse a ele toda a dimenso do que sentia e no conseguia falar.
	A msica acabou  ele disse e se afastou um pouco. A viso dos lbios de Jenny o deixou enlouquecido. Queria beij-los ali diante d todos. Beijar os lbios que tinham acabado de pronunciar o seu nome de uma maneira muito ntima.
Rob olhou para o lado. Os outros pares tambm tinham acabado de danar. E ele viu Jack Keel, o nico homem da vizinhana que uma vez ousara fazer brincadeiras desagradveis pelo fato de ele e Jlio terem nas veias sangue mexicano, herdado da me.
	E a Jack? J se conformou com o fato de eu e meu irmo termos sangue mexicano?  Rob perguntou de repente.  Sabia que nos orgulhamos muito do nosso sangue latino?
Jack riscou um fsforo e ascendeu o charuto que estava preso entre os dentes. S ento respondeu:
	Otimo, garoto. Um dia vocs ficam espertos. Quem sabe at se tornem americanos de verdade!
	O que est querendo dizer com esperto? Esperteza significa se mudar para Houston como voc fez e ficar rico explorando todo mundo? Deveria seguir o exemplo do seu pai: foi um fazendeiro honesto e um excelente vizinho.
Jack Keel se surpreendeu com as palavras e a veemncia de Rob.
	Calma, garoto, calma. Deveria imitar o seu irmo: ele, sim,  um homem tranquilo e sabe o que quer.
	.. voc pode falar da tranquilidade de Jlio. Lembro direitinho das surras que levou dele quando vocs dois estavam na escola juntos.
Jack olhou de maneira rixa para Roo e deu um passo para frente.
Rob se preparou para enfrentar o homem que h muito odiava.
Porm, ao invs de lanar-se ao ataque, Jack gritou:
	Travis!
Um homem imenso, vindo sabe-se l de onde apareceu e perguntou:
	Me chamou, sr. Keel?
	Tire esse cara da minha frente.
Percebendo que Rob no desistiria sem lutar, Jenny se colocou na frente de Jack e pediu:
	Por favor, pare com isso.
Jack deu um sorriso indulgente a ela e, dirigindo-se ao seu guarda-costa, disse:
	Pode ir, Travis.  Jack, depois se dirigiu  Jenny:  S no vou dar uma boa lio no Rob porque voc me pediu. E pra que ficar perdendo tempo com esse moleque? Prefiro mesmo danar com a minha noiva.  Em seguida, Jack colocou o brao sobre o ombro de Jenny. Nesse instante algum o chamou e Jack se afastou dizendo a Jenny que logo voltaria.
Rob ficou chocado. Quer dizer ento... No, no podia ser verdade. No podia ser verdade!
	Voc vai se casar com ele?  Rob quase gritou.  Com esse homem?
	Vou. Daqui a uma semana. Depois iremos morar em Houston.  Embora tentasse falar com desenvoltura, os olhos dela estava cheios de lgrimas.
	Morar em Houston? Voc s pode ter enlouquecido. Jenny, no acredito no que estou ouvindo. Voc acabou de terminar o seu curso de veterinria e vem me dizer que vai pra Houston?
Voc, que sempre quis cuidar de animais de grande porte nas fazendas da regio? O que est pretendendo? Abrir uma clnica e ficar cuidando de gatinhos?
Jenny tentava encontrar uma resposta e no conseguia. Jack respondeu por ela:
	Agora que encontrou um homem que pode lhe dar tudo o que merece, Jenny no vai trabalhar. Ela vai ficar muito ocupada cuidando dos nossos filhos.
Aquilo j era demais para Rob. Como Jenny poderia ter mudado tanto?
	Mas Jenny  Rob insistiu , desde criana voc quer ser veterinria!
Jenny inspirou profundamente. A hora tinha chegado, a hora de dizer a Rob o que tinha de dizer e acabar com aquela situao superdesagradvel de uma vez por todas.
	Ser uma veterinria faz parte daquilo que eu fui um dia.
Para mim agora j no tem a menor importncia. Hoje tenho necessidade de uma vida diferente, rodeada de coisas boas e pessoas cultas. E Jack pode me dar esse tipo de vida. Seria imbecilidade minha desistir disso tudo. Seria imbecilidade minha desistir disso tudo pelo nada que voc poderia me oferecer.
Jenny parou de falar. Nenhuma mentira mais conseguiria escapar dos seus lbios. Ela sentiu um tremendo horror pelo que acabara de fazer. Rob a fitava como se fosse um animal ferido.
Sorridente, Jack Keel gritou:
	Ateno! Ateno todos vocs!
Os msicos pararam de tocar e os convidados, aos poucos, foram ficando em silncio. Jack, ento, disse:
	Para todos que ainda no sabem, quero comunicar que Jenny Landon e eu nos casaremos daqui a uma semana. A cerimnia e a festa ser na Fazenda Landon. E todos esto convidados.
Rob sentiu que os olhares dos convidados ali presentes se dirigiam a ele e esperavam uma reao. S quando perceberam que ele permaneceria em silncio, sem nenhuma reao, os aplauso comearam a ecoar pelo salo.
Jack ergueu as mos e agradeceu os aplausos. Depois, abraou Jenny e a beijou na boca.
Rob sentiu um dio profundo invadi-lo. O dio era to intenso que ele viu que precisava deixar o salo para no cometer uma loucura.
Os convidados ainda aplaudiam os noivos. Sem enxergar quase nada, Rob foi para a sala de jantar, depois para a cozinha e, pela porta de trs, saiu para o ptio da fazenda.
Trmulo, ele inspirava o ar da noite numa tentativa de se acalmar. Porm, nada que fizesse o deixava mais calmo. No dava para esquecer, nem entender, a atitude de Jenny.
Desde de quando ela lhe telefonara para terminar o namoro, Rob queria procur-la. Mas depois achou melhor esperar at que ela voltasse para casa. E agora... essa profunda decepo.
O tempo passava e Rob, parado, totalmente fora de controle, no sabia que atitude tomar.
	Hei, hermano, todos j se foram. Voc vai ficar a a noite inteira?
A voz do irmo deixou Rob mais tenso ainda. Queria ficar sozinho, sozinho com sua dor. Mesmo assim respondeu:
	Talvez... talvez eu fique aqui a noite toda.
Jlio se aproximou do irmo.
	Maggie me contou tudo. Nesses ltimos tempos estive to preocupado comigo, to mergulhado nos meus prprios problemas, que no tive tempo de perceber que voc no estava bem.
	Isso faz anos.
	O qu?  Jlio perguntou.
	Faz anos que voc est mergulhado nos seus prprios problemas.
	... voc tem razo  Jlio concordou.  Eu era amargo, tinha sempre muita raiva. Mas isso terminou quando o meu irmozinho me mandou para o inferno e, depois de me dizer umas boas verdades, ordenou que eu parasse de ter pena de mim mesmo.

	E agora voc acha que deve retribuir o favor?  Rob estava muito impaciente.
	Sei que no  fcil a gente sorrir quando est com o corao ferido. Eu mereci tudo o que voc me disse, Rob. E garanto que se no tivesse me dito tudo aquilo, hoje no estaria aqui vestido de noivo e me sentindo o homem mais feliz do mundo.
Rob no pde deixar de rir das palavras do irmo. Pelo o que podia se lembrar, nunca vira Jlio de terno.
	Ser que posso fazer algo para lhe ajudar?  Jlio perguntou.
	Acho que no.
Rob comeou a contar ao irmo o que tinha acontecido na festa. Mas, ou ver as luzes acesas no quarto de Maggie, desistiu de continuar. Aquela era a noite de npcias de Jlio. Nada mais justo que ele fosse se encontrar com Maggie.
	Continue  Jlio pediu.
	No.  Rob balanou a cabea em negativa.  Infelizmente nem voc, nem ningum pode me ajudar. V, v se encontrar com Maggie. Ela est espera por voc.
	Tem certeza que no posso te ajudar, Rob?
	Certeza absoluta. V, cuide de Maggie direitinho.
	Tudo bem.  Jlio desamarrou o n da gravata.  Eu vou cuidar de Maggie direitinho... Eu a amo muito.
	Sei disso. Vocs merecem toda a felicidade do mundo.
	Obrigado, hermano. Voc tambm merece toda felicidade do mundo.
Rob ficou olhando Jlio entrar em casa. Depois, olhou para o cu e uma solido imensa se abateu sobre ele. Jenny levara com ela seus sonhos e esperanas. De repente, sentia-se um homem sem futuro algum. Ela sempre fizera parte de sua vida. Os dois tinham a mesma idade e se conheciam desde criana. Tinham brincado e ido juntos  escola. E, antes de se tornarem namorados, tinham sido amigos durante muitos anos.
Mas a Jenny que ele sempre conhecera, nunca pensara em bens materiais. Importante para Jenny sempre foram os estudos e a vontade de se tornar uma veterinria. E agora...
	Ela disse que tudo acabou entre a gente, mas ainda estremece quando eu a toco...  Rob falava com as estrelas do cu.  A Jenny que eu conheo poderia terminar o namoro comigo, mas nunca se uniria a um homem como Jack Keel. A Jenny que eu conheo nunca diria a ningum palavras to cruis como disse a mim. E ela vai se casar daqui a uma semana...
Rob percebeu que teria muito pouco tempo para entender e resolver aquela situao absurda que estava vivendo. Uma semana. Uma semana apenas! No tinha mais tempo a perder. . Deixando as estrelas no cu ele resolveu agir. E se perdeu na escurido da noite.

Capitulo II

Eu disse no! Ser que voc no entende?
	Mas eu quero!
	No Jack! No!  Depois de muito lutar, Jenny conseguiu safar-se do abrao ousado do noivo e saiu do carro. No escuro, ela tropeou mas foi capaz de manter-se em equilbrio. Cair ali diante de Jack seria perder o ltimo resqucio de dignidade que ainda lhe restava.
Contrariada, ela seguiu em direo  sede da fazenda. Felizmente seu pai estava l. Dormindo, mas estava l e, se fosse preciso poderia salv-la das garras daquele homem odioso.
	Volte, Jenny!  Jack gritou.  Voc, como todas as ruivas, realmente tem um gnio terrvel.
Ao ouvir mais uma vez a voz de Jack, ela sentiu uma forte nusea e vomitou o pouco que havia comido na festa de casamento.
Jack saiu do carro e se aproximou dela. .    Voc no pode fazer isso comigo, Jenny.
	Como no posso?  Ela ainda lutava contra as nuseas. Voc concordou em esperar at que ns nos casssemos!
	Tudo bem, eu concordei. Mas isso no significa que eu nem possa lhe tocar. Eu tenho esse direito.
Jenny sentiu uma onda de revolta e perdeu o controle de vez:
	No, voc no tem o menor direito sobre mim at estarmos legalmente casados. E no se esquea disso!
Para desespero e frustrao de Jenny. Jack deu uma sonora gargalhada.
Bem que o meu pai tinha razo: voc, meu anjo,  a garota mais sensacional que nasceu nessa regio. E pensar que quando fui estudar fora, voc ainda era uma criana. Mas nas cartas que meu pai escrevia, ele nunca se esquecia de Jenny Landon: Jenny venceu a competio tal, Jenny vai ser a oradora de sua turma.
Sempre Jenny! No importava o quanto eu j tinha ganho dinheiro e meu pai continuava sempre com a mesma ladainha: Jenny, Jenny, Jenny... Nunca fui bom o suficiente para o meu pai. Mas com voc... com voc era diferente: Jenny Landon era a mais linda, a mais gentil, a mais inteligente garota que ele havia conhecido. Voc no sabia que meu pai tinha lhe escolhido para ser a me dos netos dele, sabia?
Jenny no estava entendendo direito aquelas palavras. Lembrava-se claramente de Frank Keel que tinha sido vizinho e amigo do seu pai. Um homem tmido e gentil. Como pudera ter um filho to egosta e arrogante como aquele?
	Seu pai morreu, Jack. Deixe que descanse em paz. Ele bem que merece.
	Agora vou fazer exatamente o que ele mais queria na vida.
 Frank parecia no ter ouvido as palavras de Jenny.  Viu s? Viajei at a faculdade s para v-la. E o que encontrei? 
Ele mesmo respondeu  pergunta:  No, no encontrei uma garotinha, a garotinha que eu conhecia. Encontrei uma mulher linda e muito, muito desejvel.
No estando acostumada a ouvir aquele tipo de comentrio sobre si, Jenny soltou um suspiro de desaprovao. Jack continuou com o seu monlogo:
	Claro que voc no tem a mesma sofisticao nem o mesmo glamour das mulheres que conheci em Houston. Claro que no!
Voc  mil vezes melhor que elas. Voc tem muita classe. No concorda comigo, Jenny?
Mais uma vez ele no lhe deu tempo para responder  pergunta:
	Lembra? Lembra o que fez comigo no dia em que te procurei? Voc me esnobou. Empinou o nariz e me esnobou. Me esnobou como se fosse a dona do mundo, dona de todas as situaes. Lembra? Depois, no importava o quanto de flores eu mandasse, no importava todos os presentes que eu tentava te dar. Voc sempre, sempre me esnobava. Logo a mim: Jack Keel!
Jenny percebeu que o que sempre ela pensara era verdade:
 Ento foi isso que o deixou atrado? Voc quis provar a si mesmo que era capaz de conseguir a minha ateno! Quanto mais eu te rejeitava, mais voc insistia! Fui uma grande decepo para o teu ego machista.  isso! Mas ser que foi longe demais com essa histria de casamento?
Jenny se calou na esperana de que pela primeira vez Jack se dignasse a discutir aquele assunto com ela. Quem sabe se finalmente iria conseguir faz-lo mudar de ideia?
Alguns segundos se passaram. No instante que Jenny tinha certeza que nunca ouviria a reposta  pergunta que fizera, Jack
confessou:
	Voc acertou na mosca, meu anjo. Quanto mais me rejeitava, mais eu desejava voc. Nesse meio tempo, comecei a pensar no que meu pai dizia. A tive uma ideia brilhante: me casaria com voc.
	Mas isso  ridculo.
	Ridculo? Mas  claro que no  ridculo.
	Claro que !  Jenny insistiu.
- No, no . Sabe por qu? Porque tambm descobri que gostava de voc.
	Isso s pode ser brincadeira. Se gostasse de mim no me foraria e teria o mnimo de considerao pelos meus sentimentos.
Pra voc eu no passo de um outro negcio qualquer. Algo que quer conseguir a qualquer custo. Gostar, Jack,  uma coisa muito
diferente. A gente no manipula a pessoa que a gente gosta. Se seu pai fosse vivo, nunca iria aprovar a maneira que conseguia para me forar a esse casamento.
 No seja to inocente, meu anjo. Existem mim maneiras de se gostar... Quanto ao meu pai, voc est certa: ele nunca aprovaria o que estou fazendo, muito pelo contrrio. Mas como voc mesmo disse: ele est morto. E ningum, ningum no mundo vai julgar o meu comportamento. Ningum. E saiba: nunca desisto daquilo que quero. E eu quero voc. Lutei pelo meu querer e agora eu tenho voc. E por lhe respeitar, meu anjo, ter at sbado para se acostumar com a ideia que finalmente ser minha.
Antes que Jenny dissesse algo, Jack quase colocou o indicador no rosto dela e continuou:
 At sbado, meu anjo. Depois, no ter nenhuma desculpa: querendo ou no, voc vai ser minha! Inteirinha minha. No se esquea disso.
Voltando para o carro, Jack desapareceu em meio a uma nuvem de poeira.
Jenny, perplexa, ficou alguns minutos paradas. Depois seguiu para a sua casa. No sabia onde iria encontrar coragem para se casar com Jack. O encontro com Rob no casamento tinha abalado muito a sua deciso.
Ao abrir a porta de casa, Jenny pensava no rosto de Rob quando a ouvira dizer aquelas palavras todas. Ela no quisera feri-lo, mas no tivera outra escolha. Fizera de tudo para no comparecer ao casamento. Mas Jack insistira, insistira tanto que finalmente ela precisou concordar. Deveria ter imaginado que ele anunciaria o casamento em pblico. E ela que fizera tanto para esconder o que h muito estava acontecendo... Tudo intil! Agora, formada, precisava assumir aquela situao desastrosa.
Quando fizera o telefonema para Rob terminando o noivado, Jenny seguia as ordens de Jack. Ele estava ao lado dela e ouvira a conversa toda. Jack queria que pelo telefone ela tambm falasse sobre o casamento. Mas essa ordem ela no foi capaz de obedecer. Queria dar a notcia a Rob aos poucos. S no ltimo momento lhe contaria sobre o casamento. No fundo, Jenny esperava que um milagre acontecesse. Um milagre de amor. Esperava que nunca tivesse que falar com Rob sobre aquele casamento.
Mas o milagre no havia acontecido, e ela se vira obrigada a dizer aquelas coisas terrveis para Rob. Como tambm se via obrigada a se casar com Jack Keel no sbado, no importando o quanto tal ato a deixasse desesperada.
Jenny enxugou as lgrimas e fez de tudo para tirar Rob dos seus pensamentos.
Ela fechou a porta e entrou na sala de jantar. Um leve sorriso apareceu em seus lbios, um sorriso de carinho mas tambm de muita dor. Seu pai estava sentado em uma velha cadeira e parecia dormir.
Jenny ficou olhando a figura do pai. Sim, Tate Landon dormia. Diante dele, na televiso, num velho filme, mocinho e bandido trocavam tiros e Tate Landon nem se mexia. Ele completara sessenta e um anos em agosto, mas parecia bem mais velho. Uma vida de muita luta deixara-lhe no rosto incontveis rugas. Rugas que ficavam mais profundas a cada dia que passava.
Jenny tentou imaginar o que teria sido da sua vida sem a proteo e carinho do pai. E foi incapaz.
Tate Landon havia se casado com a Mary quando fazia pouco dias que ela dera a luz  Jenny. E a tratara como se fosse uma filha legtima. Depois de nove anos de uma vida feliz, Mary havia falecido.
Tate Landon foi ento pai e me para Jenny. Ensinara de tudo a ela: cavalgar, cozinhar, cuidar de animais. E a consolava em momentos de aflio.
Mesmo tendo se passado tantos anos desde a morte da me, Jenny lembra-se dela todos os dias. E Tate tambm. Ele continuava amando a esposa que se fora ainda muito jovem.
Devagar Jenny se aproximou da televiso e a desligou. Depois ela curvou-se e beijou a face do pai.
Ao toque dos lbios da filha, Tate acordou. Jenny retirou-lhe os culos e os colocou no bolso do velho palet que Tate usava.
	No deveria ter ficado me esperando  ela comentou baixinho.  O dr. Hoope disse que o senhor precisa descansar bastante.
Tate murmurou algumas palavras num tom to baixo que Jenny no foi capaz de entend-las.
	O que foi que o senhor disse, papai?
Tate se esforou para falar mais alto:
	No acredito muito que oito horas de sono vai me fazer sarar.
	Mas  claro que vai. O senhor tem que cumprir as ordens do mdico.
	Estou velho, minha filha.
	Est velho nada. O senhor vai ficar timo e ainda vamos dar boas cavalgadas juntos.  Enquanto falava, Jenny retirou os travesseiros que apoiavam as costas do pai e o banquinho sobre o qual ele havia colocado as pernas. Depois, segurou-o pelas mo e o puxou com delicadeza.
	O que  que voc est fazendo?
	Ajudando o senhor a se levantar.
	Mas eu no sou nenhum invlido  Tate reclamou.
	Sei disso. Mas  hora de ir pra cama.  Mesmo contra a vontade do pai, Jenny continuava a ajud-lo.  Pena que tenha perdido o casamento. A noiva estava linda. Vrias pessoas perguntaram pelo senhor.
	Mesmo se eu estivesse bom, no iria ao casamento de Jlio.
Depois do que voc fez par o Rob acho que nunca mais terei coragem de enfrentar aquela famlia.
As palavras do pai funcionaram como uma bofetada para Jenny. Tate que raramente a criticava no se conformava com o que tinha acontecido. Ela gostaria de explicar tudo, dizer o motivo real que a levara a romper o namoro com Rob. Mas isso era uma coisa que nunca iria poder fazer.
Inspirando profundamente para acalmar-se, Jenny perguntou:  O senhor tomou o remdio para o corao?
	No, eu esqueci. Acabei dormindo aqui na frente da televiso...
	Papai, o mdico disse que o senhor no se cuidar direitinho, poder ter um novo ataque cardaco  o tom de voz de Jenny era enrgico.
	Filha, se disser de novo a palavra mdico...
Jenny o abraou com carinho e disse:
	Eu te amo muito, papai. No quero perd-lo. Por favor se cuide direito.
	Daria para voc pegar gua pra mim l na cozinha?  Tate retirou o remdio no bolso do palet.
	 pra j.
Segundos mais tarde, Jenny voltava com um copo d'gua nas mos. Aps tomar o remdio Tate disse sorrindo:
	Pronto. Se eu tiver um ataque do corao enquanto estiver dormindo, a culpa no  minha. E s ir reclamar com o dr. Hoope.
	Papai, no d pra brincar com uma coisa to sria  ela o repreendeu.
	O teu casamento com aquele Jack Keel, sim, que  motivo suficiente pra eu ter um outro ataque. Nisso voc no pensa, no ?
Jenny ficou plida e ela no conseguiu pronunciar uma palavra sequer. Tate continuou:
	Essa histria est mal contada. Imagine se casar com aquele homem! Me diga, filha, me diga o que realmente est acontecendo.
Jenny queria contar ao pai o segredo que trazia guardado dentro do peito. Mas ela no podia. S podia continuar mentindo:
	Jack  muito mais maduro e tem muito mais a me oferecer.
	Eu no merecia ouvir isso. No merecia viver para ouvir a minha filha dizendo essas palavras. Para mim voc est se vendendo, Jenny. E eu que sempre tive muito orgulho de voc... S que depois do que ouvi, esse orgulho se acabou. Pra dizer a verdade, estou sentindo vergonha de ser seu pai.Tate se afastou e, depois de entrar no quarto, bateu a porta com fora.
	Papai...  Chorando baixinho, Jenny abraou-se e encostou o rosto na parede. Ela sabia que o caminho que escolhera no era fcil, mas nunca pensou que pudesse se tornar to difcil.
Jenny sabia que iria encontrar muito dor, mas que seu prprio pai se voltaria contra ela... isso nunca lhe passara pela cabea.
Procurando o pouco de fora que ainda lhe restava, Jenny foi para o quarto que dormia desde quando era criana. Aquele quarto era um santurio para ela. O nico lugar para onde podia ir e se esconder do mundo.
Jenny fechou a porta com muito mais fora do que seria necessrio.
Tudo o que estava vivendo era muito, muito irnico. Ela, que resolvera sacrificar a prpria felicidade pelo pai, tivera que ouvir aquelas palavras. Tate Landon se envergonhava da filha que tinha!
Jenny temia perder o controlo da situao. No! Iria se manter firme e continuaria guardando o seu segredo! E se casaria com Jack. E depois? Depois, Jenny no sabia o que iria lhe acontecer. Mas teria que aguentar as consequncias dos seus atos.
Jenny se aproximou da janela e fitou a noite. L fora estava escuro. No cu, as estrelas haviam desaparecido e a lua, que at h pouco brilhava muito, havia sido encoberta por uma nuvem.
"Esse  o futuro que me espera. Um futuro escuro, sem luz. Um futuro negro...", ela pensava. "Eu odeio Jack Keel. Como  que fui concordar em me casar com ele?"
Aos poucos uma imagem de Rob foi se formando em sua mente. Ela o ferira tanto no casamento.... Ela o magoara tanto... Jenny adoraria poder abra-lo e dizer que tudo no tinha passado de um grande erro, uma grande mentira. Mas ela no podia abra-lo. Nunca mais.
Jenny, chorando, se perguntava como iria conseguir viver dias, anos, sem os carinhos de Rob.
	Oh, Rob...  ela soluou.  Estou to triste, to triste...
	Por que voc est triste, Jenny?
Jenny assustada, tentou ver na escurido de onde vinha aquela voz. Depois de muito esforo divisou a silhueta de Rob deitado em sua cama.
Mesmo assustada, Jenny falou em voz baixa:
	Me diga o que est fazendo aqui, Rob Emory!
	No  a primeira vez que entro no teu quarto, nem que me deito na sua cama.
Ao lembrar-se das vezes que Rob entrava no seu quarto durante a madrugada s para beij-la, Jenny sentiu o seu corpo esquentar. Mas isto fazia parte do passado, e o passado tinha que ser esquecido de qualquer jeito. Ele nunca mais voltaria!
Rob precisava entender que tudo tinha acabado. Aquela ousadia de entrar ali a deixara com raiva. Pelo jeito Rob queria um confronto, queria ser rejeitado mais uma vez. Mas Jenny temia no ter mais coragem de repetir tudo o que havia dito no casamento.
	 a ltima vez que voc pe os ps aqui dentro. Eu vou me casar com outro homem.
Rob, quando a ouvira pronunciando seu nome, tinha sentido uma chama de esperana se acender dentro do peito. Agora, esforava-se para se manter sob controle.
	Pelo que pude observar voc vai ter uma casamento maravilhoso...  ele ironizou.  O que vi dentro do carro me pareceu mais uma luta do que ternas carcias de duas pessoas apaixonadas.
	A maneira como Jack e eu nos comportamos no lhe diz respeito!
Rob levantou-se e foi se aproximando de Jenny. Lembranas de momentos vividos no passado o deixavam inebriado.
	No era o que acontecia com a gente. Lembra?  ele perguntou com uma voz sedutora.
Ao perceber que Rob se aproximaria mais e mais, Jenny quis sair do quarto. Precisava fugir dali. Mas seus ps recusavam-se a obedec-la. E ela permaneceu parada, esperando por ele, ansiando pelas carcias que sempre a deixavam atordoada.
Rob a abraou. Seus lbios deslizaram pelo rosto delicado, num convite mudo. Jenny tinha a sensao de estar vivendo momentos passados que haviam ficado marcados para sempre no mais ntimo do seu ser. De repente ela quis consumar o que nunca fora consumado. Queria se entregar a Rob e por alguns instantes se esquecer que sobre a face da terra existia um homem chamado Jack Keel.
Porm, mesmo desejando Rob com ardor, Jenny sabia que seria loucura se entregar a ele.
Inspirando profundamente e demonstrando uma determinao que estava longe de sentir, ela o empurrou e pediu:
	Saia, Rob. Saia daqui. Agora!
Rob, confuso, deu apenas um passo para trs. Que mulher era aquela que de repente parecia desej-lo e que, de um momento para outro, se mostrava fria como o gelo?
Ele fez de tudo para enxergar-lhe a expresso do rosto. Mas a escurido o impediu. No, no sairia dali sem uma explicao pelo menos razovel.
	No, Jenny. Eu vou ficar. E s saio daqui depois que me explicar o que est acontecendo. Quero saber o motivo verdadeiro que levou voc a querer se casar com aquele desqualificado. Desde que eu a conheo voc queria ser veterinria. E no mediu esforos para conseguir se formar. Nenhum homem, nenhum dinheiro nesse mundo faria voc desistir do maior sonho da sua vida.
Enquanto Rob falava, em pensamentos Jenny se perguntava:
"Meu Deus, por mais quanto tempo eu vou conseguir continuar mentindo? Por mais quanto tempo?"
	Jenny, eu quero ouvir o que voc tem pra me dizer.
	E quem disse que tenho mais alguma coisa pra te dizer?
J foi tudo dito, Rob. Tudo. Por que voc no aceita de uma vez por todas o que lhe disse l na festa do casamento?  a verdade.
Se aceitasse logo, iria facilitar muito a minha vida.  simples: eu mudei. Eu mudei, Rob.
	Ningum muda tanto com tanta rapidez.
Ao procurar algo que pudesse convenc-lo, Jenny deparou-se com ressentimentos antigos que a tinham feito sofrer muito.
	A culpa  sua, Rob Emory. Apenas sua!
	Do que  que voc est falando?
	Ns poderamos ter nos casado h muito tempo. Mas voc no quis, est lembrado? Voc nunca quis se comprometer.
A confuso de Rob aumentou com aquela sbita mudana de enfoque.
	Daria para me explicar melhor sobre o qu exatamente voc est falando? Como pode dizer que eu nunca quis me comprometer? Ns ramos noivos!
	Noivos? Ns? Voc nunca me pediu em casamento. Como  que podamos ser noivos se nunca me deu um anel de noivado?
Rob pensou um pouco a respeito do assunto e teve de admitir que ela tinha uma certa razo.
	Pra mim a gente ia se casar assim que voc terminasse a faculdade.
	Isso pra voc. Eu nunca fiquei sabendo disso! No tnhamos data marcada, nenhum tipo de preparativo para o casamento. Nada, nada! E se eu no tivesse resolvido me comprometer com Jack voc nem estaria falando sobre casamento agora,
	No me venha com essa! Claro que estaria!
	Estaria nada!
Jenny viu que precisava se controlar e acabar de vez com aquela conversa. Conforme os dois iam discutindo, ela ia se sentindo mais e mais vulnervel.
	Bem, Rob, o que passou, passou. No adianta agora ficar discutindo isso tudo. O que tinha que acontecer entre a gente j aconteceu. E ficou sepultado no passado. Agora, por favor, me deixe sozinha.
	Voc est dizendo que  muito tarde pra resolvermos essa situao?
	Exatamente.
	No d para aceitar, Jenny.
	Com o tempo voc se acostuma com a ideia.
	No existe nada para eu me acostumar.
	Rob, por favor, v!
Incapaz de derrubar o muro que Jenny colocara entre os dois, Rob apelou para nica coisa que lhe ocorreu naquele momento: ele tentou abra-la.
	No insista, Rob. Me deixe sozinha.
Mas Rob insistiu. Abraou-a com mais fora e a beijou com paixo.
Jenny sentiu que suas foras se esvaiam. H quanto tempo queria um beijo de Rob? Mas precisava ser forte e continuar lutando. Se cedesse aos apelos do corao, tudo estaria perdido. E Jenny sabia que s tinha uma maneira para obrigar Rob a ir embora.
Ela se afastou um pouco dele e comentou:
	Qualquer mulher adoraria estar no meu lugar. Jack  poderoso, tem muito sucesso... Ele  o tipo de homem que sabe o que quer e no mede esforos para conseguir.
	Voc est me provocando, Jenny? E isso?
	No, eu no estou provocando voc.
	Mas est parecendo.  Rob a abraou com mais fora.
	Me solte! Voc est me machucando.
Rob afrouxou um pouco o abrao, mas no a largou.
	Quando voc terminou o nosso relacionamento pelo telefone, pensei em lhe fazer uma visita. Mas depois, respeitando a sua vontade, desisti. Resolvi lhe dar um tempo para pensar. Mas o que tive mesmo foi vontade de chocalhar voc!, tamanha foi a raiva que senti!  Ele a segurou pelos ombros.
	E voc quer me chocalhar agora, Rob? Por qu? S porque eu nunca ca de joelho aos seus ps?
	No diga isso.
	Por qu? Por que eu no posso dizer isso?  a mais pura verdade. Todas as mulheres que conheo dariam tudo pra namorar com voc. Tai: encontrou uma que no o quer.
	Voc me quer, sim. Mas e claro que quer.  O beijo de Rob agora mostrava todo o desespero que ele sentia. Suas mos em carcias ousadas, percorriam o corpo de Jenny.
E ela, que de repente deixara de ser a senhora da situao, correspondeu ao beijo e s carcias.
Rob abriu-lhe o vestido e sugou-lhe os seios. Jenny arqueou o corpo numa entrega muda.
De repente os dois ouviram barulho e se afastaram. Jenny depressa fechou o vestido.
	O que est acontecendo, Jenny? Voc est bem?
A voz era de Tate Landon. Rob quis fugir pela janela, mas j era tarde. O pai de Jenny tinha aberto a porta e acendido a luz.
	O que diabos est fazendo aqui, Rob? E que roupa  essa que est usando?
	Um terno.
	E desde quando voc usa ternos?
	Vim direto pra c do casamento do meu irmo.
	Veio cavalgando?
	Vim.
	Estava louco pra ver a minha filha, no ?
	Estava... Estava... sim... senhor...  Rob titubeou.
	Eu, particularmente, no tenho nada contra. Se soubesse que era voc quem estava aqui dentro no teria interrompido.
Jenny arregalou os olhos. No podia acreditar no que acabara de ouvir.
	... mas uma vez o senhor me expulsou daqui com uma espingarda nas mos.
	Mas isso foi antes de eu saber quem a cabea-dura da minha filha est querendo colocar no teu lugar.
	Papai, no estou gostando nada nada do que o senhor est falando  Jenny ficou indignada.  E voc, Rob: v embora! J!
Rob olhava espantado para Jenny. H poucos instantes ela ardia de paixo em seus braos e agora o olhava com extrema frieza.
	Acho melhor pensar direito no que est fazendo. Se eu sair daqui, voc nunca mais vai me ver.
	Eu quero que voc v embora e sei exatamente o que estou fazendo. Fiz a minha escolha quando aceitei o pedido de Jack.
	Jenny...
	Saia daqui, Rob. Acabe de uma vez com isso!
	Espero que consiga viver com a escolha que fez.
Mordendo os lbios, Jenny viu Rob passar pelo seii pai e, depois de se despedir, sair do quarto.
Jenny, totalmente impotente, sentou-se na cama.
	Voc cometeu o maior erro da sua vida, filha  Tate disse com pesar.  E tenho certeza que j est arrependida.
	Papai... eu...
	Boa noite, Jenny.  Tate Landon saiu do quarto sem dizer mais nenhuma palavra.
Jenny deitou-se e ficou olhando para o teto. Os olhos secos, o corao quase parando dentro do peito.
	Eu fiz o que tinha de ser feito. O que vai acontecer daqui pra diante, eu no sei. Mas foi melhor assim. S espero que Rob no volte. Se ele voltar, no vou encontrar foras para me despedir dele outra vez...

Capitulo III

Calma! Caaaalma! Fique quietinho! 'Foi voc mesmo quem se meteu nesta confuso toda.
As palavras de Rob foram ditas com raiva e a elas se seguiram vrios palavres. Mas o boi malhado parecia no ter se impressionado com tanta raiva e apenas deu um outro longo mugido.
	J no disse pra ficar calmo? Como  que foi se meter a dentro?  Tenso, Rob desceu do cavalo. Se no tomasse cuidado, o boi poderia feri-lo com os chifres.  Voc no me respondeu,
Diablo: como  que foi se meter a dentro?
O boi estava preso na lama. com cuidado, mas com muita determinao, Rob entrou no atoleiro, aproximou-se do animal e curvou-se para tentar livrar as patas dianteiras dele.
	Vamos l, Diablo, v se me ajuda! Se no me ajudar, no vou conseguir!  Ansioso, Rob continuava a dizer palavres. O animal o fitou e deu um outro mugido.
Rob continuou fazendo de tudo para livrar as patas dianteiras de Diablo.
	Vamos, fora!
Outro mugido, mas Diablo no saa do lugar. Depois de muito tentar, Rob gritou:
	Agora! Diablo. Agora!  E deu uma palmada no lombo do animal.
De repente o boi foi para frente e saiu do atoleiro.
	Ainda bem, no  companheiro? J no estava aguentando mais. V se da prxima vez olha direitinho pra onde vai.
Rob saiu da lama e parou um momento para limpar-se. Involuntariamente seus pensamentos o levaram para a conversa que havia tido com Jenny na noite anterior. Apesar de ter pensado muito sobre o que ela lhe dissera, as palavras de Jenny continuam a no fazer o menor sentido para Rob.
Como uma pessoa podia ser to incoerente? Como, sem mais nem menos, Jenny poderia estar to interessada em bens materiais? E ele que fizera de tudo para conseguir entender o que se passava com ela... A, Jenny mudara de atitude e tinha ficado na ofensiva dizendo que ele nunca quisera se comprometer.
Jenny deveria saber que o relacionamento dos dois era srio, muito srio. Fora ela quem sempre havia dito que eram jovens demais, que tinham a vida inteira pela frente. Antes de qualquer coisa, Jenny queria terminar a faculdade. E agora... agora Jenny falava que ele nunca quisera se comprometer. Era demais! Como Jenny podia dizer que a responsabilidade por tudo o que havia acontecido era dele? Quatro anos tinham demorado muito para passar. E ele a esperara!
Rob estava to absorto que no se deu conta que Diablo se aproximava correndo. No instante em que percebeu que seria atacado pelo animal, ele se jogou no lamaal.
Segundos mais tarde, xingando muito, Rob se levantou, intei-rinho coberto de lama.
	Isso ecoisa que se faa?  ele perguntou ao animal que, aps dar um longo mugido, se afastou.
	Ficou feliz em me ver assim desse jeito, seu imbecil?  Rob perguntou. Mas Diablo j estava se aproximando de uma fmea e nem se voltou.
	E tudo isso por causa de Jenny. Se tivesse prestado ateno, Diablo no me aprontaria uma dessa! Agora vou ter que passar uma hora tomando banho!  Rob voltou a gritar com Diablo:   Uma hora  pouco! Da prxima vez que estiver atolado, no vou fazer nada pra te ajudar.
Rob subiu no cavalo e foi para casa.
	Quero que as mulheres desapaream da face da terra!
Apesar de ter se lavado um pouco num riacho, ao chegar nas proximidades da sede da fazenda, Rob sabia que ainda estava num estado lastimvel. E j no aguentava mais as brincadeiras e risadas dos pees que encontrara pelo caminho.
Em outros tempos, ele tambm estaria rindo, mas naquele dia Rob tinha vontade de pegar cada um dos empregados a tapa.
Alm da situao concreta que vivia com Jenny, outro detalhe naquilo tudo o estava irritando.
 Fui um tolo! Um grande tolo!  ele disse com raiva.
Desde a morte de Ben Emory, pai de Rob, Jlio, que era o verdadeiro proprietrio da fazenda, o elegera seu brao direito.
Quando isso aconteceu, Rob ficou muito feliz pois adorava a Dois Diamantes onde trabalhava desde criana. Seu gnio alegre e brincalho tinha feito dele uma pessoa muito querida por todos. A tarefa de Rob era de tratar dos negcios externos da fazenda. Isso por ser superamigvel com todos e tambm por Jlio se negar a ter esse tipo de atividade.
Rob nunca se preocupara com o tipo de diviso de trabalho que o irmo estabelecera e nunca havia pensado em mud-la. Mas com a proximidade da volta de Jenny, ele passou a se perguntar se no poderia ganhar um pouco mais. Afinal, casamento era coisa sria!
Apesar de sempre ter trabalhado muito, Rob nunca havia se preocupado muito com o futuro pois para ele, a vida tinha que ser vivida da melhor maneira possvel.
Mas de repente as coisas se tornaram diferentes. Jenny logo se formaria e os dois iriam constituir uma famlia.
Rob, ento, falou com Jlio e, depois de receber um bom aumento, resolveu economizar cada centavo que ganhava.
Com o passar do tempo, ele conseguiu economizar para o casamento. Precisava dar  Jenny um mnimo de conforto.
 E agora ela me vem com essa! Economizei tanto pra nada!
Rob desceu do cavalo e foi para curral principal onde retiraria a lama do corpo. Instantes mais tarde Will, um dos empregados que era apenas um ano mais velho que Rob, se aproximou.
A famlia de Will viera de Oklahoma h nove anos. Desde ento Will e Rob haviam se tornado bons amigos. Os problemas entre os dois comearam a aparecer quando Rob tinha decidido mudar de atitude. Will nunca levava muito a srio as ordens que recebia do amigo.
	Tudo bem com voc, Will?
	Tudo. Mas pelo jeito voc  que no est l muito bem.
Teve um acidente?
	Pois ... Mas isso acontece quando no prestamos ateno direito no trabalho que estamos fazendo. E por falar em trabalho, a chuva que caiu nesses ltimos dias derrubou parte da barragem e um pedao do pasto est com problemas. Gostaria que chamasse Jesse e fossem arrumar a barragem.
	Agora?  Will perguntou com insatisfao nos gestos e no olhar.
	Agora.
	Mas que histria  essa? Se esqueceu que hoje  domingo?
	No, eu no me esqueci.

	Domingo  dia de folga.
Rob resolveu contemporizar:
	Tudo bem. Vocs fazem isso amanh sem falta.
	Credo, Rob. Voc s fala em trabalho! At parece um velho. Pelo jeito essa histria toda com Jenny mexeu muito com voc!
Rob parou de limpar as botas e disse tentando se mostrar por cima da situao:
	Mexeu, nada! Nenhuma mulher me faz de imbecil!
	Foi exatamente o que eu disse ao Larry hoje de manh.
Sabia que ele jura ter visto voc sair ontem daqui e seguir na direo da fazenda Landon?
Rob sentiu uma raiva imensa invadi-lo.
	E desde quando preciso sair por a caando uma mulher?
	Tambm disse isso ao Larry. Voc s poderia estar louco se resolvesse se importar com Jenny. Ela s est procurando quem a sustente. Jenny quer mesmo  uma boa vida e encontrou um trouxa rico que vai fazer todas as vontades dela. Como eu j lhe disse milhes de vezes: voc  muito novo pra se amarrar. E mulher  o que no falta. Todas que eu conheo so doidinhas por voc.
As palavras de Will deixaram Rob mais animado.
	... tem muita mulher nesse mundo de Deus!
	Hoje mesmo na cidade, uma das suas ex-namoradas perguntou por voc.
	 mesmo?  Rob fingiu indiferena.
	E ela  superbonita! Se me desse um pouquinho de confiana aquela l no me escapava!
	De quem  que est falando?
	De Lissa Jackson.
	Mas Lissa  casada  Rob lembrou o amigo.
	Era. Lissa era casada. Acabou de se divorciar e pelo jeito est querendo comemorar com algum.
	Por que no se ofereceu para comemorar com ela?
	J disse: Lissa no me d confiana. Pelo jeito ela quer mesmo  voc.
Rob acabou de se lavar e foi para casa. Will o seguiu. A ideia de encontrar-se com Lissa no era assim to m.
	Lissa est morando na casa que pertenceu aos pais dela?
 Rob quis saber.
	Est, sim. Voc vai procur-la?
	Quem sabe? A gente nunca pode prever o futuro.
Rob estava parado em frente da casa de Lissa Jackson. No sabia se descia da caminhonete e ia falar com ela, ou ia embora. O lugar parecia o mesmo desde que estivera ali pela ltima vez para levar Lissa  uma festa quando ainda faziam o colegial. O encontro com Lissa tinha sido por causa de uma briga que ele e Jenny haviam tido.
"Anime-se!", Rob se dizia em pensamento. "Lissa  uma excelente companhia e, alm de inteligente,  uma mulher muito bonita."
Mas estava difcil para Rob seguir os prprios conselhos.
"Nesse momento Jenny deve estar nos braos daquele idiota, e e eu aqui me comportando como um adolescente assustado!"
Ao imaginar Jenny nos braos de Jack, Rob no pensou duas vezes: saiu da caminhonete e tocou a campainha da casa de Lissa. Mas no ouviu barulho algum.
	S me faltava essa! A campainha est quebrada!  Rob olhou em volta. O jardim estava abandonado.
	Pelo jeito o ex-marido de Lissa  igualzinho ao pai dela: o velho Jackson nunca perdeu tempo com esse jardim.
Rob deu trs pancadas na porta e esperou. Nada. De dentro da casa no vinha barulho nenhum.
Deveria ter telefonado antes...  ele comentou.
Mas Rob no tinha telefonado com medo de desistir na ltima hora. E agora... Ele voltou a dar trs pancadas na porta. Nada. Porm, no momento em que decidiu ir embora, ouviu passos. Em seguida a porta se abriu.
	Voc?  Lissa o olhava surpresa. Mas no era s a dona da casa que estava surpresa: Rob -tambm. Rob e mais cinco mulheres que se encontravam na sala.
	Pensei que fosse Jenny!  Debbie Armbruster, grvida de nove meses, foi a primeira a se manifestar.
	Mas  nosso amigo Rob Emory  Lissa comentou com simpatia.
	E onde est Jenny? Ela j deveria ter chegado  Debbie voltou a se manifestar.
	Eu estou aqui.
Ao ouvir a voz de Jenny, Rob virou-se e sentindo uma sensao de vingana, perguntou:
	Est surpresa, Jenny?
Rob, recostado no sof, apesar de se sentir um tolo ali na casa de Lissa Jackson, fazia de tudo para mostrar que estava muito  vontade. Mesmo sabendo que deveria ir embora, algo fazia com que ficasse.
Ao pegar o copo de limonada que Lissa lhe oferecia, ele deu um sorriso sedutor e agradeceu:
	Obrigado, querida.
Com o canto do olho, Rob viu que estava sendo observado por Jenny. Otimo! Ela que o observasse o quanto quisesse.
	Est gostando do primeiro ch-de-cozinha da sua vida, Rob?
	Muito.  Ele voltou a sorrir de maneira sedutora.  Afinal qual homem no gosta de estar no meio de tantas mulheres?
A resposta de Rob provocou muita risadas. Jenny, porm se manteve quieta.
Rob e Jenny, durante o longo tempo de namoro, tiveram inmeras brigas e algumas separaes. Essas brigas aconteciam basicamente por cimes e por causa do gnio forte dos dois. E agora, ali naquela sala, Rob se via diante de duas ex-namoradas e de... Jenny.
	Voc continua o mesmo, no  Rob?  O comentrio vinha de Cindy Harper que se encontrava ao lado dele.  Nunca vou me esquecer do tempo que ficvamos dentro daquela velha caminhonete observando as estrelas.
Antes que Rob pudesse fazer qualquer comentrio, Lissa interferiu:
	Ser que vocs s ficam observando as estrelas?
Rob, meio constrangido e olhando para Jenny, bebeu a limonada de um s gole. Ele queria muito que ela se importasse com o comentrio indiscreto de Cindy Harper.
Jenny, porm, se mantinha impassvel. Depois das emoes vividas na noite anterior, decidira se manter totalmente sob controle. Se algo semelhante voltasse a acorrer, sabia que seria um desastre, que estaria perdida.
Alheia, Jenny pegou um dos presentes oferecidos pelas amigas.
	Cuidado, Jenny  Debbie fingia seriedade , voc tem que desamarrar todos os ns. Lembre-se: cada lao arrebentado significa um beb a mais.
Ao imaginar Jenny dando a luz a um filho que pertenceria a outro homem, Rob sentiu o estmago se contrair. Era difcil imaginar uma criana filha de Jenny que no trouxesse os traos dele no rosto.
Com o embrulho nas mos, Jenny deu uma olhada para Rob. E ele podia jurar que os mesmos pensamentos passavam pela cabea dela. Em seguida ela riu muito sobre um comentrio feito por Debbie, e Rob sentiu-se um tolo.
Deliberadamente, Rob deixou o brao deslizar e se apoiar nos ombros de Lissa. Apesar do contato ser prazeroso, ele continuava olhando para Jenny que abria o presente.
	Mas  linda.  Jenny tirou uma camisola transparente da caixa.  E supermacia.
	Tenho certeza que Jack tambm vai adorar  April Thompson disse com malcia.  Qual homem nao gosta de camisola preta?
Todas as mulheres presentes riram com muita cumplicidade. Mas Rob sentiu que iria enlouquecer de dio. Queria pegar Jenny e lev-la para bem longe dali: para a lua, se fosse o caso. Queria abra-la e beij-la muito at que Jenny confessasse que o queria, que se importava com ele. Mas sabia que no podia tomar uma atitude daquelas. Precisava continuar fingindo indiferena.
Rob levantou-se, serviu-se de mais um copo de limonada e voltou a sentar-se. De novo ele colocou o brao sobre os ombros de Lissa e continuou observando Jenny que abria outro presente.
Debbie, enquanto os presentes eram abertos, anotava tudo o que Jenny falava. Depois, Debbie lia o que havia escrito e provocava mais risos maliciosos.
Rob, depois de algum tempo daquelas brincadeiras todas, percebeu que no estava mais aguentando a situao. Mesmo assim ele ria e tentava participar das brincadeiras. Por fim, aps os presentes terem sido abertos, foi a vez de cortar o bolo.
Jenny, sorrindo muito, pegou a faca que Lissa lhe estendia.
	Antes de cortar, faa um pedido  Debbie sugeriu.
	Isso mesmo: feche os olhos e pea que acontea algo muito especial na sua vida  April estava eufrica.
Jenny seguiu a sugesto das amigas. Fechou os olhos e, aps alguns segundos de concentrao, cortou o bolo. Muitos aplausos se seguiram.
	Daria para voc me ajudar, Rob?  Lissa perguntou.
	Mas  claro que sim. O que  que tenho que fazer?
	V at a cozinha e faa um caf pra gente.
	 pra j!  Rob se levantou.
Na cozinha, ele mal conseguia se manter em p. Por que no fora logo embora? S para provocar Jenny e mostrar-lhe que no se importava com o que estava acontecendo? Se ele tivesse o mnimo de juzo, sairia pela porta da cozinha enquanto ainda era tempo. Tinha sido insuportvel ver Jenny abrindo aqueles presentes todos: camisolas, calcinhas rendadas, sutis... No, aquilo no podia estar acontecendo. S podia ser um pesadelo. Iria acordar a qualquer momento.
Rob ps a gua para ferver e encostou-se na parede.
	O que voc est fazendo a encostado na parede?
Rob sorriu feliz e agradeceu a Deus pela nova chance que estava tendo.
	Vim fazer caf, Jenny. Enquanto espero a gua ferver, aproveitei para pensar um pouco na vida.
	Tem certeza?  ela duvidou.
	Absoluta.
	Bem, j que andou pensando, me diga: por que resolveu estragar o meu ch-de-cozinha?
	Mas eu no fiz isso  Rob se defendeu.
	Claro que fez.

	No, voc est enganada. No tive a menor inteno de estragar o seu ch-de-cozinha.
	Ento o que veio fazer aqui?
	Foi coincidncia. Apenas coincidncia.
	No acredito em coincidncias, Rob. Voc tramou tudo. E homens no participam de festas como essa.
	Isso voc tem que dizer  Lissa.
	Mas me diga: por que voc est aqui?  Jenny insistiu.
	Vim visitar Lissa e a...
	Voc veio visitar Lissa?
	Vim  ele respondeu com uma imensa satisfao.
	Mas na hora que viu o tipo de festa que era deveria ter ido embora.
	Deveria? E por qu?
	J disse: ch-de-cozinha e uma festa s de mulheres.
	Ningum pediu que eu sasse.
	Isso porque as pessoas so educadas.
	E eu sou um homem deseducado?
	No foi isso que eu disse  ela afirmou categoricamente.
	Voc est com cimes?
	Eu? Com cimes de voc?
	 o que est parecendo.
Jenny ficou vermelha, mesmo assim enfrentou o olhar de Rob: 	Voc est enganado. Tenho um noivo. E vou me casar. Voc pertence ao passado.
	Um passado muito bonito, por sinal.
	Acho bom mudarmos de assunto, Rob.
	S vim fazer uma visitinha  Lissa. Queria lembrar os velhos tempos.
	Bem, o que veio fazer aqui no me interessa.
	E voc?  Ele a fitou de maneira desafiadora.
	Eu o qu?
	O que veio fazer aqui na cozinha?
	Apenas tomar um copo d'gua.
	 mentira. Voc veio at a cozinha porque sabia que eu estava aqui.
	No seja presunoso.
Rob, devagar, foi se aproximando de Jenny. Ela no se movia.
	Eu no sou presunoso. Mas admita: voc veio aqui para falar comigo.  Rob acariciou o rosto de Jenny.  E eu gostei. Muito...
	No me toque - ela pediu.
	Por que voc no foge?  Rob a desafiou.
Jenny, embora quisesse fugir, se sentia presa ao magnetismo de Rob. Rob a beijou e Jenny correspondeu ao beijo.	
	Vamos, diga que no me deseja, que no se importa com o motivo que me trouxe at a casa de Lissa.
	Tudo bem, eu desejo voc. Desejo voc como as mulheres que esto na sala e como aquelas que adoram ter um caso com um vaqueiro bonito. Mas  s isso: desejo. Nunca, nunca me atreveria a pensar em algo mais srio com voc. Como, por exemplo, casamento.
Rob ficou profundamente magoado com as palavras de Jenny.
	Quer dizer ento que  isso? Voc sempre quis o meu corpo?
	.  isso  ela afirmou, fazendo de tudo para no chorar.
	E quando percebeu que era s desejo que sentia por mim?
	J faz algum tempo.
	Isso aconteceu quando comeou a se encontrar com Jack?
	Foi.
	E quanto tempo faz?  Ele a segurou pelos ombros.
	Me solte! No tenho que lhe dar satisfao! E no quero continuar essa conversa!
	 mesmo? Mas eu quero!  Rob retirou um papel do bolso e comeou a ler o seu contedo:
"Querido Rob,
Sinto muito a sua falta. Conto os dias que me separam de voc. No vejo a hora de acabar o meu curso. A, sim, tudo estar terminado e nunca mais me separarei de voc. Ser que no daria para vir me visitar num final de semana? Seria maravilhoso poder abra-lo e dizer-lhe pessoalmente o quanto voc me faz falta. "
	Quer que eu continue, ou j posso parar?
	Me devolva esta carta.
	De jeito nenhum: esta carta  minha!
	Voc... voc...
	Essa carta, Jenny, foi postada uma semana antes daquele telefonema que voc me deu terminando o nosso namoro.
	E da?
	E da? E voc ainda pergunta? Pelo que posso deduzir, voc me escrevia cartas de amor enquanto j estava envolvida com Jack. E isso  sujeira! Vindo de qualquer outra mulher, at que poderia aceitar um comportamento to desonesto. Mas voc  Jenny Landon! E Jenny Landon, pelo menos aquela que eu conheci, seria incapaz de ser to desonesta, to irresponsvel.
	As pessoas mudam.
	No, no voc. Pelo jeito voc nunca mudou: sempre foi uma grande atriz, uma grande mentirosa.
Jenny tinha vontade de abraar Rob e contar-lhe toda a verdade. Mas precisava se manter firme. A situao pela qual passava era muito delicada.
	Ainda bem que voc descobriu tudo isso a tempo...
	No, no acredito que tenha mudado.  Rob balanou a cabea.   impossvel que a cidade grande ou as pessoas da faculdade tenham transformado voc. Algo est errado. Sei que gosta de mim. H pouco estava morrendo de cimes.  verdade ou mentira?
Jenny, com medo de se trair, no respondeu  pergunta.
	Vamos, Jenny, responda: estava ou no com cimes?
	Eu... eu...
A porta da cozinha se abriu e Jenny foi interrompida. Era Debbie.
	E o caf? Ainda no est pronto?
	J vou co-lo. A gua comeou a ferver agora.
Jenny fez meno de sair da cozinha, mas Rob lhe disse baixinho:
	Quero continuar conversando com voc.  E em voz alta completou:  Jenny, por favor pegue o p ali no armrio.
Jenny pegou o p e, aps entreg-lo a Rob, tambm disse em voz baixa:
	No tenho mais nada para falar com voc.
	Falou comigo, Jenny?  Debbie que tinha aberto a porta da cozinha e olhava o cu perguntou.
	Disse que voc est muito bonita grvida  Jenny tentou consertar a situao.	;
	Voc tambm acha, Rob?
	Acho, sim, Debbie  ele respondeu j coando o caf.
	Quem bom...  Debbie acariciou a barriga. Estou louca para ver a carinha do meu beb. Est pensando em engravidar logo, Jenny?
	Ainda... ainda no sei  Jenny titubeou.

	 bom pensar nisso. O casamento est prximo, queridinha. Rob quase derrubou o caf recm-coado.
	Algum problema, Rob?
	No, Debbie, nenhum. O caf est pronto.
	Maravilhoso. Estou louca por um caf. Precisa de ajuda?

	Por favor, leve o garrafa trmica para a sala. Eu levo a bandeja com as xcaras.
	Vai ficar a Jenny?  Debbie perguntou saindo da cozinha seguida por Rob.
	S vou tomar um copo d'gua.
Sozinha na cozinha, Jenny respirou aliviada. A interrupo de Debbie tinha sido bastante providencial. Por pouco no contara toda a verdade a Rob.
Jenny entrou no carro e voltando-se para Lissa agradeceu:
	Voc foi muito gentil em me oferecer o ch-de-cozinha.
	Imagine, Jenny... Foi um grande prazer.
	Boa noite, ento.
	Boa noite, Jenny. Fique tranquila: voc ser muito feliz.
	Tenho certeza que sim.  Jenny respondeu com resignao.  Boa noite, Rob.
Rob, que estava encostado no porto, aproximou-se de Lissa e colocou-lhe o brao sobre os ombros. S ento respondeu:
	Adeus, Jenny!
Jenny sentiu um vontade imensa de fugir dali. Ligou o carro e se afastou.
	E a, bonito?  Lissa perguntou a Rob.  Posso te fazer um convite?
	Claro que pode.
	Que tal jantarmos juntos?
	Voc est me oferecendo um jantar?
	Um jantar e... tudo o mais que quiser.  Lissa o puxou para dentro de casa.
	O que est querendo dizer com isso, Lissa?
	Eu?  Lissa se fez de inocente.  Nada. S estava querendo deix-lo mais alegre. Voc est muito triste e eu entendo o porqu.
Rob resolveu aproveitar a oportunidade. Talvez Lissa soubesse o que estava acontecendo com Jenny. Afinal, as duas eram muito amigas.
	Jenny sempre conversou com voc a respeito de casamento?
	Sempre. Casamento  muito importante para ela.
	 verdade...  Rob concordou.
Os dois se sentaram no sof.
	Isso deve ser porque o pai legtimo dela no se casou com a me.
	Como assim?  Rob quis saber.
	Rob, voc me parece muito desligado... Tate Landon no  pai de Jenny. Se esqueceu disso?
	 mesmo... Mas  superdifcil imaginar que Tate no  o pai de Jenny.
	 difcil mesmo...
	Uma vez Jenny me contou que o pai verdadeiro dela se chama Roy... no, Leroy Parker. E me parece que ele trabalhava para o pai de Jack Keel.
	Se ele trabalhava para o pai de Jack, eu no sei  Lissa disse.  Mas me lembro que um dia Jenny me contou que a me dela, Mary, se apaixonou por Leroy quando ainda fazia o ginsio. Era um amor muito grande. A, Mary engravidou e o namorado no quis assumir a criana. Ento, os pais dela a puseram para fora de casa.
	Deve ter sido terrvel.
	Ainda bem que apareceu Tate e resolveu ajudar. Parece que ele sempre fora apaixonado por Mary e s no havia se declarado antes por ser quase vinte anos mais velho.
	E o tal de Leroy Parker foi embora daqui. Ningum mais ouviu falar dele...  Rob continuou com a conversa, pensando na maneira melhor de perguntar  Lissa o que realmente queria.
Lissa, profundamente perspicaz, resolveu ajud-lo:
	Por que no vai direto ao assunto e pergunta o que tanto est atormentando voc?
	Bem... eu...
	Voc quer saber se Jenny falava de Jack comigo, no  isso?
	.  isso  Rob admitiu.
	No, ela no falava. Jenny sempre me disse que iria se casar com voc.
	Tem certeza disso, Lissa?
	Absoluta. E se quer saber, tambm estou superespantada com esse casamento. Nunca imaginei que um dia Lissa viesse a se casar com. Jack. Ele s se importa com dinheiro e, como voc bem sabe, Jenny no d a menor importncia a bens materiais.
	Jenny me disse que eu nunca me comprometo. Mas isso  loucura. Ela sempre soube que iramos nos casar.
	Ser que sabia mesmo? Voc  o tipo de homem que sempre faz o que quer, Rob. E fala muito pouco sobre si mesmo. Acho que se quisesse de fato se casar com Jenny j teria feito isso.
	No me venha com essa! Jenny de repente mudou e resolveu me abandonar.
	E voc? O que fez para mudar essa situao?
	Eu...
	Garanto que no fez nada  Lissa afirmou.
Rob pensou um pouco e chegou  concluso que Lissa estava certa. Apesar de ter ido procurar Jenny no seu quarto, no lutara de verdade para que aquele casamento no se realizasse. Talvez devido ao choque repentino da revelao.
Percebendo a confuso de Rob, Lissa concluiu:
	A nica coisa que sei  que Jenny sempre quis se casar com voc.
	Mas ento por que ela resolveu agora se unir a Jack?
	Isso eu no vou poder lhe responder. Tambm  um mistrio para mim.
Rob e Jenny foram para a cozinha. Ela preparou o jantar e os dois continuaram conversando sobre Jenny. Aps terminarem a refeio, ela disse:
	Pelo que pude entender dessa nossa conversa toda, voc veio aqui por causa de Jenny.   
	Tenho que admitir que  verdade. Vim procurar voc porque estava com raiva dela.
	Infelizmente, para mim...
	Desculpe, Lissa.
	Voc no tem que se desculpar. Sempre gostei da verdade.
E agora, Rob, se no se importar, gostaria de tomar um banho e ir dormir. Para lhe dizer a verdade, sempre soube que no tinha
a menor chance com voc. Mas sabendo que Jenny iria se casar, pensei...
	Voc  uma mulher maravilhosa.
	Sei disso.  Lissa se levantou.
	Bem, eu vou embora.  Rob tambm se levantou.  Obrigado pela conversa.
	A gente faz o que pode. Mas escute uma coisa: se fosse voc no desistia com tanta facilidade. Jenny est agindo de maneira estranha. V atrs dela e insista.
	Farei isso, Lissa.
	E a propsito...
	Pode dizer.
	Se resolver me procurar de novo, faa isso quando estiver realmente livre.
S na estrada, j perto da fazenda, Rob entendeu o sentido exato da ltima frase que Lissa lhe dissera. No agira direito. Ele a havia procurado apenas por causa de Jenny e isso a magoara. No era direito brincar daquela maneira com os sentimentos alheios.
	Preciso lutar por Jenny. E  isso que vou fazer!

Capitulo IV

Jenny, impaciente, experimentava o vestido de noiva e fazia de tudo para no olhar-se no espelho. E ela que havia pensado que o dia do casamento seria o mais feliz de sua vida... Em suas fantasias, iria se atrasar um pouco e, quando entrasse na igreja, Rob a estaria esperando no altar. Mas agora no seria Rob quem a estaria esperando no altar. No... o noivo era Jack Keel. Nem em suas mais remotas fantasia imaginara que um dia isso viesse acontecer. Mas essa era a realidade. A realidade que a aguardava. O sonho lindo de ser recebida no altar por Rob tinha ficado no passado e parecia pertencer a uma outra pessoa.
Depois do que havia lhe dito no ch-de-cozinha, Jenny esperava que se um dia encontrasse com Rob pelas ruas da cidade, ele continuasse na mesma calada. Esperava que pelo menos ele no a desprezasse. Mas era bem possvel que ela nunca mais voltasse a v-lo.
Jenny sabia que tudo na sua vida iria mudar. Depois do casamento, iria embora para Houston e se afastaria de Rob, do pai, dos amigos e da carreira com a qual sempre sonhara.
	Por favor, senhorita, relaxe um pouco  a costureira pediu.
 Sua tenso  tanta que no estou conseguindo fazer o meu servio.
Jenny respirou profundamente e fez um esforo enorme para relaxar. s vezes tinha a sensao que iria arrebentar, tamanha era a tenso que no a abandonava nem durante o sono.
Depois de uns cinco minutos, a costureira disse:
	Pronto! Acabei! No est lindo?
Jenny olhou para a sua imagem refletida no espelho e viu apenas desespero e dor. Mesmo assim sorriu e disse  costureira:
	A senhora fez um excelente trabalho.
	Eu tambm gostei. H muito no vestia uma mulher to linda como a senhorita.  A costureira admirava o prprio trabalho.  Agora vire-se um pouco.
	Assim?  Jenny perguntou aps seguir as ordens da boa senhora.
	Est perfeito. Se quiser pode tir-lo.
	A senhora  uma artista.  Jenny olhou no relgio. Ainda tinha uma hora para encontrar-se com Jack. Uma hora s dela.
Ao sair da casa da costureira que ficava no centro da cidade, Jenny olhou para os lados e, mais que nunca, sentiu-se perdida, sem saber o que fazer. De repente uma loja de animais chamou-lhe a teno. Ela atravessou a rua e, atravs do vidro da vitrina, ficou vendo os cachorros e gatos que estavam expostos.
	Como so lindos  Jenny disse baixinho.
Absorta, Jenny ficou ali diante da vitrina lembrando-se do tempo em que fizera faculdade. Uma leve batida na vitrina fez com ela se voltasse e se deparasse com um garotinho.
	Ser que posso ter um desse?  O garotinho apontava um dos cachorros expostos.
Jenny se impressionou muito com o olhar carente do garoto que contrastava com as roupas de caubi que usava.
	Acho que voc pode, sim  ela respondeu com delicadeza.
	Eu ia adorar...
	Ento por que no pede a seu pai e a sua me para compr-lo?
O garoto piscou vrias vezes e respondeu:
	No d para pedir. Eles se foram.
Jenny estranhou aquela resposta. O garoto no tinha nada a ver com uma criana abandonada: estava limpo e muito bem vestido.
	At seus pais voltarem, algum deve estar tomando conta de voc, meu amor.
- A senhora no entendeu o que eu disse...  Os olhos do menino se encheram de lgrimas.
 Tudo bem com voc, Tedd?
Aquela voz... Jenny viu refletida na vitrina a imagem de Rob e seu corao disparou dentro do peito.
Imvel, ela pensou na noite de angstia que havia passado imaginando Rob e Lissa juntos. Chorara muito de raiva, cimes e desespero. E, de repente, ele estava ali!
Apesar de ter certeza que Rob passara a noite com Lissa, se pudesse, Jenny o receberia de braos abertos. Mas no era possvel. E, mais uma vez, ela teria que lutar contra os prprios sentimentos. Jenny no sabia quanto tempo mais iria suportar aquela situao. Devagar, virou-se para encar-lo.
Rob tinha um belo sorriso nos lbios. Com muita afeio ele acariciou a cabea do garoto.
	Jenny Landon, quero lhe apresentar Tedd Brolin que, assim que os papis ficarem prontos, ir se chamar Tedd Emory. Tedd  filho do primeiro casamento da minha cunhada Maggie.
Jenny mais uma vez olhou para Tedd. Agora os olhos do garoto brilhavam.
	Tedd tem andado meio chateado desde que a me e seu novo pai foram viajar em lua-de-mel. Para ver se ele melhorava um pouco, resolvi traz-lo para passear aqui em San Antnio.
Depois da conversa que tivera com Lissa, Rob passara boa parte da madrugada arquitetando um plano para se aproximar de Jenny. Depois de muito pensar, lembrara-se que no ch-de-cozi-nha, Jenny dissera s amigas que o vestido de noiva estava sendo feito ali em San Antnio e que ela iria experiment-lo no dia seguinte.
Ao acordar, Rob tinha ido procurar Tedd e o convidara para o passeio. O garoto relutou, mas acabou por aceitar a ideia de passar o dia em San Antnio. E agora... ali estavam eles: a ideia funcionara direitinho.
  um prazer conhecer um garoto to bonito como voc.  Jenny sorriu com afeto e estendeu a mo para Tedd.  Sabia que  superparecido com a sua me?
Jenny percebeu que o garoto ficou meio confuso com o comentrio que acabara de fazer. Mesmo assim ele agradeceu. Depois, virando-se para Rob, disse:
	Estou com fome.
	No  pra menos, amigo. J  hora do almoo. Tem uma comida supergostosa aqui perto. Quer almoar conosco, Jenny?
Apesar de estar com muita vontade de ficar um pouco na companhia de Rob, Jenny hesitou. O medo de correr riscos era muito grande. Mas, afinal, nada poderia acontecer na presena de uma criana!
Tedd segurou a mo de Jenny e pediu:
	Vamos almoar, estou com fome. E eu gostei muito da senhora.
Jenny sentiu uma alegria muito grande dentro do corao.
	Tudo bem. Eu vou almoar com vocs.
Enquanto os trs caminhavam at o restaurante, Tedd fez um comentrio estranho com Rob.
	Voc foi timo garoto. Parabns  Rob respondeu.
Jenny no tinha certeza, mas desconfiava que aquele encontro tinha sido muito bem arquitetado. Olhou para Tedd e o garoto a fitava com a maior inocncia do mundo. Ela no pde deixar de sorrir, afinal estava gostando muito do encontro.
No restaurante, enquanto almoavam, Jenny e Rob ficaram recordando o tempo em que eram colegas de escola.
	Lembra-se do dia em que voc ligou o extintor de incndio, um pouco antes do incio da aula do professor Calvin?  Jenny deu uma sonora gargalhada.
	Claro que me lembro.  Rob estava encantado com a alegria de Jenny.  Acabei estragando aquele suter novinho que voc usava. A voc ficou sem falar comigo durante uma semana.  Rob a fitava intensamente. Queria guardar para sempre na memria aqueles momentos.
A conversa continuou animada. Mas Jenny e Rob, como se tivessem feito um trato, s falavam do passado. O presente e o futuro parecia no existir para eles.
Rob, porm, sabia que aquilo tudo iria se acabar. O tempo corria e em breve Jenny estaria indo embora. E nada, nada havia sido resolvido entre os dois.
	Tudo bcrr. com voc, amigo?  Rob perguntou a Tedd.
	Tudo. Adoro esse refrigerante.
	Tem um fliperama ali. No quer jogar um pouco.
	Claro que quero.  O garoto colocou o copo de refrigerante sobre a mesa.  Adoro jogar.
	Ento v at l se divertir um pouco.  Rob entregou algumas moedas ao garoto.
	Rob, no se esquea que eu tambm quero chocolate.
	Eu compro chocolate para voc, pode ficar sossegado.
	Oba!  Tedd gritou feliz.
	Mas voc s vai comer o chocolate depois do jantar. Certo?
	Certo! Agora vou l no fliperama.
Satisfeito, Rob ficou vendo Tedd se afastar. Do local onde se encontrava, poderia continuar observando o garoto.
Quando voltou-se para Jenny, Rob percebeu que ela havia ficado muito tensa. E ele tambm percebeu que no tinha tempo a perder:
	Ontem  noite Lissa confirmou algo muito importante para mim.
	 mesmo? E... e o que foi?
	Ela me confirmou que voc sempre quis se casar comigo.
Jenny sentiu como se lhe acertassem um soco no estmago.
O sonho tinha acabado. Durante a ltima hora ela ficara fingindo, fingindo que nada havia mudado entre Rob e ela. Fingindo que o casamento no sbado seria entre os dois. Imaginando que logo poderiam estar ali naquele mesmo restaurante almoando com um garotinho, fruto do amor que os unia. Mas o sonho tinha acabado e se transformado na dura realidade que Jenny temia no suportar. Ela estava cansada de lutar, cansada de mentir. Mesmo assim precisava encontrar foras e continuar com aquela farsa:
	E quem disse que conto tudo  Lissa? Como voc v, no
se pode confiar muito nas pessoas...
	Ela s estava querendo ajudar.
	No tenho a menor dvida.  O tom de voz de Jenny se alterou. De repente um cimes descomunal se apoderou dela.  E por mais quanto tempo ela vai continuar lhe ajudando? Pelo jeito a cama  um excelente consolo...
Jenny fez meno de se levantar, mas Rob a segurou pelo brao.
	Se quer saber, depois que voc saiu, Lissa e eu ficamos apenas conversando. Admito que fui l com outras intenes, mas foi impossvel. Voc no sai do meu pensamento.
	Eu... eu no sei o que dizer...
	Ento no diga nada. Apenas oua.
	Acho que no tenho mais nada para ouvir, Rob.
	Tem, tem sim. Acho que tinha razo quando disse que nunca me comprometi com voc. No sei se foi imaturidade, mas sempre achei que iramos terminar juntos. Sei que deveria ter ido mais vezes visit-la enquanto estudava fora. Estava to certo do sentimento que nos unia que acho que acabei me acomodando.
Mas agora mudei, Jenny. Eu amadureci. E quero, preciso, de uma segunda chance.
Emocionada, Jenny ouvia as palavras de Rob. Ele se culpava, sentia-se responsvel pela separao. Como ele estava enganado... Se soubesse da verdade....
	Por favor, Jenny, me d essa segunda chance. Prometo fazer de voc a mulher mais feliz do mundo.
	Eu gostaria...  ela comeou a falar, mas sua voz estava muito embargada.  Eu gostaria de poder lhe dar uma segunda chance, Rob. Faria qualquer coisa, qualquer sacrifcio para lhe dar essa segunda chance. Mas, acredite,  impossvel.
Rob estava certo que a sua falta de maturidade era a responsvel por aquela situao e quase entrou em pnico.
	Por favor, Jenny, no diga uma coisa dessas. Qualquer coisa  possvel desde que queiramos! A nica coisa que tem a
fazer  dizer que me d essa segunda chance. Se fizer isso, pode ficar tranquila que do Jack eu cuido.
Jenny comeou a tremer. Queria muito dizer a Rob que ficaria com ele. Mas no podia. Como? Como sair daquela situao? Uma voz autoritria se fez ouvir. Era Jack.
	At que enfim encontrei voc! J estava cansado de procur-la. E me diga: o que est fazendo aqui com Rob? E o que contou a ele?
	Ns nos encontramos acidentalmente. E eu no contei nada a ele.
	Otimo. Vamos embora! Voc fez um trato comigo, querida.
Se quebr-lo ter que aguentar as consequncias.
Ao ouvir aquilo, Rob se levantou.
	Sobre o qu esse homem est falando, Jenny?
	Cuide da sua vida!  Jack soltou uma baforada de fumaa no rosto de Rob.
Rob teve muita vontade de agredir Jack, mas se controlou.
	O que est acontecendo, Jenny? Me diga, por favor!
	No faa isso comigo, Rob   ela pediu.
	No faa voc isso comigo! No faa isso conoscol
Desesperada, Jenny no sabia como agir. Seria fcil acabar com aquela farsa. Mas e depois? O que aconteceria?
	No existe mais nada entre a gente, Rob.
	Mas  claro que existe!
	Acho que a sua famlia no lhe ensinou a nossa lngua direito  Jack disse com desprezo.
Aquela foi a gota d'gua. Rob mais uma vez estava sendo discriminado por ser descendente de mexicanos. Ele deu um passo para a frente e agarrou Jack pelo colarinho. No instante em que ia desferir-lhe um soco do rosto, seu brao foi seguro por mos fortes. Era Travis, o guarda-costas de Jack.
	Por favor, sr. Emory. Sente-se e deixe meu patro ir embora com a srta. Jenny. Caso resolva continuar com essa briga, garanto que vai se arrepender.
Rob s no continuou a briga quando percebeu que Travis estava armado. Mesmo assim no podia desistir da mulher amada:
	Jenny...
Ela balanou a cabea e disse:
	Entenda, Rob. No existe mais nada entre ns dois. Vou me casar com Jack e nada vai fazer com que eu mude a minha deciso. Nada. Eu me caso com ele e em troca recebo segurana.
Foi esse, foi esse o trato que fiz com Jack. E a escolha foi minha.
Ningum me forou. Sinto muito que seu ego no o deixe aceitar a situao. Quando crescer mais um pouco, vai entender a minha atitude.
Irado e muito mais confuso do que antes do encontro, Rob ficou olhando os trs se afastarem. Ser que ele estava mesmo com um srio problema de auto-afirmao, ou Jenny estaria sendo obrigada a se casar com Jack? E mesmo se ela estivesse sendo obrigada a se casar, o que ele poderia fazer? Jenny se negava a ser ajudada.
	Quem eram aqueles homens?
Rob olhou para baixo e deparou-se com o rostinho assustado de Tedd.
	Ningum importante  Rob tentou suavizar a situao.
	Mas Jenny estava dizendo que vai se casar com o baixinho.
Rob riu da descrio que Tedd fez de Jack.
	Mas perto de Travis qualquer um vira baixinho.
	No sei... Voc no fica baixinho.
	Mas Jack  mais alto do que Jenny.
	 Jack o nome do baixinho?
	. Jack Keel.
	Pois ento... Voc  muito mais alto que ele.
Rob sentou-se e resolveu mudar de assunto:
	Como foi o jogo?
	Foi bom. Mas voc gosta dela, no gosta?  Tedd insistiu.
	Gosto.
O garoto deu um sorriso carinhoso para Rob e o consolou:
	No ligue... Mame e Jlio viviam brigando... Assim... do jeito que voc estava brigando com Jenny. E os dois acabaram se casando. Eles se amam muito.
	Pois , amigo... s vezes as histrias de amor acabam de maneira feliz, s vezes no. Vamos, sente-se.
	Sabe de uma coisa, Rob?  Tedd sentou-se.
	O qu?
	S gosto de histrias com finais felizes.
	Eu tambm  Rob confessou.
	Quando  que a minha me vai voltar? Ela sempre me telefona, mas estou com muita saudades.
	Voc sabe que ela volta no sbado, Tedd. E s faltam cinco dias.
Cinco dias... Tambm faltavam cinco dias para o casamento de Jenny. Com muito esforo, Rob afastou o pensamento da cabea. Tedd estava precisando de apoio.
	Tedd, deve saber que meu irmo e sua me adoram voc.
Acontece que agora os dois esto precisando ficar um tempo juntos para se conhecerem melhor. D para entender?
	Mais ou menos.
Rob decidiu no continuar com aquela conversa pois o garoto parecia to deprimido quanto ele. Tedd s iria se sentir melhor quanto a me voltasse. No entanto, existia uma maneira de deix-lo um pouco menos infeliz.
	Tenho uma ideia  Rob disse.
	E qual  ela?
	Que tal esquecermos o chocolate e no lugar dele comprar mos um belo sorvete?
	Eu quero o meu de morango com nozes por cima.
	Combinado.
	Vamos, ento?
	Calma, garoto. Primeiro tenho que pagar a conta.
Aquele tinha sido um dia longo demais para Rob. Depois do sorvete, Tedd quis conhecer o zoolgico da cidade e em seguida decidiu que queria ir at um parque de diverso. Rob fez todas as vontades do garoto. Andar de um lado para o outro era uma maneira de fugir, de esquecer um pouco de Jenny.
Ao chegar na fazenda ele precisara resolver um problema com urgncia e agora, enquanto voltava para casa, percebia que sua situao com Jenny continuava a mesma. De nada adiantara ter arquitetado o encontro em San Antnio: Jenny se mostrava irre- dutvel.
Rob parou junto a uma cerca e ficou olhando o cu. De repente ouviu muitas risadas vindas do alojamento dos empregados e decidiu ir at l. Quem sabe no encontraria Will? O rapaz parecia que no estava disposto a cumprir as ordens que lhe eram dadas.
Ao entrar no alojamento, Rob viu vrios homens jogando baralho. Will, porm, no se encontrava l.
	Algum aqui viu Will? Estou precisando muito conversar com ele.
Ningum respondeu  pergunta. Rob tornou a perguntar:
	Estou querendo saber onde encontrar Will! Ser que no me ouviram?
Larry Truman coou o rosto e sem olhar para Rob, disse:
	Ouvi dizer que um peo aqui da fazenda andou passeando hoje por San Antnio.
	 mesmo?  A voz grave de Dave Applegate ecoou pelo alojamento.  O que ser que um peo daqui foi fazer em San Antnio?
	Me parece que ele estava caando uma potranca que j tem dono.
Rob teve vontade de se jogar contra os dois homens e esmurr-los. Mas no faria isso. Iria se controlar. Mais uma vez naquele dia precisaria se controlar.
	Pelo jeito vocs dois esto andando muito com Will. E, como pessoas sem a menor criatividade, resolveram imit-lo. Vocs s servem mesmo para cuidar de gado. E olhe l!
O alojamento ficou no maior silncio. Ningum ousou encarar Rob, muitos menos retrucar-lhe as palavras.
	Bem, senhores, digam a Will que eu quero falar com ele.
Estamos entendidos?
Rob deixou o alojamento e foi para casa. Ao abrir a porta deparou-se com Tedd em frente  televiso com um pacote de balas nas mos.
	Ser que j no comeu muito doce por hoje?
	Por que voc est bravo?  Tedd olhou espantado para Rob.
	 isso mesmo: por que est to nervoso, filho?  Nilda, a me de Rob, que tambm estava na sala perguntou.
	Estou nervoso mesmo.  Rob colocou o chapu atrs da porta. E aproveitou para contar tudo  me:  Hoje me encontrei
com Jenny em San Antnio e almoamos juntos. Os empregados resolveram brincar comigo por causa disso. S queria saber como eles ficaram sabendo.
	Eu contei.
Rob olhou surpreso para Tedd. O garoto levantou-se e se aproximou-se de Rob.  Sinto muito, no sabia que no podia contar.
Dando um forte abrao no garoto, Rob sentiu que toda sua raiva ia embora
	No se preocupe, amigo, at que no me importei muito com as brincadeiras deles.
	Tem certeza?
	Claro, Tedd: certeza absoluta.
	Ento vou continuar vendo o filme.
	V, v sim.  Rob sentou-se em uma cadeira.
	Seu jantar est quente, filho. Posso servi-lo?  Nilda ofereceu.
	Pode sim, me. E me desculpe pelo atraso.
Rob comeou a comer automaticamente, no prestando a menor ateno ao alimento que levava  boca. A me havia se sentado diante dele e ficado em silncio. Na certa ela queria conversar, mas Rob no sabia se tinha condies emocionais para isso. Mesmo assim, Rob aprumou-se na cadeira e tentou mostrar uma tranquilidade que estava longe de sentir.
Nilda fingia estar prestando ateno no filme. Ela era uma mulher morena, de cabelos pretos e dirigia aquela casa como ningum. Quando o pai de Jlio, Ed Tanner, ganhara a Dois Diamantes num jogo de pquer, Nilda era apenas uma empregada da fazenda.
Apesar de j estar noivo de outra mulher, Ed Tanner se apaixonou por Nilda e a engravidou. Mesmo assim Ed se casou com a noiva e designou Ben Emory, um empregado de confiana, para casar-se com Nilda. Ben Emory foi o nico pai que Jlio conheceu e de maneira alguma quis conhecer ou ouvir falar do outro. Isso at a secretria de Ed, Maggie Brolin, ter vindo  fazenda com uma fita onde estava gravada o testamento do re-cm-falecido patro.
Hoje, Nilda Vasquez Emory, era uma mulher rica. Alm da casa da fazenda, o testamento de Ed lhe deixara os direitos autorais de todas os livros de mistrio que havia escrito.
	Filho, por que no vai dormir? Voc me parece muito cansado.
Rob se assustou. Seu cansao era tanto que aps terminar o jantar, quase havia dormido sentado.
Mas se voc quiser conversar, eu estou aqui.
Por alguns instantes Rob desejou ser de novo criana. Mas ele no era mais uma criana e no havia nada que a me pudesse fazer.
	Estou preocupado.
	Eu sei disso, filho.
	Me, no consigo entender o comportamento de Jenny. Por que ser que ela vai se casar com Jack?
	Voc j conversou com ela?
	Claro que sim. S que no acredito no que ela me diz.  E Rob contou  me tudo o que estava acontecendo.
	V conversar com Tate. Se ela contou essa histria toda a algum, foi para Tate. Jenny adora o pai.
	Tambm j tinha pensado nisso. E quando estive na casa de Jenny outro dia  noite, tive a ntida sensao que Tate est do meu lado. Mas ele parece que tambm no entende a situao.
Tenho certeza que se soubesse de alguma coisa, teria me dito para que eu acabasse com esse casamento.  Rob bocejou e continuou:  Mas no deve estar acontecendo nada de especial.
Ela s quer mesmo se casar com aquele crpula.
	Voc a ama?
Dividido entre a verdade e o orgulho, Rob hesitou. Nilda riu da reao do filho e falou:
	Se voc a ama, se realmente a ama, lute por Jenny. Deixe o orgulho de lado e lute. Mesmo que sua lute seja em vo, lute.
Se no lutar, vai acabar se arrependendo. No podemos nos envergonhar dos nossos sentimentos.  Devagar, Nilda se levantou.
Rob ficou olhando os gestos lentos da me. Ela parecia ter toda a experincia do mundo. Num mpeto de admirao e ternura, Rob foi abra-la.
	Voc sabe tudo sobre a vida, no ?
	Sobre o que voc est falando?
	Nada de importante.  Ele beijou o rosto moreno. Agora eu vou dormir.
Quando ele se afastava, Nilda o chamou:
	Roberto?
Rob sorriu e se voltou. S a me o chamava daquela maneira.
Nilda, meio indecisa, mordia os lbios. Ele nunca a vira daquele jeito.
- Existem mil motivos que levam uma mulher a se casar com um homem  ela finalmente disse.  Pense bem se voc considerou direito cada um desses motivos.
Aps dizer essa palavras, Nilda foi para a cozinha. Rob ficou confuso. Quis ir atrs da me, mas o cansao o impediu.       
Na cama, quase dormindo, ele se perguntava o que a me quisera realmente lhe dizer?
 Amanh... Amanh eu pergunto a ela. Amanh talvez tambm v procurar Tate... S sei que vou continuar lutando por Jenny.

Capitulo V

Rob levantou naquela manh muito mal-humorado. Tomou um rpido caf da manh e foi procurar Will. Nas proximidades do curral ele encontrou o trailer do empregado. Sem a menor cerimnia, abriu a porta do trailer e gritou:
	Quer dizer ento que resolveu aparecer! Vamos, Will! Acorde! Faz muito tempo que o sol raiou!
	Pare com isso, Rob!  O empregado virou-se e cobriu o rosto com o lenol.
Rob entrou no trailer e teve que pisar sobre vrias roupas sujas que e se encontravam espalhadas pelo cho.
	Vamos, acorde!
	Me deixe, Rob! Quero dormir!
	De jeito nenhum! Vamos, levante!
	Ser que no d pra ver que estou doente?  Will perguntou indignado.
	Doente?  Rob deu uma sonora gargalhada.  Eu tambm ficaria muito doente se passasse dois dias bbado! Acabou de bater os seu novo recorde!
	Bem, eu no bebi o tempo todo.  O empregado deu um leve sorriso. - A loirinha finalmente disse sim.
	No quero saber de bebida e nem das suas conquistas!
Quero que se levante: j! Voc tem muito servio pra fazer! No  porque meu irmo est viajando que voc entrou de frias!
Will fez um grande esforo para sentar-se, mas no conseguiu.
	Me d algumas horas, Rob.
	J lhe dei muito mais que algumas horas. E a barragem ainda est l para ser refeita.
	No daria pra voc fazer o servio por mim?
	Eu? Fazer o servio por voc? Por que diabos eu faria isso?
	Porque voc  meu amigo. J ajudei voc uma vez, lembra-se?
Rob, olhando o estado deplorvel de Will, viu que ele no seria capaz de fazer uma caf, quanto mais arrumar uma barragem. E, o que o empregado acabara de dizer, era verdade. Embora j fizesse muito tempo, uma vez ele realmente o ajudara.
	Por favor,-Rob, faa o servio por mim. No tenho a menor condio de sair desta cama hoje.
	Tudo bem, Will. Tudo bem. Mas  a ltima vez que ajudo voc!
Sem esperar mais, Rob saiu do trailer e quase caiu ao tropear em duas garrafas vazias que Will deixara jogadas no cho.
Do trailer, Rob foi direto para casa e trocou de roupa. Depois de preparar alguns sanduches, pegou o material que iria usar no trabalho, colocou-os na caminhonete e sentou-se ao volante.
Precisava fazer alguma coisa para que Will comeasse a se comportar com responsabilidade. A cada dia que passava o empregado ficava pior.
	Deveria ter tirado ele da cama! Will no pode continuar desse jeito!  Rob estava com muita raiva.
Porm, enquanto se encaminhava para a barragem, a raiva que sentia por Will foi diminuindo e seus pensamentos se voltaram para Jenny.
	Jenny! Sempre Jenny!  Ele deu um soco no banco da caminhonete.  Por qu? Por que ser que ela est fazendo isso comigo?
O confronto que tivera com Jenny no restaurante o deixara profundamente perturbado. Depois que havia se deitado, um sono profundo o levara para sonhos violentos onde esmurrava no s Jack, mas Travis tambm.
Rob acordou uma hora depois e no conseguiu dormir mais. Por mais que pensasse, por mais que analisasse as hipteses,
nada o fazia compreender o que poderia estar se passando entre Jenny e Jack: Se no fosse Travis que sempre se mantinha a postos ao lado do patro, Rob teria ido de madrugada conversar com Jack. S Jack poderia lhe dizer a verdade. Mas Travis andava armado, e no se podia brincar com um homem armado. S lhe restava ento Jenny e Tate.
Mas Jenny, por alguma razo muito especial, estava arredia e nunca iria lhe contar a verdade.
 Com Tate eu posso tentar mais tarde... Isso se conseguir falar com ele a ss... Jenny raramente deixa o pai sozinho.
Quando Rob se aproximava do riacho que dava origem  barragem, ele mal pde acreditar no que via. Fechou e abriu os olhos vrias vezes, como se assim pudesse afastar a imagem que tinha diante de si. De nada adiantou. Jenny continuava l, de biquini, brincando nas guas lmpidas do riacho.
Jenny que acabara de ouvir o barulho da caminhonete, levou uma das mos ao olhos para proteg-los do sol.
Rob no podia ver-lhe a expresso, mas tinha certeza que ela refletia medo, apreenso e incerteza. Afinal o que acontecera no restaurante no dia anterior no fora nada amigvel.
Mas Rob no queria brigar com Jenny. De agora em diante as coisa seriam diferentes. Ele no queria mais confrontos. S que Jenny no sabia disso e essa mudana de atitude certamente ria surpreend-la. J que Jenny recusava-se a falar sobre os seus verdadeiros sentimentos, ele faria isso. Conversaria sobre o que lhe ia dentro do corao, sobre o passado, sobre os momentos felizes que tinham vivido juntos. Rob s no sabia se isso iria mudar alguma coisa, mesmo assim correria o risco. O velho Rob que Jenny conhecia, seria incapaz disso. Mas o novo Rob no se amedrontaria. Ele s estava iniciando uma grande luta, uma luta verdadeira pelo amor de Jenny.
A medida que ia se aproximando do riacho, o medo de Rob aumentava. Ele ento diminuiu a velocidade da caminhonete. Ela continuava l: protegendo os olhos com a mo espalmada.
A vontade de Rob era de parar a caminhonete e descer correndo aquele declive que levava ao riacho. L chegando, tomaria Jenny nos braos e a amaria como nunca a amara antes. Mas ele no podia dar vazo  sua vontade, ao desejo que o consumia. Se tomasse alguma atitude precipitada, corria o risco de ser odiado por Jenny para sempre. E Rob no queria o dio dela; queria seu amor, toda a ternura que um dia lhe pertencera.
Quantas e quantas vezes os dois tinham ficado ali s margens daquele riacho que dividia a Fazenda Landon com a Dois Diamantes? Inmeras... Mas a situao era totalmente diferente. Eles eram bem mais jovens, tinham muitos sonhos e no existia um crpula chamado Jack Keel.
Ao lembra-se da arrogncia, da prepotncia de Jack, Rob sentiu muito dio. Mas dio era um sentimento que precisava afastar de si; pelo menos naquele momento. Tinha que estar muito tranquilo para a conversa que pretendia ter com Jenny. O encontro ali s margens do riacho fora um presente dos cus, uma oportunidade nica que no poderia ser desperdiada.
Rob estacionou a caminhonete ao lado do jeep de Jenny e desceu.
	Bom dia, Jenny. O que est fazendo por aqui?
Jenny sentia que o olhar atento de Rob a queimava. Como responder quela pergunta? Como dizer a Rob que sara para passear um pouco por causa do imenso desespero que a invadira? Como dizer a Rob que era o conforto de seus braos e de suas palavras amigas o que tanto necessitava? Se Rob soubesse que ela cada dia dormia menos, que cada dia sua tenso aumentava mais e mais, talvez ele compreendesse. Talvez ele compreendesse a agonia que era saber que o momento se aproximava. Depois do casamento, nunca mais iria poder v-lo. Iria perd-lo para sempre.
Ao acordar naquela manh, Jenny pensou que iria enlouquecer. Colocara o biquini e fora tomar um pouco de sol ao lado de sua casa. Mas a angstia crescia, crescia... Num mpeto, subira no jeep e sara pelos campos, talvez  procura de si mesma. Foi ento que passou pelo riacho e tinha resolvido parar um pouco. A gua lhe fizera um efeito muito benfico. Havia ficado bem mais apaziguada.
	Voc tem martelo e prego a na caminhonete?  O pedido talvez desviasse a ateno de Rob da pergunta que lhe fizera.
	Tenho, sim  ele respondeu.
	Estou com vontade de arrumar aquela cerca l adiante. Se meu pai encontr-la cada, vai querer arrum-la e ele no est podendo fazer esforo.
	E ele? Como est?
	Mais ou menos...
	Tate vai melhorar, Jenny. Tenha confiana.
	Eu tenho. Rezo muito para que isso acontea.  Jenny saiu de dentro do riacho.
Rob, fascinado, se aproximou.
	Jenny, qualquer coisa que seu pai precisar,  s ligar pra gente. Somos vizinhos h muito tempo e teremos prazer em ajud-lo.
	Eu sei disso, Rob. Mas meu pai insiste em se comportar como se fosse um homem de vinte anos.
	Quer ir at a caminhonete pegar o material para consertar mos a cerca?
	Posso fazer isso sozinha, Jack.
	Sei que pode. Mesmo assim quero ajud-la.
Os dois se encaminharam at a caminhonete, pegaram o material que precisavam e foram arrumar a cerca.
No incio um pesado silncio pairava sobre ambos. Mas depois, aos poucos, eles se descontraram. Ao terminar de bater o ltimo prego, Rob perguntou:
	Estava indo arrumar a barragem. No quer ir at l comigo? Voc pode me dar uma mozinha.
	Claro que sim. Depois desse trabalho todo que teve com a cerca...
	Se no quiser, no precisa ir.
	Mas eu quero ir, Rob. Passei tanto tempo longe daqui. Est sendo um imenso prazer para mim lembrar de como eu trabalhava no passado. Adoro esses pequenos servios. Adoro o campo.
A vontade de Rob foi perguntar: "Se adora o campo, por que vai morar em Houston? Por que vai largar uma carreira que ainda nem iniciou? Por que vai deixar seu pai, seus amigos e a mim, para se casar com um homem como Jack Keel?"
Rob, porm, no fez nenhuma dessas perguntas que queimavam-lhe o peito. Apenas disse:
	Ento vamos para a barragem.
Antes de seguirem para a barragem, eles passaram pela caminhonete e pegaram o material que iriam necessitar. Rob fazia de tudo para se controlar. A atrao que sentia por Jenny era grande
demais.
Ela tambm tinha muita vontade de abra-lo e beij-lo. O destino era mesmo muito cruel. Nunca na vida se interessara por outro homem, nunca na vida imaginara beijar outros lbios que no fossem os de Rob. E agora... Agora era obrigada a se casar com Jack. E tambm seria obrigada a se entregar a ele. Jenny sentiu os olhos se encherem de lgrimas.
	Algo errado?  Rob perguntou.
	No. E s a poeira...
	Pensei que estivesse chorando.
	H muito tempo eu no choro  ela mentiu.
"Pois hoje de madrugada eu chorei muito", ele quis dizer. Mas se acovardou no ltimo instante. E soube que naquele momento, o homem que caminhava ao lado de Jenny em direo  barragem era o velho Rob; aquele que tinha uma dificuldade imensa em falar sobre os prprios sentimentos.
Ao chegarem  barragem, os dois logo comearam a trabalhar. No era a primeira vez que Rob e Jenny executavam juntos aquele servio.
	Lembra da ltima fez que fizemos isso?  ela perguntou sorrindo.
	Lembro. Quando estava pronta, a gua destruiu tudo.
	Mas daquela vez a gua estava bem mais alta do que hoje.
	 verdade... Sabe do que acabei de me lembrar?  Rob sorriu para Jenny.
	Do qu?

	Da primeira vez que voc ajudou um potro nascer.
	Foi exatamente naquele dia que resolvi ser veterinria.
	Foi, sim. E eu fiquei todo orgulhoso de voc.
	Meu pai tambm  Jenny se apressou em dizer.  O potro era lindo.
	Voc cuidou dele muito bem.
	Tambm no precisa exagerar, Rob.
	No  exagero, no. Voc sabe que estou dizendo a verdade.
Jenny ficou quieta e lembrou-se o que acontecera depois do nascimento do potro. Antes de ir embora, Rob a beijara com imensa paixo e lhe contara do orgulho que sentira ao v-la trabalhando. Jenny ento lhe prometera que um dia iria ser a melhor veterinria da regio.
	Sei disso  Rob havia lhe dito.  Tudo o que resolve fazer, voc faz muito bem feito.
Sonhos.. Tudo no passara de sonhos de uma adolescente crdula. A realidade, a vida, era muito diferente. A vida armava ciladas que Jenny nunca sequer chegara a imaginar. Sim ela se tornara uma veterinria, mas para qu? Para cuidar de uma casa em Houston? Para ter filhos do homem que no amava? A vida era cruel demais, ela conclui em pensamento.
	J j terminamos  ela observou, enxugando o suor que lhe escorria pela testa.
	Se Deus quiser. E desta vez lhe garanto que ela no vai cair.
	No vai mesmo  Jenny afirmou.  Mas por que voc teve que vir arrumar esta barragem?
	Will ia fazer isso, mas ele est meio doente.
	Will? Doente? O que ele tem?
	Nada srio.
	Otimo. Espero que a gripe dele passe logo.
	E quem falou em gripe?
	Mas eu pensei...
	Pensou errado, Jenny.  Rob sorriu.  Ele resolveu beber alm da conta.
	Ah... ento  isso? Will no toma jeito mesmo. Quando  que ele vai descobrir que j  um homem? Will continua se comportando como um adolescente. Ele continua colecionando mulheres?
	Acho que sim.
	Bem, um dia ele aprende. A vida vai ensinar a Will a ser mais responsvel.
	Voc tem toda razo.  Rob agora sabia o que a vida podia fazer a um ser humano.
Mais cinco minutos se passaram.
	Pronto! Acabamos  ele disse feliz.  Agora podemos almoar.
Almoar? De novo? Ser que tudo iria recomear?, Jenny se perguntou.
Rob, que havia tirado a a camisa, lavou-se na gua da barragem. Jenny seguiu-lhe os gestos e teve vontade de toc-lo. Queria pela ltima vez acariciar o corpo de Rob. No, no podia. Se ela o tocasse talvez se arrependesse para sempre. Se ela o tocasse jamais encontraria foras para continuar seguindo o seu destino.
Rob se aproximou de Jenny e acariciou-lhe o rosto de leve. Durante toda a manh ficara observando-a. Jenny continuava linda, com um corpo invejvel. Magra, um metro e setenta de altura e seios fartos. Quem a visse poderia jurar que ela passava o dia inteiro se exercitando dentro de uma academia. Mas Jenny nunca tinha entrado em uma academia. Seus msculos fortes tinham se desenvolvido no trabalho do campo. E mesmo aps quatro anos longe dali, seu corpo de mantinha perfeito.
Jenny, de uma maneira ou de outra, j esperava por aquela tentativa de aproximao. A carcia de Rob fora delicada. E ele no se afastara. Continuava ali, olhando para ela com aqueles olhos magnficos. Olhos que agora estavam mais tristes, mais taciturnos.
Jenny quis retribuir o carinho, mas se conteve.
De repente, Rob se afastou levando para a caminhonete o material usado no conserto da barragem.
Jenny ficou parada olhando Rob se afastar. Depois, lentamente o seguiu e s parou ao lado do riacho, perto de onde deixara o jeep.
Instantes depois Rob voltava com um embrulho e uma garrafa de refrigerante.
	Aqui est o nosso almoo.  Ele ergueu os braos.
	 sanduche que voc tem a?  Jenny quis saber.
	Sanduche de atum com salada e maionese.
	 o meu preferido.
	O meu tambm.  Rob sentou-se ao lado do riacho e abriu o embrulho.  S que no sei se esto muitos bons. Fui eu mesmo que fiz antes de sair de casa.
	Devem estar excelentes. Voc  especialista em sanduches.
Era sempre a mesma coisa. Detalhes, pequenos detalhes de um passado compartilhado juntos. Uma hora era o nascimento do potro, agora era o sanduche... Como Jenny podia estar querendo se afastar de tudo aquilo?, Rob se perguntava. Esse tipo de intimidade, de cumplicidade, ela com toda certeza no tinha com Jack Keel. E que tipo de intimidade Jenny teria com Jack? Rob achou melhor esquecer essa pergunta. Por que se martirizar? Por que ficar fazendo conjecturas? Tinha que ser objetivo: precisava arrumar uma maneira de Jenny confiar nele; nem que fosse como amigo. H pouco ele quase a beijara, mas desistira no ltimo momento. No queria v-la partir depois. Queria que Jenny ficasse com ele para sempre.
	Vai pegar o seu sanduche ou no?  ele perguntou.
	Claro que vou. Estou morrendo de fome.
	Sinta-se  vontade.
Jenny pegou um dos sanduches e comeou a com-lo.
	Est delicioso.
	Pra lhe dizer verdade: tambm acho. Sou mesmo um especialista em sanduches.
Jenny riu e continuou comendo.
	Ns dois hoje trabalhamos muito: consertar uma cerca e uma barragem no  brincadeira.
	Consertar barreiras  muito mais difcil.
	 verdade. Mas voc trabalha muito bem.
.  Meu pai foi um excelente professor.
Tanto Rob quanto Jenny sabiam que estavam procurando qualquer assunto para que pudessem ficar sem abordar o que tanto temiam. Mas aquilo tudo era intil. Havia desejo, havia ternura, havia bem-querer no ar. E no podiam lutar contra isso.
Rob terminou o sanduche e foi deitar-se no gramado sob a sombra de uma rvore. Quando viu que Jenny tambm havia terminado de comer, ele pediu:
	Deite-se aqui comigo.
	No podemos, Rob.
	Podemos, podemos sim. Quero apenas que se deite aqui comigo, nada mais...
Jenny foi at o riacho e lavou as mos. Depois se aproximou de Rob.   Venha, deite-se aqui.  Ele ofereceu-lhe o ombro.
Jenny deitou-se e Rob a abraou.
No, ele no iria toc-la. Para qu? S queria ficar ali junto dela e esquecer que o resto do mundo existia. Queria esquecer o casamento, o sofrimento atroz que o consumia. Naquele momento s existiam os dois.
Abraados, Rob e Jenny no pronunciaram uma palavra sequer.
O tempo passou e Jenny adormeceu. Mas Rob permaneceu acordado. Desde que ela lhe dera aquele telefonema, era a primeira vez que se sentia vivo.
Jenny abriu os olhos sem entender o que estava acontecendo, nem onde estava. Depois de alguns segundos ela deu-se conta que se encontrava perto do riacho.
A copa da rvore j no brilhava tanto e o sol j estava quase se pondo. Lembrava-se de ter comido o sanduche e depois ter ido se aconchegar nos braos de Rob. Mais nada. Na certa passara horas dormindo.
Ao sentar-se, viu Rob se lavando no riacho e sentiu um tremor. A gua, um pouco acima da cintura, deixava-lhe o trax  mostra. Rob, com aquele pele morena e os cabelos negros, mais parecia um ndio executando algum ritual de celebrao. Ele parecia tambm um ator de cinema executando uma cena profundamente sensual.
Mas ele no era nem um ator, nem um ndio. Rob era um homem comum; o homem que ela sonhara receber em casa todas as noites aps um rduo dia de trabalho. E esse sonho poderia ter se realizado se no fosse Jack Keel.
Rob virou-se e viu que estava sendo observado. Uma dor profunda se apoderou dele. Mas Rob disfarou. Deu um largo sorriso e gritou:
	E a dorminhoca? Resolveu acordar?
	J era tempo!
Rob saiu do riacho e foi para junto dela.
	Quer dizer ento que ficou esse tempo todo me vendo dormir?
	E isso  pecado?
	No, acho que no  ela respondeu sem jeito.
	E no  a primeira vez que fico velando o seu sono.   A primeira vez foi quando fizemos aquele passeio no parque, lembra-se?
Claro que sim. Quando acordei trocamos o nosso primeiro beijo...
Jenny logo se arrependeu do comentrio que fizera. Mas agora j era tarde, no dava mais para voltar atrs.
	E voc gostou?
	Muito. Nunca tinha sido beijada antes.
	Isso voc nunca tinha me contado.  Rob se ajoelhou ao lado dela.
Jenny no gostou daquela observao.
	O que voc est pensando, Rob?  Ela de repente tinha ficado com muita raiva.  Eu era tmida, desajeitada e nunca tinha tido um encontro na minha vida! Quem voc achou que tivesse me beijado antes?
	No sei... Mas voc no era desajeitada, Jenny. Sempre foi uma garota linda e muito elegante.
	Pare de mentir, Rob!  Jenny cruzou os braos.   No gosto que me tratem com indulgncia!  O complexo de inferioridade que sempre a perseguira e contra o qual sempre lutara, parecia ter vindo todo  tona.
Rob, mesmo estranhando aquela reao, voltou a repetir:
	Voc sempre foi linda e muito elegante.
	Ta uma coisa que jamais vou acreditar. Naquele dia voc me convidou para sair porque sempre teve pena de mim.
	Eu? Pena de voc? A senhora est redondamente enganada, mocinha.
	Voc est falando a verdade, Rob?
	Estou. Estou, sim. Queria muito convid-la para sair, mas me sentia superintimidado.
	E mesmo?
	Pode acreditar.
	Nunca vou me esquecer daquele passeio. Foi a primeira vez na vida que me senti atrada por algum.
	Tambm nunca vou me esquecer daquele passeio, Jenny.
	Mas garanto que no se lembra da cor do vestido que eu usava  ela o desafiou.
	Espere um pouco.  Rob se levantou e foi apanhar uma flor. Quando voltou ele disse:  O vestido que voc usava era exatamente desta cor. Fiquei um tempo dentro do riacho olhando para ela e lembrando-me do seu vestido. Agora voc acredita que nunca foi desajeitada?
Jenny no respondeu, tamanha era a emoo que sentia. Rob continuou:
	Sabe por que nunca vou me esquecer daquele passeio?
Porque foi l que descobri o quanto desejava voc.
	E por que me deixou ir estudar fora sem me dizer nada?
	Porque eu sempre fui tmido.
	Voc? Tmido?
 Parece mentira, mas eu sou muito tmido.
	E essa timidez lhe impediu de ficar sem se comunicar comigo durante dois anos?
	Para voc ver...
	Quando fui fazer o colegial fora, cheguei a namorar outros garotos. Minha companheira de quarto me fazia maquiagem e me emprestava umas roupas diferentes...
	E voc?
 Eu me sentia uma verdadeira palhaa. Mas voc gostou daquele meu novo visual. S voltou a me procurar por causa dele.
	No, eu s voltei a procur-la porque j no suportava mais ficar longe de voc. Aqueles dois anos me deixaram louco.
Rob queria contar mais coisas  Jenny, mas temeu a reao dela. Mesmo assim agora tinha certeza que Jenny se importava com ele. Alguma razo muito sria a impedia de abrir-lhe o corao.
 Eu... eu te amo, Jenny...
Ansioso, Rob esperou ouvir dos lbios de Jenny a mesma frase que tinha acabado de pronunciar. E ela percebeu. Mas Jenny no podia dizer as palavras que Rob queria ouvir. Porm, podia demonstrar-lhe o que sentia. E, embora no pudesse casar-se com Rob, poderia lhe entregar o que sempre havia lhe pertencido.
Devagar, ela comeou a acariciar-le o rosto. Com medo que aquele instante de magia pudesse acabar, Rob no moveu um msculo. Apenas deixou-se acariciar.
E os lbios de Jenny tocaram os lbios de Rob sem pressa. O momento era to delicado, to especial, que Rob sentiu seus olhos se encherem de lgrimas.
O Jenny  ele murmurou baixinho , preciso tanto de voc...
Jenny continuou a beij-lo. Rob, ainda imvel, percebeu que agora era impossvel ficar sem toc-la. E ele a abraou. Segundos depois os dois rolavam pela grama e se entregavam  paixo que os consumia.
Jenny delirava e pela primeira vez permitiu que Rob a tocasse com mais intimidade. Nas vezes que ele a visitara no quarto, Jenny nunca permitira-lhe que ultrapassasse certos limites. Mas agora queria que ele ultrapasse todos, que lhe desse todo o prazer do mundo.
Rob a despiu e em seguida tirou a bermuda que usava. Para Jenny, sentir contra o corpo a nudez de Rob foi algo inusitado. O momento que se entregaria a ele tinha chegado.
Roando-se contra Jenny, ele pediu:
	Diga. Diga que me ama.
Aquelas palavras ditas com tanto fervor a deixaram aniquilada. Seria fcil pronunci-las, muito fcil. Mas se as dissesse, na certa Rob nunca mais iria querer se separar dela. E Jenny precisava continuar livre. Livre para seguir o seu destino.
Fazendo um tremendo esforo para no chorar, Jenny balanou a cabea em negativa.
Aquele gesto, aquele simples gesto, fez Rob sentir-se como se estivesse mergulhando numa piscina de gua gelada. Todo o desejo que sentia desapareceu.
	Ento... ento eu no quero voc  ele disse com muito esforo, fazendo de tudo controlar o desespero.
Rapidamente, Rob vestiu a bermuda e foi para a caminhonete. Jenny continuou deitada, tendo a imensido dos cus como companhia.
Quando a caminhonete desapareceu na estrada, Jenny gritou. E o seu grito parecia o de um animal ferido. Depois comeou a chorar. S lhe restavam as lgrimas como consolo.

Capitulo VI

Rob acordou assustado. No sonho, interrompido >.por um-barulho do lado e fora da casa, Jenny estava feliz nos braos de Jack. Aquele casamento no poderia se realizar. Faltavam apenas trs dias, trs dias para continuar lutando. Mas como? Como mudar o rumo dos acontecimentos? Rob no sabia.
Tudo o que tinha acontecido no dia anterior veio-lhe  mente. Por pouco no tivera Jenny, por pouco no realizara um sonho de muitos anos.
Se tudo tivesse acontecido h alguns dias, teria agido de maneira diferente. Se algum tivesse lhe dito que um dia se recusaria a fazer amor com Jenny, teria rido muito. Era algo inimaginvel. At agora essa lhe parecia uma ideia impossvel. Mas acontecera.
Rob, ainda na cama, num gesto de aflio, passou a mo pela cabea. Por qu? Por que havia se recusado a fazer amor com Jenny? Ele sempre a desejara. Muito.
Mesmo estando profundamente confuso, no foi difcil para Rob encontrar resposta quela indagao. Fora uma deciso repentina que viera do mais profundo do seu ser. A deciso viera de um lugar que nem ele mesmo sabia existir. A parte de Rob que habitava este lugar, no queria a simples posse do corpo de Jenny. No. Essa parte queria muito mais que isso!
Cansado, Rob se levantou. E quase no reconheceu a imagem do homem que o fitava atravs do espelho do banheiro. Aquele homem agia por instinto, por intuio. Para tentar conseguir ficar com Jenny, ele no seguira regras de seduo, no seguira as
receitas to decantadas pelos homens do seu tempo. E o que ele havia conseguido? Nada. At chegara lhe dizer que a amava. E tambm no tinha funcionado. O que mais poderia fazer para que a mulher amada mudasse de atitude?
O toque do telefone o afastou dos pensamentos sombrios. Rob voltou para a cama e atendeu  chamada.
	Al!
	Oi, hermanol Ser que est to feliz quanto eu?
Aquela pergunta o deixou muito abalado, mas Rob disfarou e respondeu sorrindo:
	Quem sabe isso um dia acontea, Jlio. E como est Acapulco?
	Acapulco eu no sei, mas o hotel que nos hospedamos  timo.
Rob riu daquela velha piada e, atravs do telefone, percebeu que Maggie tambm ria.
	Estou feliz que estejam se divertindo. Diga isso  Maggie, por favor.
	Digo, sim. Olha! Maggie est mandando um abrao.
	Eu tambm.
	Hermanol
	Pode falar, Jlio.
	Estou ligando para pedir que mande algum nos apanhar sbado no aeroporto.
A simples meno de sbado fez Rob tremer.
	A que horas voc iro chegar?
	Pela manh. Bem que eu gostaria de ficar aqui mais uma semana, mas...
	Mas o qu?  s ficar, Jlio. Voc merecem essas frias.
	No vai dar. Infelizmente no vai dar.
	Aqui na Dois Diamantes est tudo em ordem. Se quiserem ficar mais um pouco em Acapulco...
	No, obrigado. No sbado estamos de volta. E por falar em sbado... e o casamento? Mudou alguma coisa?
	No, nada.
	Ser que no posso fazer alguma coisa para ajud-lo?  Jlio perguntou preocupado.
Rob ia responder que no existia nada que o irmo pudesse fazer, mas de repente mudou de ideia. Era claro que... Afinal ele agora era outro homem.
	Jlio... Inferno! No sei como lhe dizer o que quero!
	Diga de qualquer maneira, Rob.
	Lembra-se daquilo que me dizia quando herdou a Dois Diamantes?
	Claro que me lembro. Parte da fazenda  sua. Voc tem direito  metade. Maggie e eu falaremos com voc sobre esse assunto assim que chegarmos.
Rob deu um profundo suspiro. Chegara a hora mais difcil do pedido.
	Estou precisando de terra, Jlio. Terra para vender caso eu venha necessitar.
Houve uma pausa. Segundos que deixaram Rob absurdamente tenso.
	Detestaria que isso viesse acontecer, Rob.
	Eu tambm, Jlio. Mas pode ser que...
	Bem, hermano, isso ser uma escolha sua. Assim que tiver as terras, voc poder fazer dela o que quiser. Metade ser minha e de Maggie e a outra metade ser sua.
	Isso no est certo, Jlio! Ed Tanner era seu pai e no meu!
	Mas o seu pai foi o homem que construiu a Dois Diamantes.
Ele e, depois dele, ns dois. E Ben Emory foi o nico pai que conheci. E voc  o meu nico irmo.
As palavras de Jlio deixaram Rob muito emocionado.
	Voc sabe o que est dizendo?
	Mas  claro que sei! Voc merece a metade da fazenda!
nimo, hermano! Por favor, diga a Tedd que telefonaremos na hora do almoo. E no se esquea de mandar algum nos apanhar sbado pela manh no aeroporto.

	Pode ficar tranquilo, no vou esquecer.
 Ento at sbado.
	At sbado, Jlio.
Rob desligou o telefone e ficou pensando em Jlio. Felizmente o irmo voltara a ter f na vida. Depois da tragdia que lhe acontecera, Jlio quase morrera de tanto desgosto. Foram anos de absoluta solido, anos em que Jlio mal conversava com as pessoas. E um dia... Maggie aparecera na vida dele e, depois de muitos desencontros, os dois estavam felizes. E Jlio voltara a sorrir. Rob agradecia a Deus estar vivo para poder presenciar a transformao sofrida pelo irmo.
Mais uma vez os pensamentos de Rob o levaram para Jenny. O que sentia por ela era mais profundo do que jamais imaginara. Por Jenny estava disposto arriscar as duas coisas mais preciosas que tinha na vida: a terra e a crena que Jlio tinha nele. Rob, porm, temia se arriscar em vo, por nada. Mas at o final daquele dia tudo estaria resolvido.
Rob voltou para o banheiro. Enquanto escovava os dentes restos da conversa que tivera com Jlio ecoavam-lhe na mente. O mais surpreendente era que o irmo em nenhum momento pedira detalhes sobre a fazenda, nem sobre os empregados. Para um homem que pensava em trabalho vinte e quatro horas, aquilo era um verdadeiro milagre. Um milagre realizado pelo amor, por Maggie.
Aps um banho e um rpido caf da manh, Rob saiu de casa. Precisava cuidar da vida. Nunca havia decepcionado Jlio e no seria agora que iria comear.
Os empregados da fazenda estavam reunidos perto da cocheira. Rob, aps cumpriment-los, pegou um dos cavalos e montou.
	Vai caar, Rob?  um dos homens perguntou com ironia.
Em outros tempos, Rob teria descido do cavalo para discutir
com o empregado. Mas no desta vez. Aquele tipo de comentrio no o atingia mais. No tinha a menor importncia o que as outras pessoas pensassem a seu respeito. O que lhe interessava eram seus prprios sentimentos, aquilo que lhe ia dentro da alma. "Realmente algo mudou dentro de mim", ele concluiu em pensamento.
	Vai ou no vai caar, Rob?  o empregado insistiu.
De cima do cavalo, aps ajeitar o chapu, Rob respondeu com calma:
	Se quer chamar isso de caa...  Ele sorriu.  Sei o que quero, companheiro, e vou atrs...
Will, que acabara de chegar, se aproximou de Rob e aconselhou:
	Rob, sou seu amigo. Desista, Rob. Voc est estragando a sua vida por causa desta mulher.
	O que significa a palavra amigo para voc, Will? Algum para beber e ir procurar mulheres? Algum para lhe ajudar a mentir, para lhe ajudar a fingir que o tempo no est passando?
Eu cresci, sabia? Espero que isto tambm acontea logo com voc.  Depois, se dirigindo aos outros homens, acrescentou num tom de voz forte:  De hoje em diante tambm dou ordens aqui na fazenda. E quero que todas sejam obedecidas. Se algum no estiver satisfeito pode ir embora. J!  s passar no escritrio e acertar as contas com a secretria.
Os empregados o fitavam espantados.
	Se ningum est a fim de perder o emprego, podem comear a trabalhar.
Um a um, os homens foram se afastando. S Will continuou parado.
	O que est fazendo a, Will? Se quer continuar na Dois Diamantes, mova-se! Ao trabalho tambm!
Will abriu a boca para dizer algo, mas no ltimo momento mudou de ideia. Devagar subiu no cavalo e foi tratar dos seus afazeres.
Depois que todos os empregados haviam desaparecido, Rob saiu a galope em direo  fazenda Landon.
Rob chegou diante da casa de Tate Landon, desceu do cavalo e depois de amarr-lo num tronco de uma rvore, subiu a escada que ia dar na varanda. Diante da porta, ele tirou o chapu e chamou:
	Tate!
Ningum respondeu. Rob voltou a chamar mais duas vezes. Nada. Como a porta estava entreaberta, ele resolveu entrar e logo viu Tate absorto, trabalhando um pedao de couro na mesa da cozinha.
Demorou alguns segundos para que Tate percebesse que tinha visitas. Ao ver Rob, ele sorriu e deixou de lado o instrumento com qual trabalhava no couro.
	No precisa parar por minha causa. Sempre gostei muito de v-lo trabalhar.
	Sinto muito decepcionar voc, filho, mas preciso descansar um pouco os meus olhos.  Tate levantou-se e foi sentar-se numa poltrona da sala onde a iluminao era bem fraca.  Pelo menos terei companhia no meu descanso.
Rob permanecia de p.
	Sente-se, filho. Sente-se.
	Chamei por voc vrias vezes, como ningum respondeu, resolvi entrar.  Rob sentou-se numa poltrona em frente a Tate. 
	Podia ter tentado a janela.
Rob sentiu que seu rosto havia ficado vermelho com o comentrio de Tate que se referia s visitas noturnas que fazia  Jenny.
	No precisa ficar assim to sem jeito, filho. Foi s uma brincadeira. Mas se veio  procura de Jenny, perdeu a viagem.
Ela foi at  cidade fazer alguma coisa para o casamento.
Apesar de ter ficado desapontado com a ausncia de Jenny, Rob sentiu-se encorajado: jamais teria uma oportunidade como aquela para conversar livremente com Tate. Ele pigarreou e disse:
	Acho que o senhor sabe o que sinto por Jenny. Sendo assim, deve imaginar a agonia que estou passando por causa deste casamento. Jenny parece que no gosta de Jack, mas insiste em se casar com ele. A nica razo que ela me deu para continuar com esse absurdo todo  o dinheiro daquele homem. E conhecendo Jenny como conheo, isso no faz o menor sentido para mim.
	Isso  pra deixar qualquer um maluco, filho.  Tate comeou a fazer um cigarro de palha.
	Ser que o senhor no sabe de mais algum detalhe? Jenny no lhe disse nada?
	Se ela tivesse dito, filho, teria telefonado para voc imediatamente. Mas esse mistrio para mim tambm  muito grande.
Rob, com medo de ofender Tate Landon, hesitou. Mas a hesitao foi s momentnea: agora precisava ir at o fim!
	Andei pensando muito, e no cheguei a nenhuma concluso. E sabe qual  a pergunta que mais tem me atormentado?
	Qual ?
- Por qu? Por que de repente Jenny passou a se interessar tanto por dinheiro?  Essa  uma boa pergunta. Tate continuava fazendo o cigarro.
	O que me ocorreu... Bem, o que me ocorreu...
	Vamos, filho. Fale. No faa rodeios! Voc est me deixando nervoso.
	Bem... sei que o senhor ultimamente no tem andado bem de sade e da pensei que...
	J sei: voc quer falar sobre o meu velho corao.  Tate, depois de lamber a palha do cigarro e fech-lo, o levou  boca.
 Quer saber se estou precisando de dinheiro para um transplante ou algo parecido. E isso?
	Exatamente  Rob afirmou.
	Sinto muito desapontar voc, filho. Mas o caminho no  esse. Jenny cansou de pedir ao dr. Hoope para me fazer um transplante.
	E a?  Rob quis saber.
	Acontece que no posso fazer essa operao. Tenho outros problemas de sade que impedem o transplante.
Tate acendeu o cigarro e sorriu satisfeito  primeira tragada.
Vendo a satisfao de Tate com o cigarro na boca, Rob logo percebeu que aquele gesto s estaria precipitando-lhe a morte. Na certa o dr. Hoope no sabia que Tate continuava fumando.
	Talvez se cuidasse desses outros problemas...  Enquanto falava, Rob olhava diretamente para o cigarro.
De repente Tate percebeu que estava fazendo algo errado e, com cumplicidade, mostrou o cigarro a Rob e pediu:
	No conte nada  Jenny sobre isso.  Depois de dar outra tragada, Tate continuou:  E mesmo que tivesse jeito, eu nunca faria um transplante. Quero continuar vivendo exatamente como estou. Alm disso, detesto hospitais e mdicos!
	Mas...
	E quer saber de outra coisa? Eu escolho o jeito que vou morrer!
Rob ficou em silncio. Mas a prxima pergunta a ser feita era bem mais difcil que a anterior.
	Ser que Jenny no estaria preocupada com outras contas?
	De jeito nenhum! Aquela menina sempre soube se cuidar. E cuidar de mim tambm. Jenny  uma pessoa muito correta. Nunca faria uma dvida que no pudesse pagar.
	Bem, se  assim...  Rob inspirou profundamente.  Acontece que no me conformo com essa situao. Se ela tivesse escolhido outro homem qualquer, acho que at eu entenderia. Mas Jack Keel...
	Jack Keel  um imbecil, um burro. Mas o pai dele, no...
Aquele, sim, era um homem decente. Era um amigo que se podia contar para qualquer hora.
	Faz pouco tempo que ele morreu, no faz?
	Faz, sim. E o imbecil do filho dele levou o corpo para ser enterrado em algum lugar l em Houston.  Infeliz, Tate parecia estar em algum lugar do passado.  Estive com Frank no hospital um dia antes de sua morte. Tinha um monte de tubos e agulhas enfiados pelo corpo todo, coitado. E devia estar fora de si. Falava coisas sem sentido. Aquilo s podia  ser o efeito de algum medicamento que deram ao velho Frank. Ele no me reconheceu.
Mesmo assim ficou falando sozinho de coisas que tinham acontecido h muito tempo.
Tate deu outra tragada no cigarro, olhou pra Rob e continuou:
	De jeito nenhum quero que isso acontea comigo. Quero morrer de repente e gozando plenamente as minhas faculdades mentais. E se quer saber, faz tempo que estou pronto para morrer.
A nica coisa que sinto muita pena de deixar aqui  a minha Jenny. Me preocupo muito com aquela menina. Me sentiria um pouco melhor em partir se soubesse que ela ia se casar com voc.
Sempre pensei que mais cedo ou mais tarde isso ia acontecer.
	... eu tambm...
	Mas como dizem: quem  que pode entender as mulheres?
 Tate perguntou com simpatia.  A minha Mary no era apaixonada pelo Parker? Acha que d pra entender uma coisa dessas?
Todo mundo sabia que o Parker era um desqualificado.
Pelo que soube o senhor o botou para fora daqui. E ele nunca mais apareceu por esses lados. E verdade?
Tate ficou um tempo em silncio assoprando o cigarro e depois respondeu devagar:
	Precisava fazer alguma coisa para que ele nunca mais aborrecesse a minha Mary.
	O senhor bem que poderia me contar como fez para que Parker desaparecesse para sempre. Quem sabe tambm no funcionaria com Jack Keel?
O som do motor de um carro interrompeu a conversa. Tate apressou-se em apagar e esconder o cigarro.
	Vou lhe pedir de novo: no fale pra Jenny que me viu fumando. Se disser alguma coisa, ela no vai me dar mais nenhum minuto de paz.
Antes que Rob pudesse dizer alguma coisa, Jenny entrou na sala.
	Oi, papai! O senhor no sabe o que vi na cidade. Estava... Papai! Me diga que no andou fumando de novo!
	Eu no andei fumando de novo  Tate repetiu de maneira sria.
	Papai, o senhor no pode fazer isso. Eu...  Por causa da iluminao fraca da sala, s neste instante Jenny percebeu que tinha algum com seu pai, sentado de costas para a porta.
Um misto de medo, humilhao, raiva e esperana invadiu o corao de Jenny. E ela quis chorar, fugir dali. Quanto tempo mais iria suportar tanto sofrimento?
	No vi a sua caminhonete  ela disse.
	Vim com o Brandy  Rob respondeu.
	E onde voc o amarrou?
	Naquela rvore ao lado da casa.
	Sei...
Rob tinha ficado de p e toda sua ateno se voltava para Jenny.
	Acho que precisamos conversar...
Jenny concordou e, apesar do medo, tambm parecia querer terminar com aquela tortura. Sempre que o via uma outra fenda aparecia na armadura que construra para se defender. Ela sentia que essa armadura que, de um jeito ou de outro, a protegia estava
prestes a se quebrar inteirinha, deixando  mostra toda a sua impotncia, toda a sua fragilidade.
Mas Jenny sabia que no podia deixar que isso acontecesse. O casamento impreterivelmente iria se realizar no sbado. E tudo seria mais fcil se Rob desistisse. Mesmo assim, aquela resistncia toda a comovia e, de uma certa maneira, a confortava.
	Podemos conversar l fora  ela sugeriu.
	timo  ele respondeu.
Tate os olhava em silncio. Nos olhos do amigo Rob pde ver que ele torcia para que tudo desse certo.
Jenny tambm viu o olhar que o pai dirigiu a Rob, e soube que naquele momento precisaria fechar o peito a qualquer indeciso.
	Venha. Vamos l fora.
Jenny saiu de casa com determinao, mas ao voltar-se deparou-se com a fisionomia tensa de Rob. O que fazer? Abra-lo? No, no podia fazer isso. Ao lado do riacho cometera o grande erro de tentar se entregar a ele e aquilo tinha sido um grande engano. S ela sabia como tinha sido difcil voltar para casa. S ela sabia o desespero que havia passado naquela ltima noite.
	Voc no tinha o direito de vir at a minha casa para aborrecer o meu pai  ela disse com frieza. Ele no est bem. Ele...
	Ele est preocupado com voc  Rob completou-lhe a frase.  Muito preocupado.
	Meu pai no tem com o que se preocupar.
	No tem? Mas  claro que ele tem com o que se preocupar. Todos temos. At voc, Jenny. .0 que est acontecendo  algo muito grave. Voc vai estragar a sua vida. E no acredito que seja por causa de dinheiro.
	Eu no vou estragar a minha vida. Serei feliz como nunca foi.
	No acredito nisso. Ningum pode ser feliz com Jack Keel. Ainda mais uma mulher sensvel como voc.
Rob falava num tom baixo, amigo.
	No sou uma mulher sensvel.
	Claro que voc  uma mulher sensvel. A mais sensvel que conheci em toda a minha vida. E por isso est sofrendo muito com esta histria toda.
	Eu no estou sofrendo.
	Est. Est, sim. Posso ver isso nos seus gestos, nos seus olhos, na sua voz.

	Voc est redondamente enganado, Rob. Sou adulta e tracei um caminho para a minha vida. Foi isso que aconteceu.  Jenny no suportava mais tanta mentira, mesmo assim continuou: Serei muito feliz com Jack.
	Se tem tanta certeza disso, por que est tremendo tanto?
	No estou tremendo. E impresso sua.
	E... pode ser...  Rob no acreditou nas palavras de Jenny e colocou-lhe as mos nos ombros. Ela fechou os olhos e foi incapaz de se afastar.
Rob, ento, a abraou com carinho.
	Jenny, sinto muito por tudo o que aconteceu no riacho. O dia que passamos l foi lindo. Trabalhamos juntos, conversamos. E um dia que me lembrarei para sempre. Queria viver o resto da minha vida daquele jeito, sabia? Queria ter filhos com voc...
Filhos que tivessem esse seu rosto lindo, essa sua determinao.
	No fale assim, Rob.
	Mas eu tenho que falar. E o mnimo que posso fazer por mim, por ns. E me perdoe por no ter feito amor com voc.
Acontece, Jenny, que eu queria muito mais. Voc me entende?
	Entendo, eu entendo...
	Oua, Jenny, falei com o meu irmo hoje. Ele vai passar a metade da fazenda para o meu nome. Posso vend-la e fazer
o que bem quiser como dinheiro. Posso sair daqui e...
	Vender a fazenda? Sair daqui?  Ela o fitou espantada.
 Mas no pode fazer isso, Rob. Seria cruel demais. Voc seria muito infeliz longe daqui.
	Seria muito mais infeliz sem voc, acredite.
	No! Jamais deixarei que isso acontea.
	Infelizmente, essa no  uma deciso sua. Essa deciso pertence a mim. Voc disse que queria dinheiro, no disse? Com a venda da minha parte terei todo o dinheiro que precisar.
Aflita, Jenny pensou um pouco e disse:
	No estou me casando com Jack por causa de dinheiro.
Eu menti para voc.
	No acredito em voc, querida.
	Pois pode acreditar: no vou me casar com Jack por causa de dinheiro!
	Ento por que voc vai se casar com ele? Me diga, por favor. Seja l o motivo que for, preciso ficar sabendo.
Com os olhos cheios de lgrimas, Jenny balanou a cabea e disse:
	Isso eu no posso fazer.
Rob voltou a abra-la. Em sua mente vieram as palavras que sua me havia lhe dito. Se no era por dinheiro, qual outra razo levaria Jenny a se casar com Jack Keel?
	Jenny, voc est esperando um filho dele? Me diga. Se estiver esperando um filho de Jack, no tem problema. Caso com voc de qualquer maneira. Esse filho ser meu tambm.
At Rob se surpreendeu com aquelas palavras que acabara de dizer. Nem ele sabia a grandeza do amor que sentia por ela. Mas agora sabia. E Jenny tambm.
Rob viu o instante em que uma lgrima escapava dos olhos de Jenny, traando um longo caminho pelo rosto delicado. Ele sorveu a lgrima e pediu:
	No chore, meu amor... No chore... No existe mais motivo para chorar. Casaremos imediatamente. Depois iremos falar com Jack. Ns...
	Oh, Rob...  Com o indicador contra a boca de Rob, Jenny impediu que ele continuasse falando.  Eu nunca pensei que algum um dia pudesse me amar assim... Tambm nunca pensei que iria ter que renunciar a um amor to lindo.
	O que significam essas palavras?  ele perguntou atordoado.
	No estou esperando um filho de Jack. Nunca me entreguei a ele. Se quer saber a verdade, nunca me entreguei a nenhum homem. Mas no posso me casar com voc.
Ento voc no me ama  ele conclui com amargor. 
Jenny o fitou dentro dos olhos e soube que no poderia continuar mentindo.
	Amo voc h muito tempo, Rob. E nada, nem ningum neste mundo vai destruir esse sentimento. Mas eu preciso me casar com Jack. Adoraria poder lhe dizer o porqu, mas...  As palavras de Jenny foram interrompidas por um soluo.
Rob, que se mantivera calmo at naquele momento, teve a sensao que caa num precipcio. Ele era um simples mortal e, como um simples mortal, no conseguia entender o que se passava com Jenny. Desesperado, ele a abraou com muita fora.
	Me largue, Rob! Voc est me machucando!
Descontrolado, Rob tremia.
	Me largue  ela voltou a pedir.

	No me conformo! No me conformo com essa situao!
H poucos dias voc me disse que eu era incapaz de me comprometer. Mas acabei de perceber que esse problema  seu, no meu.
	Meu?
	E: seu!  Rob a soltou.  Mesmo ontem quando quis fazer amor comigo, voc estava me oferecendo o seu corpo, no o seu corao!
Jenny ia protestar, mas Rob no deixou:
	E isso era o mnimo que eu queria. O mnimo! No quero o seu corpo. No quero fazer amor com voc apenas por fazer.
O que lhe ofereci hoje foi um amor incondicional. S que voc no entendeu. Voc no tem a menor noo do que  amor. E acho que no existe problema. Se houvesse algum problema, voc me diria. Isso se confiasse em mim! Eu me enganei: preciso admitir que me- enganei. Voc no  a mulher que pensei que fosse!
Rob pegou o cavalo e foi embora. Jenny sentou-se na escada e chorou muito. Acabara de perder o homem de sua vida.

Capitulo VII

Rob foi at a barragem para ver se tudo estava bem por l. Depois, resolveu ir at o local onde dois homens comeavam a arar a terra para o plantio.
	Algum problema?  ele perguntou aos empregados.
	O trator. Acho que  o motor.
Rob desceu do cavalo e, muito seguro, foi verificar o motor. Depois de meia hora de trabalho o trator voltou a funcionar. Os empregados o fitavam com admirao.
	Voc entende mesmo de tratores, hem Rob?  um deles ousou comentar.
	Um pouco, um pouco...  Rob respondeu com modstia.
 Vocs esto precisando de mais- alguma coisa?
	No, agora est tudo certo.
	Ento, voltem ao trabalho.
Os dois empregados o atenderam de imediato. Rob voltou a subir no cavalo e galopou at onde uma cerca estava sendo arrumada. L no encontrou nenhum dos empregados parados.
	Esto precisando de alguma coisa?  Rob perguntou.
	No, est tudo certo, Rob. At a hora do almoo a gente acaba. Depois vamos fazer aquele outro servio que voc pediu.
	Certo.
Mais uma vez Rob saiu cavalgando. Depois de percorrer outros lugares da fazenda, ele decidiu sentar-se sob uma rvore para descansar um pouco. Mas logo se arrependeu da deciso. Como no dia anterior, precisava continuar trabalhando sem parar. No podia pensar na vida, no podia pensar em Jenny! No dia seguinte ela se casaria. No dia seguinte todos os seus sonhos de amor seriam destrudo. Nem que vivesse mil anos iria esquec-la.
Desde que a deixara na Fazenda Landon, Rob no havia parado. Dormira pouco e precisava continuar cansando o corpo, extenuar-se, s para no pensar que a mulher que amava iria embora com outro para sempre. E todos seus sonhos de juventude iriam com ela.
Rob olhou para o cu. Azul. Limpo. Nenhuma nuvem. O cu parecia em paz, alheio a tudo o que acontecia na Terra. Com toda certeza o dia seguinte tambm seria lindo. Brilhante. O dia que iria perder Jenny.
Foi inevitvel. Uma lgrima rolou dos olhos de Rob. Mas ele no se apressou em enxug-la. Logo veio outra e mais outra. De repente ele se levantou, abriu os braos e gritou o nome de Jenny. Ningum ouviu aquele grito de desespero.
Depois de muito chorar, Rob se perguntava se deveria ir procur-la mais uma vez. No, ele no podia fazer isso. Procur-la para qu? Para ouvir de novo daqueles lbios que tanto amava que iria se casar com Jack Keel? Disso ele j sabia. E no se conformava. Por mais que racionalizasse, no se conformava. Ningum naquela regio se conformava com aquele casamento.
Apesar do desespero. Rob sabia que fizera de tudo para ficar com Jenny. Fora ela quem no quisera, inventando um suposto motivo inconfessvel.
 S o sofrimento muda um homem  ele disse baixinho.  E eu mudei. Ofereci  Jenny tudo o que podia. Por ela quis at vender essas terras que so to importantes para mim. Ofereci cuidar do filho dela caso estivesse grvida. Mas Jenny no est grvida, disse que no precisa de dinheiro... Meu Deus, me ajude! Me faa entender o que est acontecendo com ela! Se entender o que est acontecendo tenho certeza que me sentirei melhor e talvez possa ainda impedir que ela cometa essa loucura.
Depois de algum tempo, Rob viu que no dava para continuar mais se lamentando ali. Precisaria continuar trabalhando. Se no voltasse a trabalhar acabaria enlouquecendo. 
Ele subiu no cavalo, mas ao contrrio das vezes anteriores, no saiu galopando.
No final da tarde, quando j pensava em voltar para casa, Rob viu Will correndo na direo dele a todo galope. Algo muito grave estava acontecendo.
	At que enfim encontrei voc  o empregado gritou quando ainda se encontrava a uma certa distncia.
	Por que essa correria toda, Will?
	 a Esperana. Ela est com um problema de respirao.
Nunca ningum viu algo semelhante.
As mos de Rob se crisparam em torno das rdeas. O cavalo, percebendo o nervosismo do dono, empinou.
	Calma, calma, Brandy  Rob bateu de leve no dorso do animal.
Esperana era uma gua puro-sangue que Jlio acabara de comprar e pagara uma fortuna por ela.
	Vamos!
Rob e Will saram em disparada.
Minutos mais tarde os dois chegavam na cocheira e corriam para a baia de Esperana.
Jesse conversava com a gua, tentando acalm-la. Mas Esperana no dava o menor sinal de que ouvia o empregado. A gua se encontrava estendida no cho e quase no conseguia respirar. Muita saliva escorria-lhe da boca. E ela estava toda inchada.
	No sei o que fazer!  Jesse olhou em pnico para Rob.
 Nunca na minha vida vi um animal respirar desse jeito!
Rob no teve a coragem de dizer ao empregado que tambm nunca presenciara algo semelhante.
Inspirando profundamente, para manter a calma, Rob agachou-se e acariciou a cabea do animal.
	Ela no est conseguindo engolir direito, mas acho que no est engasgada. O dr. Meyer j foi chamado?
Jesse balanou a cabea em afirmativa e respondeu:
	J.
	Ento vamos esperar com pacincia.
	Acontece que ele no sabe a que horas vai chegar.
	E por qu?  Rob perguntou preocupado.
	Ele est fazendo uma cesariana complicada em outra fazenda. Mas disse que vem assim que for possvel.
	Mas Esperana precisa de cuidados imediatos.
	Eu sei...
Rob se levantou. Se Esperana continuasse daquele jeito sem ser medicada, na certa iria morrer. Ele precisava fazer alguma coisa urgentemente. E sabia o que precisava ser feito. Por alguns instantes considerou a possibilidade de Jesse fazer o telefonema. Mas, em seguida, ele mesmo resolveu assumir aquela tarefa. No podia se acovardar; apesar das consequncias emocionais, no
podia se acovardar!
Rob, rapidamente, foi para casa e pegou o telefone. Ao discar o nmero que sabia de cor, suas mos tremiam.
	Al?  uma voz feminina se fez ouvir do outro lado da linha.
	Jenny?  voc?
	Sim, sou eu. Aconteceu alguma coisa, Rob?
	Aconteceu. Infelizmente aconteceu. Tem uma gua aqui na fazenda que no est conseguindo nem engolir, nem respirar direito. Acho que  grave. Nunca vi algo semelhante. O dr. Meyer foi chamado mas acho que no vai chegar a tempo. Ele est cuidando de um outro animal.
Aps saber o que estava acontecendo, Jenny hesitou um pouco. Depois respondeu:
. Tubo bem, estou a caminho. Logo estarei a. At j.  At j.
Rob ficou um bom tempo com o telefone na mo odiando-se. Apesar de tudo o que estava acontecendo com Esperana, ele sentia-se feliz. Feliz por poder mais uma vez estar perto de Jenny, mesmo sabendo que tornar a v-la seria uma agonia, que nada mudaria entre os dois.
"Meu Deus... como eu gostaria de poder resolver esta situao. Como eu'gostaria de poder tomar alguma atitude para que esse casamento no se realizasse... Mas fazer o qu? O qu?"
Rob voltou para a cocheira. Esperana no podia morrer. Jlio havia pago muito dinheiro por ela. Se algo acontecesse ao animal a responsabilidade seria exclusivamente dele. Jlio havia deixado a Dois Diamantes sob os seus cuidados.
Ao se aproximar de Esperana, Rob viu que Will estava com Jesse. Os dois homens o fitavam com tristeza: a gua havia piorado.
Em silncio, Rob rezava. Era terrvel ver Esperana morrendo diante dos seus olhos sem que nada pudesse fazer. Para ele, uma eternidade se passou antes que ouvisse o barulho de um carro que chegava.
Com uma maleta nas mos, Jenny pulou do jeep e correu para a cocheira. Assim que a viu, Rob se levantou para receb-la.
Jenny logo percebeu o quanto Rob estava abatido e sentiu o corao disparar.
Ela logo comeou a examinar o animal e ficou muito apreensiva.
	O que estar acontecendo?  Rob perguntou angustiado.
Jenny, sem responder, continuou examinando Esperana. De repente, ao perceber algumas manchas no dorso do animal, ela sentiu um certo alvio.
	E a?  Rob perguntou angustiado.
	Estou achando que isso tudo so sintomas de alguma reao alrgica.
	E d para salv-la?
	Vou tentar, Rob. Primeiro vou aplicar um medicamento na jugular dela. S espero que no seja tarde.
Jenny desinfetou o local do pescoo onde aplicaria o medicamento e pediu a Rob:
	Segure o pescoo da gua.
Rob, imediatamente, seguiu-lhe as instrues. Com mo firmes, Jenny injetou o medicamento na veia de Esperana.
Alguns segundos se passaram.
	Ser que vai dar certo?  Rob perguntou.
	No vou arriscar. Vou ter que fazer um corte no pescoo de Esperana para o ar entrar. Mas voc sozinho no vai dar conta de segur-la.
	Jesse, Will, me ajudem.
Enquanto os trs homens seguravam o animal, Jenny anestesiou o local onde faria o corte. Em seguida pegou o bisturi.
Porm, neste instante, Esperana comeou a respira com menos dificuldade.
	Vejam!  Jenny gritou feliz.  O remdio est fazendo efeito!
Esperana comeou a se recuperar rapidamente. Em poucos minutos sua respirao voltou ao normal e a gua se levantou.
	No acredito no que estou vendo  Will disse.
	Nem  eu  Jesse sorria.
Jenny, com o estetoscpio, ouviu as batidas cardacas de Esperana e viu se os pulmes estavam bem.
	Parece que est tudo certo. O remdio salvou nossa amiga aqui  ela bateu no dorso do animal. Logo o inchao desaparece.
	Mas o que ser que causou isso tudo?  Rob quis saber.
 Tenho medo que isso volte a acontecer.
	 difcil dizer o que causou isso tudo  Esperana. Vou fazer uns testes e...  Jenny interrompeu a frase. Todo o entusiasmo que demonstrava desapareceu.  Bem, o dr. Meyer com toda certeza vai fazer os testes e descobrir a causa dessa reao alrgica.
Rob olhou para Jesse e Will. Will pigarreou e disse:
	Bem, acho que vou telefonar para o dr. Meyer e dizer-lhe que no precisa mais se preocupar em vir para c agora.
	Por favor, faa isso  Rob pediu.
Os dois empregados saram da cocheira. Rob, ento, passou a mo pelo pescoo de Esperana e perguntou  Jenny:
	Como  que pode fazer isso? Como  que vai desistir de tudo? Eu no me conformo...
Jenny resolveu ser honesta com Rob:
	Sei exatamente o que voc est sentindo. Estou sentindo a mesma coisa. Mas vou mesmo desistir da profisso que eu adoro. Ela  algo que no posso ter, como tambm no posso ter voc.
Jenny deu um sorriso muito triste e continuou:. 
	Sabe, Rob, andei pensando muito em algo que me disse. E voc tem razo: sou eu quem morre de medo de compromissos. Nunca acreditei que pudesse me amar. Meu medo era tanto que nunca havia percebido que sempre me amou muito mais do que eu a voc.  estranho, no? A vida  muito estranha...
Rob deu um passo para frente. Mas antes que pudesse dizer algo, Jenny pediu:
	No diga nada...
	Mas...
	Nada do que me disser vai mudar a nossa situao. Continuo sem poder me comprometer. Mas antes que eu v embora para sempre quero que saiba que te amo, Rob. Sempre te amei. Te amo de todo corao. E quero ficar hoje com voc. Passemos esta noite juntos. Quero me entregar a voc, Rob. Depois? Depois nos separaremos para sempre.
Rob deu-lhe as costas. Sentia uma vontade imensa de gritar todo o desespero que sentia. Jenny queria se entregar e depois partir? Ser que devia aceitar tal proposta? O que aconteceria depois? Ser que s lhe restava a opo de enlouquecer? Se os dois fizessem amor, a dor do abandono se tornaria insuportvel. Mas ele tambm j a rejeitara uma vez e sofrera muito. Talvez fosse melhor t-la apenas por uma noite e passar o resto da vida vivendo de recordaes...
Rob, incapaz de enfrentar a mulher amada, continuava de costas. Mas ela acabara de dizer que o amava. E isso mudava tudo. Talvez a proposta de Jenny fosse a ltima chance que teria para faz-la mudar de ideia e terminar de vez com aquele casamento.
Rob pressentia que Jenny o fitava com apreenso. Mas ele estava confuso. Era claro que a queria. Nada no mundo lhe importava mais do que Jenny.
	Fale comigo  ela pediu.
Rob inspirou profundamente e voltou-se devagar. Jenny leu nos olhos dele a resposta pela qual tanta ansiava.
Jenny se aproximou de Rob e o beijou na boca. Um beijo apaixonado, cheio de desejo.
	 voc que eu amo. S voc...
Rob queria lhe perguntar por que, ento, ela iria se casar com outro homem? Por que, ento, ela no deixava aquele amor florescer? Por que no gritar para o mundo que eles se amavam? Mas Rob sabia que seria intil lhe fazer tais perguntas. Intil. Jenny tomara uma deciso irrevogvel. Algo muito grave a levava a um casamento absurdo. E ela no retrocederia. Por mais que fizesse, por mais que dissesse, ela no retrocederia.
Aos poucos Rob comeou a corresponder o beijo de Jenny. E se sentiu flutuar.
Jenny, excitada, o acariciava de maneira ousada. Correspondendo aos carinhos de Jenny, Rob a encaminhou at um monte de palha num canto afastado da cocheira e fez com que se deitasse. Ele mal podia se conter. Queria possui-la imediatamente. Mas precisava ter calma, cuidado. Ela lhe dissera que nunca havia pertencido a nenhum outro homem.
Rob deitou-se sobre Jenny e comeou a beijar-lhe o pescoo. Depois, abriu-lhe a blusa e beijou-lhe os seios. Jenny arquejava de prazer e dizia palavras incompreensveis. Ele continuou com as carcias, enquanto rolavam pela palha.
No auge do desejo, Rob se afastou. Jenny, confusa, sentiu-se abandonada. Em resposta, ele balanou a cabea em negativa e retirou-lhe as botas. Depois, Rob livrou-se das prprias botas e comeou a despi-la.
Segundos mais tarde, os dois estavam nus.
Jenny sentiu que a emoo de Rob era tanta que ele tremia. Ela, ento, tentou enlaar-lhe a cintura com as pernas. Mas Rob afastou-lhe as pernas e comeou, com a boca, a acariciar-lhe o corpo todo. Jenny jamais havia imaginado que pudesse sentir tanto prazer.
Aos poucos ela foi perdendo a noo da realidade e mergulhou num mundo desconhecido.
Rob continuava a dedicar-lhe toda a ateno. Aquele encontro precisava ser perfeito.
Jenny que sempre fora uma pessoa muito inibida, deixou-se levar completamente pelo desejo. Quando Rob tocou-lhe o sexo, ela colocou-lhe as pernas sobre os ombros, arqueou os quadris e segurou-lhe a cabea contra si. Instantes depois gritava o nome de Rob e atingia um xtase profundo.
Rob, orgulhoso, sentiu aquele prazer todo de Jenny como sendo dele. E continuou a carici-la at que ela se acalmasse.
Rob colocou-se sobre Jenny e a fitou intensamente. O que ele viu nos olhos da mulher que tanto amava foi amor, um imenso amor.
Jenny, daquele momento em diante, teve a noo exata do que seria a sua vida, de tudo o que estaria perdendo.
Lutando contra as lgrimas, acariciou o rosto de Rob.
	Jenny! Jenny Landon! Voc ainda est a?
Rob e Jenny deram um pulo e comearam a se vestir rapidamente.
	 o dr. Meyer  ela disse baixinho.  Seus empregados no devem ter conseguido se comunicar com ele..._ Espero que ele no venha at aqui.
	No se preocupe, ele vai primeiro dar uma olhada em Esperana. O dr. Meyer sabe onde ela fica.
Jenny nunca pensara que um dia pudesse se vestir to depressa. Antes que ela fosse se encontrar com o veterinrio, Rob retirou alguns pedaos de palha que tinham ficado em seus cabelos.
	Eu volto  ela disse antes de ir se encontrar com o dr. Meyer.
	Estarei esperando.  Rob o beijou e voltou a sentar-se sobre a palha.
Aps ter dado uma ltima checada na roupa, Jenny muniu-se de coragem e foi at a baia de Esperana.
	O que acha, doutor? Como ela est?  Jenny perguntou num tom casual.
	Ela me parece tima. Eu  que no estou l muito bem.
	E por qu?
	Estou velho. Velho demais para dar conta sozinho de tanto servio que temos nesta regio.
	O senhor no est to velho assim, doutor.
	Voc  quem pensa, filha. E ento? Vai mesmo nos abandonar e se mudar para Houston?
	Vou, sim.
	Sabe que ainda no me conformei com isso? Como  que pode algum to competente com voc largar tudo assim de uma hora para outra?
	 a vida, doutor...
	Acho que voc tinha que pensar melhor.
O dr. Meyer passou um bom tempo tentado convencer Jenny a mudar de ideia. Por fim, desanimado, ele foi embora.
Jenny voltou para o lugar em que deixara Rob e o encontrou dormindo sobre a palha. Ela sorriu com carinho. Rob mais parecia um garotinho inocente. E muito vulnervel.
Ela abriu a maleta, retirou de dentro um lenol que sempre trazia consigo para algum caso de emergncia e cobriu Rob. Em seguida, deitou-se do lado dele e murmurou:
	Meu eterno amor...
Um leve sorriso apareceu nos lbios de Rob, mas ele continuou dormindo. Durante muito tempo Jenny ficou velando-lhe o sono, numa despedida muda. Aquelas seriam suas ltimas horas de liberdade. E ela rezou para que o amanh nunca chegasse.

Capitulo VIII

Ainda bem que voc melhorou, garota!  Pelo jeito, deu um grande susto no pessoal! E tudo por causa de uma alergia?
Rob acordou ao som da voz de Jlio. A claridade da manh o incomodou muito. Confuso e desorientado, ele piscou os olhos vrias vezes.
O que estava fazendo quase nu ali na cachoeira? De repente ele lembrou-se. E a luz que iluminava a manh pareceu que de repente se apagava.
Sentindo o pnico invadi-lo, ele livrou-se do lenol que o cobria e levantou-se.
Ansioso, Rob deixou o local onde passara a noite e foi para a baia de Esperana.
Jlio, que afagava o pescoo do animal, logo viu Rob se aproximar.
	Calma, hermano! Ainda demora umas horas para Jenny se casar. No adianta ficar to aflito! Isso no vai resolver nada!
Rob, sem entrar na baia, parou e passou as dedos pelos cabelos. O medo que o invadira havia diminudo um pouco.
	E que diferena faz isso?  Ele deu de ombros.  Casando ela daqui a algumas horas ou no final do dia, nada poderei fazer.
Apesar de ter dito tais palavras, parte de Rob no aceitava os fatos. Mas como continuar negando?
Sentindo um arrepio de frio, Rob ps as mos no bolso e finalmente entrou na baia para abraar o irmo.
	Como foi de viagem?
	Bem, tudo bem.
	E Maggie? Como est?
	Ela est tima.
	Will foi esper-los no aeroporto?
- Foi, sim.

	Ele  um bom amigo. Will lhe contou o que aconteceu com a Esperana?
	Contou. Ele me contou tambm que voc ficou muito aflito, Rob.
	No era para menos. Esperana estava morrendo diante dos nossos olhos. A coisa foi feia.
	Quando estvamos chegando encontramos com Jenny. Ela me disse que ficou a noite inteirinha com Esperana.
Ns dois ficamos aqui... Esperana poderia ter uma nova crise...
	E pelo jeito quem est mal agora  voc, hermano. No se esquea que estou ao seu lado para o que der e vier. Se houver algo que eu possa fazer para mudar o rumo dos acontecimentos, eu farei.
	Voc j fez muito quando me ofereceu parte da fazenda.
Mas a oferta no pode solucionar os meus problemas. Nada, nada faz Jenny tirar essa ideia absurda de casamento da cabea.
	Voc chegou a conversar com Jenny sobre o assunto?
	O tempo todo que voc esteve fora eu insisti. Jenny vai mesmo se casar com aquele crpula!
	E voc?
	Eu o qu?  Rob olhou para o irmo sem entender a pergunta.
	Voc vai assistir o casamento?
Rob, mesmo contrariado, se forou a considerar a questo. O que ele queria mesmo era entrar dentro da caminhonete, pegar uma estrada e fugir dali. Fugir da dor, fugir da desiluso. Queria ir para uma cidade bem longe onde ningum o conhecesse para recomear uma nova vida.
Mas Rob sabia que naquele momento no poderia ir embora. A fazenda e sua famlia estavam ali. E algo dentro dele dizia-lhe para ficar.
	Sabe, Jlio... voc e todo mundo deve estar pensando que eu deveria ficar quieto e deixar Jenny partir. Mas acontece que eu sei que ela me ama.  Rob falava pausadamente.  E se ela decidiu se casar perante Deus e os homens com Jack Keel, Jenny tambm ter que se casar diante de mim. No quero que ela pense que eu desisti.
Rob olhou para o irmo. Jlio parecia confuso.
	Voc est achando que isso  fraqueza da minha parte, no ? Mas, acredite, Jlio, no estou me sentindo fraco. Nunca na minha vida me senti to forte.
	Tem certeza que  o melhor que voc tem a fazer?
	Sim, tenho  Rob afirmou.
	Ento, para mim, isto basta. Apenas a sua opinio  o que conta. Uma vez quase perdi Maggie por no ter vivido uma situao at o fim. E no acho que seja fraqueza da sua parte ir ao casamento, muito pelo contrrio. Voc est mostrando muita maturidade, muita determinao. Eu me orgulho de voc, hermano.
As palavras de Jlio causaram um grande alvio em Rob. Seria muito doloroso assistir ao casamento de Jenny. Mas ele teria que suportar a dor.
Rob deu um abrao no irmo e foi para casa tomar um banho. Aquele seria o dia mais difcil de sua vida.
Jenny arrumou o vu e olhou-se no espelho. Ela estava muito abatida. Maquiagem alguma iria tirar-lhe do rosto aquele ar de cansao.
Ela passara a noite toda indo olhar periodicamente Esperana e velando o sono de Rob.
Em alguns momentos durante a madrugada, o sono quase a venceu. Mas Jenny, com medo de fechar os olhos, se negava a dormir. Temia que ao acordar j tivesse amanhecido e portanto tivesse perdido para sempre os ltimos momentos que podia passar ao lado de Rob.
E aquela fora uma longa madrugada... Jenny ficara apenas olhando para Rob tentando no pensar, no raciocinar.
Mas a madrugada havia terminado e o sol aos poucos fora subindo no cu. E ela no sabia onde conseguira foras para levantar-se e deixar Rob dormindo sobre a palha. Tambm no sabia onde tinha conseguido foras para conversar com Jlio e contar-lhe sobre Esperana.
Porm, a parte mais difcil da conversa com Jlio fora quando ele lhe havia perguntado se ela ia mesmo se casar com Jack.
Naquele momento, para Jenny, os olhos de Jlio estavam muito semelhantes aos de Rob. E ela tremeu. Porm, se despediu e, aps entrar no jeep, disse apenas:
	Sim.
Quando Jenny saiu da Dois Diamantes ela fazia de tudo para no chorar.
Durante o trajeto at a fazenda, tivera a sensao dolorosa que a parte mais importante do seu ser havia ficado com Rob. Daquele momento em diante agira como um autmato. Nada parecia afe-t-la. Nada. O destino precisaria ser cumprido.
Uma pancada na porta do quarto tirou Jenny dos seus devaneios e a fez voltar ao presente.
	Entre  ela disse.
Segundos depois Jenny pde ver Lissa atravs do espelho. As duas amigas se olharam por um longo momento.
	Est na hora, Jenny  Lissa disse por fim.
Jenny sentiu uma forte contrao no estmago. Mesmo assim se levantou. O que tinha a fazer seria suportar os prximos minutos. A... tudo estaria acabado. E nada mais poderia ser mudado. Precisava ser forte. Muito forte.
Rob subiu a colina no dorso do cavalo e ficou l em cima parado, observando o que se passava na Fazenda Landon.
Os convidados agora se dirigiam s cadeiras. Pronto. Aquele era o incio do fim!
O reverendo Thatcher, Jack e Travis entraram no local e aguardaram em frente ao altar improvisado.
A marcha nupcial comeou a tocar. A primeira a aparecer foi Lissa Jackson, que fazia o papel de dama-de-honra. Lissa caminhava devagar e sorria.
Rob susteve a respirao e esperou por Jenny. Os segundos se passaram. De repente, de braos dados com o pai, ela apareceu.
Concentrando-se, Rob desejou ardentemente que ela olhasse para a colina. Mas Jenny caminhava alheia a tudo e a todos. Jenny j estava prxima a Jack quando o desejo de Rob foi atendido. Ela olhou para a colina.
Ao ver Rob sobre o cavalo, o corao de Jenny quase parou. Ela hesitou e, se no fosse o pai apoi-la, Jenny teria cado.
Porm, a hesitao de Jenny durou pouco. Ela respirou fundo e seguiu em frente.
Rob sentiu todas suas esperana desaparecerem. Ele contraiu os maxilares. Desespero e muita angstia se apoderaram dele. Tudo o que teria a fazer seria descer aquela colina e tirar Jenny de l. Aquela mulher lhe pertencia! Jenny Landon o amava. Ela mesma lhe confessara!
 Mas ele no podia descer aquela colina e tirar Jenny de l. Ela escolhera se casar com Jack Keel e o mnimo que podia fazer era respeitar-lhe a deciso. Mesmo no gostando, mesmo detestando a escolha de Jenny, ele precisava respeit-la.
Os convidados tambm notaram a presena e Rob na colina. Mas ele no se intimidou com os olhares. Continuou l. Firme.
A marcha nupcial continuava. Os convidados agora estavam com suas atenes voltadas para a noiva.
Tate, sem olhar para Jack, entregou-lhe a filha. Os noivos se postaram em frente ao altar.
Jenny, apesar de ouvir o som das palavras que o padre dizia, no tinha a menor noo do significado delas. Tudo parecia-lhe um grande pesadelo. A nica coisa real era Rob l na colina esperando que desistisse daquela farsa. Mas no podia desistir. J fora longe demais.
O padre continuava a falar e Jenny lutava contra sentimentos que a confundiam mais e mais: a repugnncia por Jack Keel, o amor que tinha pelo pai e sua adorao por Rob. O seu calvrio estava apenas comeando. Jamais iria conseguir aplacar a dor que trazia dentro do peito.
Mesmo que se passassem mil anos, a imagem de Rob jamais a abandonaria. Era Rob quem Jenny via agora. E seria ele que veria quando estivesse morrendo. Aqueles olhos queridos que tanto amava. Como iria se entregar a Jack? Como?
O padre disse:
Se algum sabe de algo que possa impedir esse casamento, que diga agora ou se cale para sempre!
De repente, uma voz ecoou:
	Eu te amo, Jenny! Eu te amo!
Todos olharam para a colina. Rob tornou a gritar:
	Eu te amo! Eu te amo, Jenny!
Jenny, assustada, olhou para o pai que lhe sorria feliz. Mas a cara de Jack no era de felicidade. O noivo estava com muita raiva. E ela teve que admitir que Rob realmente se tornara um adulto. Um adulto que lutava at o fim por aquilo que queria. Ele no tinha medo nem vergonha do ridculo, e se expunha de corpo e alma, se comprometendo diante dos habitantes da regio. Rob, por amor, enfrentava tudo, e todas as consequncias dos seus atos.
Jenny olhava para os lados, como se aquilo tudo que acontecia no tivesse nada a ver com ela. Parecia uma mera espectadora de algo que no lhe dizia respeito.
Aos poucos ela foi abaixando os braos e o buque que trazia nas mos caiu no cho.
Sem pressa e sentindo-se muito bem, Rob desceu a colina. Ao se aproximar dos convidados ele viu sua me que lhe sorria orgulhosa, viu tambm o sorriso de cumplicidade de Jlio e de Maggie. Tedd, ao lado dos pais, no entendia direito que estava acontecendo. Mas Will, muito satisfeito, tirou o chapu e gritou:
	 isso a, peo!
Mas Rob procurava o olhar de Tate. E o encontrou. O pai de Jenny, cmplice, deu-lhe uma piscadela.
Rob contornava as cadeiras e se aproximava de onde fora montado o altar. De repente, algum apareceu e segurou o cavalo de Rob pelas rdeas. O animal, assustado, empinou. Rob dominou o cavalo e, tirando um dos ps do estribo, acertou em cheio no peito de Travis. O guarda-costas de Jack soltou as rdeas e caiu.
Quando Travis tentava se levantar, foi acertado de novo por outro chute. S que o autor da agresso dessa vez tinha sido Tate.
Travis gritou e, livrando-se de outro chute de Tate, ficou de p e mais uma vez quis segurar as rdeas do cavalo. Numa manobra rpida, Rob puxou o animal para a direita e Travis voltou a cair, desta vez no meio dos convidados.
O padre, que fechara o livro de oraes h muito tempo, olhava para tudo aquilo incrdulo.
	Reverendo, me perdoe por esta baguna  Rob pediu sorrindo.
O padre nada falou. Apenas retirou os culos e comeou a limp-los.
E foi a vez de Jack tentar agredir Rob.
Mas no instante em que Jack ia pegar as rdeas do cavalo, Rob fez com que o animal empinasse. Jack, apavorado, se afastou.
No havia tempo a perder. Rob se aproximou do local onde Jenny se encontrava e disse estendendo-lhe a mo:
	Venha! Suba!
Rob cavalgava pelos campos. No, no estava arrependido do que acabara de fazer. At o ltimo instante esperara que Jenny optasse por ele. At o ltimo instante tentou respeitar-lhe a opo de se casar com outro homem. Mas o corao tinha falado mais alto. O corao tinha gritado ao mundo o nome da mulher que amava.
Agora tudo parecia-lhe diferente. O ar estava mais puro, o sol brilhava com maior intensidade, o cu estava mais azul do que nunca.
Rob se dirigia para o riacho. Junto dele, na garupa, Jenny o abraava com fora.
E ela no entendia direito o que estava acontecendo. A tenso acumulada, a ltima noite sem dormir, os preparativos finais para a cerimnia do casamento... Fora emoo demais... E agora ela estava ali, vestida de noiva, cavalgando com Rob.
Ao chegar s margens do riacho, Rob pulou do cavalo e ajudou Jenny a descer.
	Eu te amo.  Ele a abraou emocionado.  Pensei que fosse te perder...
Atordoada, Jenny mal correspondeu ao abrao. Rob que esperava ver nos olhos dela promessas de amor, apenas viu remorso e desespero.
No devia ter vindo com voc  ela disse.  Tenho que voltar. Por favor, entenda, tenho que voltar, Rob!
Rob sentiu como se todo o sangue que at h pouco corria livre pelo seu corpo, tivesse sido drenado. Jenny no podia estar dizendo aquelas palavras. Ela estava arrependida, arrependida de ter abandonado Jack Keel no altar. No... aquilo s poderia ser brincadeira.
	Voc no pode estar falando srio  ele disse.
	Nunca falei to srio em toda a minha vida.
	Ento por que voc subiu no cavalo?
	Devia estar louca. No raciocinei. Apenas segui o impulso do meu corao.
	Mas o seu corao lhe indicou o caminho certo, Jenny.
	Na minha situao  a razo que importa. S a razo. Preciso voltar. Tenho que me casar com Jack!
	Agora no d para voltar atrs, Jenny.
	Mas  claro que d. Jack e o padre ainda esto l na fazenda. Tenho certeza disso!  Jenny tremia muito.
	No instante em que subiu no cavalo, voc fez uma escolha. Agora  tarde, Jenny.
	No, no  tarde!  ela gritou.
	 tarde, sim.  Rob a abraou.  E chegou o momento de me contar o que est acontecendo. Por que voc ia se casar com Jack?
Exausta, Jenny sentou-se na grama e segurou a cabea com as mos. Como fora deixar que aquilo acontecesse? Ao subir no cavalo de Rob, ela agira por instinto. Sem pensar nas consequncias abandonara Jack no altar. E no havia nada que pudesse fazer para mudar aquele ato impensado. Nem agora, nem nunca! Como uma marionete cujos cordes de controle so cortados, Jenny deixou cair os braos.
	No fique assim  Rob pediu e sentou-se ao lado dela.
	No me toque. Por favor, no me toque.  Jenny tinha a sensao que se Rob a tocasse, acabaria por perder o pouco de controle que ainda lhe restava. E ela precisava desse mnimo de controle. No queria e no podia quebra-se em mil pedaos.
	Fale comigo, Jenny.
Ela respirou profundamente. Precisava de coragem para dizer a Rob toda a verdade. E Jenny comeou a falar:
	Jack me procurou h algumas semanas. E eu fiquei pasma quando ele me pediu em casamento. Recusei a proposta, mas Jack no desistiu. Ento me falou que mesmo contra a minha vontade eu me casaria com ele.
Rob percebeu que a tenso de Jenny crescia. Mesmo assim no interferiu. Deixou que ela continuasse falando.
	Frank Keel, o pai de Jack, era muito amigo do meu pai.
Era uma amizade antiga. Um pouco antes da morte do pai, Jack foi visit-lo no hospital. Na poca, Frank estava muito mal e por causa da dor e dos medicamentos j no falava com muita coerncia. Mesmo assim Frank insistia em falar no passado. Foi a que o moribundo disse que meu pai era um assassino.
	Assassino?  Rob perguntou angustiado.  Tate?
	Exatamente.
	Isso no  possvel, Jenny. Imagine se Tate  um assassino.
	Durante anos, todos acreditaram que Tate tinha expulsado o meu pai verdadeiro, Leroy Parker, daqui. Mas Jack me afirmou que o pai dele viu Tate matar e enterrar Leroy. E Jack me afirmou que sabe exatamente onde Tate enterrou o corpo. A fica fcil de voc entender: Jack estava me chantageando. Se no concor dasse em me casar com ele, iria  polcia e denunciaria Tate.

	E voc acreditou nesta histria, Jenny? Jack pode estar mentindo.
	Foi o que eu pensei. Quando Jack me contou tudo isso eu o chamei de mentiroso. Sabe o que ele fez?
	O qu?
	Jack riu na minha cara e mandou que eu perguntasse a Tate se ele estava mentindo.
	E voc fez isso?
	Ia fazer, mas no fiz  Jenny confessou.  Quando j estava com o telefone na mo para ligar para o meu pai, uma velha lembrana de quando eu era muito criana me fez desistir.
	Velha lembrana?
	... Mame estava em trabalho de parto e sofria muito. Eu, no quarto, ouvi um grito dela. Assustada, pesando que algum a estivesse ferindo fui ver o que estava acontecendo. Me aproximei da porta do quarto onde ela se encontrava e fiquei ali parada. Meu pai a consolava e dizia-lhe que o mdico j estava a caminho. Jenny, perdida no passado, parou de falar.
	Continue  Rob pediu.
	Eu vou continuar... Minha me, chorando muito, disse que ela estava morrendo, que o mdico nunca chegaria a tempo. De pois, virou-se para o meu pai e sentenciou: Foi uma vida por outra, Tate. Tenho que pagar com a minha prpria vida a morte de Leroy.
Jenny, inconsolvel, amassava a barra do vestido com as mos.
	Sabe o que meu pai disse para ela?
	No.
	Ele disse: esse dbito  meu, Mary. Esse dbito  meu, no seu. Fui eu quem tirou a vida dele.
	Descanse um pouco, querida  Rob pediu.  Voc est muito abalada.
	No, quero continuar. Uma hora depois dessa conversa, minha me e o filho que nem chegou a nascer estavam mortos.
Depois disso, esse episdio desapareceu da minha mente. S voltei a me lembrar de tudo quando fui telefonar para o meu pai. Tive um bloqueio. Foi isso que aconteceu. S que Jack, de maneira sdica, fez com que eu me lembrasse de tudo.
Rob entendia agora o tormento pelo qual Jenny vinha passando.
	Voc no imagina como eu tentei resolver essa situao.
Tudo, tudo para poder ficar com voc. Passei noite e noites pensando numa maneira de livrar o meu pai da cadeia. Afinal, s lhe restam alguns meses, ou alguns dias de vida. Mas para isso precisaria da cooperao dele. S que voc o conhece: se sus
peitasse que Jack estava me chantageando, tenho certeza que ele mesmo iria  polcia se entregar. E isso seria mortal para seu velho corao.
	Mas Jenny, pelo que sabemos, Leroy Parker maltratava muito a sua me.
	Mas isso no  motivo para assassinar algum, Rob.
	Claro que no . Mas acredito que pela idade de Tate e pelo fato deste crime j ter acontecido h tanto tempo, talvez ele nem fosse preso. Tate pode tambm ter matado Leroy em legtima defesa.
	Isso eu no sei. Mas suponhamos que no fosse preso. Mesmo assim teria que contar  polcia detalhes de tudo o que aconteceu. E acredite, Rob, meu pai teria um outro ataque cardaco.
	Que dizer ento que Jack estava chantageando voc...
	Estava. A condio era essa: eu me casava com ele e Jack nunca contaria nada a ningum. Quase enlouqueci: fiquei muito dividida entre o meu pai e voc. E no tive opo, Rob. S que agora estraguei tudo. Talvez Jack j tenha ido  polcia e meu pai j esteja morto.
	No, tenho certeza que Tate no est morto. S que agora ter que contar tudo a ele.
	No posso fazer isso.
	Mas  claro que pode. E deveria ter contado tudo a Tate logo no comeo desta histria. Tate  uma pessoa honrada e, se realmente matou Leroy, a escolha foi dele. E, sejam quais forem as consequncias desse ato do passado, Tate ter que assumi-las.
Eu te amo e estarei com voc e com ele acontea o que acontecer.
No tenha a menor dvida disso, Jenny.
Depois da confisso que acabara de fazer, Jenny sentia-se mais aliviada.
	Deveria ter lhe contado tudo antes.
	Deveria mesmo...
	Eu te amo Rob.
	Eu tambm te amo, Jenny.  Rob retirou do dedo de Jenny o anel que Jack a presenteara. Depois pegou no bolso um outro anel e disse:  Meu pai deu esse anel  minha me no dia do casamento deles. Hoje pela manh, ela me deu de presente e assegurou que me traria muita sorte. Acho que minha me acertou.
	 uma anel muito bonito, Rob.
	, sim.  Ele segurou-lhe a mo, colou-lhe o anel no dedo e falou baixinho:  At que a morte nos separe...
Emocionada, Jenny repetiu:
	At que a morte nos separe...

Capitulo IX

Procurando dentro de si a coragem que estava longe de sentir, Jenny segurou com firmeza a mo de Rob e abriu a porta de casa.
	Bem-vinda, filha  Tate a recebeu com um sorriso brincalho. Em seguida, ergueu o controle-remoto e desligou a televiso.  Esse foi o melhor casamento que participei em toda minha vida.
Rob e Tate foram se sentar no sof. Neste instante Travis entrou na sala.
	Esse a resolveu me fazer companhia.  Tate indicou com a cabea o guarda-costa de Jack.
Travis, que trazia nas mos uma xcara de caf, deu uma olhada no vestido mexicano que Jenny usava. Mas Travis logo se deparou com o olhar de advertncia de Rob.
Jack, subitamente, entrou na sala e disse com muita raiva:
	Sabia que mais cedo ou mais tarde vocs iriam aparecer. Tenho certeza que agora voc vai me pedir para ser generoso e esquecer o que me fez, no  Jenny?
	No, no vou lhe pedir isso.  Jenny estendeu a mo e colocou dentro do bolso do palet de Jack o anel que ele lhe dera de noivado.  Agora  tarde, muito tarde. Rob e eu fomos at a fronteira e nos casamos no Mxico.
O rosto de Jack ficou vermelho e, por um momento, Jenny teve a impresso de ver dor nos olhos dele. Mas se houve mesmo dor naquele olhar, foi s por um momento. Logo Jack ficou com-pletamente descontrolado.
	Voc agiu de maneira errada, Jenny! Voc foi desleal! Agora vou ter que falar com seu pai!
	No, voc no vai falar com o meu pai. Mas eu vou.
Tate, que assistia  cena com muita tranquilidade, perguntou:
	O que est acontecendo, filha?

	Papai, precisamos conversar. Mas no quero que fique triste comigo.
	Eu? Triste com voc? Depois de toda alegria que me deu?
 Tate deu uma risadinha.  De jeito nenhum!
	Mas a situao  sria, papai.
	Fale, Jenny  Tate pediu.
Jenny fez uma pausa e comeou:
	Antes de morrer, Frank Keel falou que o senhor matou Leroy Parker e enterrou o corpo dele. Jack estava no quarto do hospital e ouviu tudo. Depois disso Jack foi me procurar e disse que caso no me casasse com ele, iria  polcia e contaria tudo.
	Ah... ento era isso que estava acontecendo? Chantagem?
Voc, Jack Keel,  muito pior do que eu pensava. Mas filha, no pensei que Frank soubesse dessa histria.  Os olhos de Tate se encheram de lgrimas.  E mesmo assim filha, mesmo sabendo que matei seu pai verdadeiro, voc concordou em se casar com esse crpula s para me proteger?
Jenny, emocionada, deu um abrao em Tate.
	Oh, minha garotinha... No posso,dizer que me orgulho de ter matado Leroy, mas tambm no posso dizer que me arrependo.
Mas sempre estive disposto a pagar pelo que fiz. A nica coisa que me preocupava  que quando soubesse a verdade, voc passaria a me odiar.
	O senhor  meu pai, no Leroy Parker.  Jenny ergueu a cabea e fitou Tate nos olhos.  Jamais poderia odi-lo. Jamais.
No importa o que tenha feito!
	 s isso que me importa.  Tate olhou para Jack.  Pronto, moleque, sua histria termina aqui! Se no fosse por Jenny, h muitos anos teria me entregue  polcia. Agora no me importo que todos saibam. Se quiser chamar a polcia, o telefone est na cozinha.
Furioso, Jack fez meno de se dirigir  cozinha. Rob deu um salto do sof e impediu-lhe a passagem.
	 melhor sair do meu caminho! Caso contrrio vai levar uma surra inesquecvel!
	Venha, me bata!  Rob fechou as mos e mostrou-lhe os punhos.  Voc, sim, vai levar uma surra inesquecvel.
Jack deu um sorrisinho e gritou:
	Travis!
Como o guarda-costas no o atendesse de imediato, Jack olhou para a cozinha e o viu servindo-se de mais uma xcara de caf.
	Travis! Cuide desse imbecil!  Jack ordenou.
	Sinto muito, sr. Keel, mas esse servio eu no vou fazer.
Jack voltou-se para Rob e deixou cair o cigarro que tinha nas mos. Em seguida, com a maior displicncia, pisou no cigarro que cara sobre o tapete da sala.
Rob, automaticamente, acompanhou os gestos de Jack. E foi pego de surpresa por um soco que lhe acertou a boca.
Sangrando, Rob balanou a cabea. Mas quando Jack tentou um outro golpe, foi a vez de Rob acert-lo no olho. Jack caiu.
	Pelo jeito h muito tempo no luta, no  seu covarde?
Vamos, levante-se da! Vou acabar com voc!
	No preciso usar o telefone daqui pra chamar a polcia!
Tenho um l em casa!  Jack gritou e mais uma vez partiu para cima de Rob.
Rob deu uma guinada com o corpo e o acertou de novo. 
	Realmente voc  muito ruim de briga, Jack Keel. Levante-se! Levante-se e v pra sua casa avisar a polcia. Mas no se esquea de dizer ao delegado que j faz um bom tempo que sabe do crime. E que s no avisou antes porque estava ocupado em fazer chantagem!
Travis, ainda com a xcara de caf na mo, se aproximou de Jack e comentou:
	Viu s? No disse que precisava aprender a lutar?
	Desaparea! Desaparea da minha frente traidor! Voc nunca mais vai encontrar emprego! Nunca mais!  Jack se levantou e saiu batendo a porta.
Quando o barulho do carro de Jack se perdeu na distncia, Rob virou-se para Travis e disse:
	Se quiser ir para a cidade, pode pegar a minha caminhonete emprestada. Ele est a fora.
	E muita bondade sua, sr. Emory.
	Voc pode devolver a caminhonete amanh l na Dois Diamantes. A, aproveita para dar uma olhadinha na fazenda. Se gostar, pode ficar por l: estou precisando de um homem forte como voc. Temos muito servio atrasado.
	Mas o senhor no sabe nada a meu respeito.
	O que vi aqui hoje me basta.
	Ento o senhor acaba de conseguir um novo empregado.
S que amanh no estarei disponvel. Tenho um servio para fazer na casa da dona Lissa.
	Tudo bem, espero voc na fazenda depois de amanh.
	E a caminhonete?
	No se preocupe. Posso ficar esses dias sem ela.
	Obrigado, sr. Emory.
Aps se despedir, Travis se encaminhou at a porta. Rob o acompanhou at a caminhonete e, quando voltou para sala, sentia-se muito feliz. Porm, ao olhar para Tate, levou um grande susto.
	Querida, venha at a sala  Rob pediu  Jenny que se encontrava na cozinha.
Ao ver o pai plido, apertando o lado esquerdo do peito, ela disse a Rob:
	Rpido! Telefone para o dr. Hoope! Meu pai est tendo um outro ataque cardaco!
Enquanto Rob foi telefonar, Jenny pegou o vidro de remdio que estava no bolso do pai. Mas o nervosismo dela era tanto que acabou por deixar cair o vidro, e os comprimidos se espalharam pelo cho.
Jenny pegou um deles e o colocou na boca de Tate.
	Calma, filha. Calma  Tate murmurou , eu estou bem.
	Papai, no faa isso!  Jenny ficou apavorada quando Tate tentou se levantar. E o inevitvel aconteceu. Jenny no suportou o peso do pai e os dois caram no cho.
Rob entrou na sala e se ajoelhou do lado dos dois.
	Falei com o dr. Hoope e ele j mandou um helicptero para c. Tate vai para o hospital de San Antnio.
	Por favor, Rob. V no meu quarto e pegue a minha maleta. Preciso do meu estetoscpio. Eu...
	No adianta, filha  Tate a interrompeu com um fio de voz.  No adianta lutar...
	No!  Jenny gritou.  No vou deixar o senhor partir!
	Voc... voc no pode fazer nada... Sabia, filha, que eu trouxe voc para esse mundo?
	Por favor, papai: no fale. Descanse. O helicptero j vai chegar.
Tate continuou a falar. s vezes parava um pouco para respirar, mas continuou:
	Aquele bastardo do Leroy Parker... Ele teve coragem de surrar a minha Mary e deix-la no cho sangrando. Quando cheguei ainda tive tempo de ajudar o seu nascimento, filha.
Jenny acariciou o rosto marcado de Tate.
	No dia seguinte eu fui procur-lo e disse que amava Mary e iria me casar com ela. Disse tambm que se ele a procurasse de novo eu o mataria.
Tate fez um pausa. Apavorada, Jenny olhou para Rob pedindo ajuda. Mas naquele momento ningum podia fazer nada.
	Leroy Parker riu de mim, filha. E disse que Mary era propriedade dele. Disse tambm que assim que tivesse uma boa oportunidade iria me matar. Depois, pegaria Mary e a faria sofrer muito, muito... por t-lo trado. Finalmente ele tambm a mataria. Foi a que perdi a cabea. Estava com o meu rifle na mo. Atirei. Atirei em Leroy Parker. E nunca me arrependi. Nem agora estou arrependido. Foi o preo que tive de pagar pela liberdade da sua me. Mas se eu fosse preso, ningum iria tomar conta dela nem de voc. Ento enterrei o corpo daquele miservel e disse a todo mundo que o havia expulsado daqui. No mesmo dia que isso tudo aconteceu, contei  sua me. Ela sentiu-se aliviada. Pelo menos Leroy no iria judiar de mais ningum.
Uma careta de dor apareceu no rosto de Tate.
	Meu Deus  Jenny disse , deveria ter ido em frente. Deveria ter me casado com Jack!
	No, filha. Fiquei muito orgulhoso da sua atitude. Nunca me conformei com a ideia de ver voc se casar com Jack. Minha morte iria acontecer mais cedo ou mais tarde. E chegou a minha hora. Estou feliz. Feliz porque agora Rob vai tomar conta de voc e eu vou me encontrar com Mary. Nunca deixei de amar a sua me... Nunca...
	Papai... no fale desse jeito  Jenny pediu.  O helicptero j deve estar por perto.
	Filha, que bom que voc no me odeia...
	Eu te amo, papai. Eu te amo muito.
	Eu tambm te amo muito, querida...  Tate deu um leve sorriso e fechou os olhos. Ao ver que a cabea do pai tinha pendido para o lado, Jenny gritou:
	No!
Rob ficou quieto olhando o desespero de Jenny sem nada poder fazer. Depois de algum tempo, ele disse:
	Querida, acabou. Tate se foi.
	E agora  voc quem vai sair daqui! Nunca mais, nunca mais aparea na minha frente!
	Voc no pode estar falando a verdade  Rob ficou apavorado com aquelas palavras.
	V embora! Suma da minha frente!
Rob insistiu mais algumas vezes, mas Jenny se mostrou irredutvel. Finalmente ele a deixou e seguiu a p para a Dois Diamantes.

Capitulo X

O padre terminava a cerimnia do funeral de Tate. 'As palavras que estavam sendo ditas eram bonitas e enalteciam as qualidades que Tate tivera em vida. Jenny, apoiada por Lissa, chorava muito. Rob, um pouco fastado das outras pessoas, assistia a tudo em silncio.
H dois dias Tate falecera. H dois dias ele no falava com Jenny.
Rob telefonara vrias vezes, e em todas elas conseguira apenas conversar com Lissa, que lhe informara sobre a tristeza de Jenny por causa da morte de Tate. Alm de inconformada, Jenny sentia-se culpada, acreditando que Tate falecera por causa dela.
Depois de ter deixado a casa de Jenny, Rob no conseguira mais dormir. Aflito, ficava andando de um lado para o outro sempre  espera de um telefonema dela. Um telefonema que no aconteceu.
Quando a cerimnia do funeral terminou Will, acompanhado pelos outros empregados da Dois Diamantes, se aproximou de Rob e perguntou:
	Como voc est se sentido?
	Pssimo.
	Imagino.  Will arrumou o n da gravata de Rob.  Tambm no  para menos... Rob?
	O que foi?
	Daqui a pouco, eu e o resto do pessoal vamos dar uma passadinha num bar para bebermos um copo de cerveja em homenagem a Tate. Quer ir conosco?
	No sei...  Rob olhou para Jenny que conversava com um grupo de pessoas.  Se for possvel, eu vou. Onde eu posso encontr-los?
	No Trs Lagoas.
	Tudo bem. Se for possvel eu vou, sim.
	E eu que pensei que o patro fosse pagar a nossa bebida 	Jesse brincou.
	Por que no pedem a Travis para pagar? Ouvi dizer que ele j economizou muito na vida.
	Travis anda superocupado com os servios na casa de Lissa 	Will comentou em tom de gozao.  Ele no vai beber com a gente.
	Trabalhei duro para conseguir o que tenho  Travis disse.
	E estou seriamente pensando em me estabelecer na vida. Para isso tenho que continuar economizando.
	 assim que se diz, Travis  Rob sorriu.
Os empregados da fazenda se despediram e se foram.
	Filho?
Rob voltou-se e se deparou com a me e com Maggie.
	No fique assim, querido  Nilda pediu.
	Est sendo difcil, me.
	Eu sei, eu sei... Mas tudo vai dar certo.
	Tedd queria vir ao funeral, sabia? Ele disse que queria lhe comprar um sorvete para que se sentisse melhor.

	Tedd  um encanto de criana...  ,
	Voc vai para casa agora, filho?
	Ainda no sei. Se no conseguir me entender com Jenny, estou pensando em fazer uma viagem.
	Tenha f, filho. E muita pacincia. Vocs dois vo acabar se entendendo.
Jlio se aproximou do grupo e disse:
	Gostava muito do Tate. Ele foi um grande homem. Rob, voc nem imagina a felicidade dele quando voc saiu galopando com Jenny na garupa. Tate aplaudiu. Depois foi conversar comigo e disse que era o homem mais feliz do mundo.
	Ele fez isso?
	Fez, sim.
	Fico contente em saber.
	E o que est pensando fazer da vida, hermano?
	Talvez eu viaje um pouco, ainda no sei.
	Rob, no se esquea que voc tem uma famlia e que a metade da Dois Diamantes lhe pertence. Preciso de voc para continuar tocando os nossos negcios.
	Voc pode tocar a fazenda com os olhos fechados, Jlio. No fao a menor falta por l.
	Voc est redondamente enganado. Eu preciso muito da sua ajuda.
Rob sorriu e disse:
	Mesmo que eu v viajar, no ser por muito tempo. Eu vou voltar, no se preocupe.
Ao ver Jenny caminhando sozinha ao lado do padre, Rob se afastou do irmo.
	Jenny?  Rob a chamou baixinho.
	No, agora no. Por favor, Rob: agora no!  ela disse desesperada.
A rejeio de Jenny era algo fsico. E Rob se apavorou com aquela reao.
	No insista  Jlio segurou Rob pelo brao.  D mais um tempo a ela.
Rob percebeu que Jlio estava certo. A dor que Jenny sentia era algo que ela no estava conseguindo dividir com ningum.
	No sei o que vou fazer para aguentar esta situao, Jlio.
	D tempo ao tempo, hermano. D tempo ao tempo...
A noite, depois de passar o resto do dia inconsolvel, Rob decidiu ir at a casa de Jenny.
Ele abriu a porta e entrou. Jenny estava sentada no sof, com o velho palet de Tate nas mos.
Ao ouvir-lhe os passos, Jenny o encarou com os olhos arregalados.
	No ouvi voc chegar.
	Preciso muito conversar com voc, Jenny.
	Acho que no tenho condies para conversar agora.
	Tenie. Por favor, tente. E muito importante para mim.
Para espanto de Rob, Jenny se levantou e perguntou:
	Voc j jantou?
	No quero jantar. No estou com fome.
Rob deu um passo para frente. Mais uma vez ele sentiu aquela rejeio fsica vinda da parte de Jenny. Assustada, ela deu um passo para trs e voltou a sentar-se.
	Jenny? Voc se esqueceu que  minha esposa?
	No, eu no me esqueci. S que estou muito mal e neste momento no tenho nada para oferecer a voc. S o meu desespero. No quero pensar, no quero sentir. E no quero amar mais, Rob. A morte  apavorante: ela nos tira sem d as pessoas que amamos!
Rob esperava ouvir tudo dos lbios de Jenny, menos aquelas palavras. E ele, que at pensara em ir embora, resolveu ficar para ir ao fundo daquela questo. Apesar de tudo ainda acreditava que pudessem ser felizes juntos.
	Sei que voc me culpa pela morte do seu pai.  Ele foi direto ao ponto que o preocupava.  Talvez eu no devesse ter ido to longe. Mas no podia deixar voc se casar Jack!
Jenny ficou alguns segundos em silncio e depois disse:
	No, eu no culpo voc pela morte do meu pai. Voc no tinha condies de saber o que realmente estava acontecendo.
Mas eu tinha. Eu sabia exatamente o que estava acontecendo. E mesmo sabendo que meu pai podia morrer, escolhi a minha felicidade.
	Voc est indo longe demais, Jenny. Acontece...
	Acontece que conheo todos os argumentos que podem diminuir a minha culpa  ela o interrompeu.  Posso dizer que a hora dele chegou. Posso dizer que meu pai tinha que pagar pelo crime que cometeu no passado. Mas na verdade, Rob, eu falhei. Falhei, foi isso o que aconteceu. No hora em que o homem que sempre me protegeu precisou de mim, eu falhei.
	Voc no falhou!  Rob se aproximou de Jenny e a segurou pelos ombros.  No insista numa besteira dessa! Voc viveu num grande inferno s para proteger o seu pai. Quase vendeu o corpo e a alma para um homem que lhe causa repugnncia, Jenny!
	Voc disse quase. S que no fui forte o suficiente para ir at o fim com essa histria.
	Eu agradeo a Deus por isso ter acontecido. E Tate tambm!
Voc fez a escolha que seu pai teria feito caso soubesse o que realmente estava acontecendo. Mas agora tudo acabou e voc precisa aceitar a morte dele. Tate morreu feliz por saber que estvamos juntos e porque apesar de tudo que ele havia feito no passado, voc o amava e respeitava.
Jenny queria muito acreditar naquelas palavras. Mas estava difcil para ela, muito difcil.
	Preciso de tempo, Rob. Tempo para aceitar a morte do meu pai. Tempo para entender os meus sentimentos.
	De quanto tempo voc est falando?  Rob perguntou com pacincia.
	Eu no sei. Eu no sei mesmo.
Rob sentou-se no sof ao lado dela.
	Para mim, Jenny, isso  uma desculpa. Voc continua a no acreditar que te amo. Mas tudo bem: o amor que sinto por voc  forte o suficiente para enfrentar mais esta situao. S que eu no vou embora, vou ficar. Voc pode pensar ou fazer o que bem entender, mas eu vou ficar aqui.
	Adoraria que tudo isso que voc falou fosse verdade. Adoraria acreditar que nosso amor pudesse sobreviver a tudo. Mas eu no consigo acreditar.
	Jenny, estou com uma mala na caminhonete. Estava planejando ir embora caso voc continuasse a me rejeitar. Mas mudei de ideia. Eu vou ficar. No quero desistir do nosso relacionamento.
S peo a voc uma coisa: vamos tentar.
- Voc estava abandonando a Dois Diamantes e a sua famlia por minha causa?  Jenny perguntou espantada.
	Estava. Estava, sim. Ia viajar, sair pelo mundo... Sei l!
	Oh, Rob... Se  assim to importante para voc eu vou tentar...
Jenny comeou a chorar. Rob foi para perto dela e a abraou. No incio ela rejeitou o abrao, mas depois se aconchegou nos braos fortes.
	Sinto tanta a falta do meu pai...
	Eu sei, eu sei, querida...
	s vezes fico atordoada pensando no que aconteceu. Foi terrvel v-lo morrendo nos meus braos e no poder fazer nada.
	Tate morreu feliz, Jenny.
	Ser que ele morreu mesmo feliz?
	Posso te assegurar que sim. Ele sentia muito orgulho de voc.
E Rob disse a ela tudo o que Jlio lhe contara sobre quando os dois tinham sado juntos a galope da cerimnia do casamento.
	Sabe do que eu gostaria?
	Do qu?

	De ter visto a cara dele. Adorava o sorriso do meu pai.
Ser que ele se encontrou com a minha me?
	Isso eu no sei, Jenny. No sei...
Rob a abraou e a beijou. Jenny o levou para o seu quarto e os dois se entregaram  paixo.
Depois do amor, Jenny disse-lhe baixinho:
	Agora eu sou sua. Para sempre.
	 uma promessa?
	No, Rob.  apenas uma constatao.  Ela pensou um pouco e continuou:  Para lhe dizer a verdade, eu sempre fui sua.

EPLOGO

Pronto! Aqui est ele!  Feliz, Jenny anunciava o nascimento do potro que lhe dera muito trabalho.  Pelo jeito o danado est com tima sade!
Rob, que a ajudara naquele parto, a fitava cheio de orgulho.
	E o senhor foi maravilhoso, doutor  ela se dirigia a Rob.
 Se no fosse a sua ajuda... Preciso tomar cuidado, caso contrrio vou perder muitos clientes.
- A melhor coisa que voc fez pela famlia, hermano, foi ter se casado com uma veterinria. Ultimamente temos economizado bastante.
	Quer dizer que foi por isso que voc me aceitou como cunhada? Eu j sabia...  Fingindo indignao, ela olhou para Jlio.
Na realidade, Jenny estava muito feliz em poder fazer aquele servio. Desde que ela e Rob haviam tomado posse da Fazenda Landon, Jlio os havia ajudado muito.
Numa noite, aps o jantar, Jlio conversou com Rob sobre a diviso da Dois Diamantes. Mas Rob resolveu no aceitar a oferta do irmo; na opinio dele, no tinha o menor direito sobre aquelas terras. Jlio, apesar de no concordar com Rob, resolvera deixar aquele assunto para uma outra ocasio. Mesmo assim os dois continuavam scios nos negcios, que prosperavam muito nas duas fazendas.
Jenny acariciou o nariz do potro que tinha acabado de nascer e sorriu. No podia queixar-se da vida: Jack Keel, depois da exumao do corpo de Leroy Parker, vendera a fazenda e desaparecera. E o escndalo sobre o assassinato ocorrido no passado, no tinha sido to grande. A maior parte dos habitantes da regio havia se solidarizado com Jenny.
	Esse potrinho vai ser um campeo! Tambm, com uma me como Esperana...  Jenny comentou.
	Tambm, como o pai que eu arrumei para ele  Jlio deu uma gargalhada.
	 sempre assim: as fmeas fazem todo o trabalho e o macho leva a fama.  Maggie olhou encantada para o nenezinho que trazia nos braos.  Jlio disse a mesma coisa quando Karyn nasceu.
Todos caram na risada.
O potrinho queria ficar de p. Depois de algumas tentativas, conseguiu.
	Ele no  lindo, pai?  Tedd perguntou.  Vou dar um nome pra ele, posso?
	Claro que pode, filho  Jlio respondeu cheio de orgulho.
	Ele vai se chamar Diamante.
	Por qu?  Maggie quis saber.
	Ele nasceu aqui na Dois Diamante e tem um mancha na testa que parece um diamante.
	Adorei o nome, Tedd  Jlio concordou.
Um carro parou do lado de fora. Minutos depois, Lissa e Travis se aproximavam do grupo. Travis h trs meses, depois de abrir uma agncia de investigao particular em San Antnio, se casara com Lissa.
	Olha s o Diamante, tia Lissa! Ele no  lindo?
	Ele  lindo, Tedd!
Aps um gostoso bate-papo, Lissa disse:
	Hoje vamos todos almoar juntos. Precisamos comemorar o nascimento do Diamante.
	Por mim, tudo bem  Jenny concordou.  Mas antes preciso ir at a fazenda dos Smith dar uma olhadinha numa gua que no est muito bem.
	A gente espera voc, cunhada  Jlio assegurou.
A noite, antes de dormir, Rob disse:
	Nunca pensei que um ano de casamento pudesse me fazer to bem. Me sinto um outro homem.
	Que bom...  Jenny o abraou.
	E pensar que sofremos tanto para chegarmos onde chegamos.
	E mesmo... Mas valeu a pena, no valeu?
	Claro que sim.
	Voc viu o postal que a sua me nos mandou do Mxico?
	No. Onde ele est?
	Sobre a mesinha da sala.
	E o que ela diz?  Rob quis saber.
	Que est muito feliz de rever os parentes e que logo logo vem embora para conhecer a neta.
	Ela vai adorar a Karyn.
	Tenho certeza que vai, sim.  Jenny deu um sorriso malicioso.  E por falar em neta, tenho uma boa notcia para lhe dar.
	Diga, meu amor.
	Peguei o teste com o dr. Hoope.
	E a?  Rob o fitava ansioso.
	Estou grvida, querido.
	E s agora voc me diz isso?
	Queria te contar quando estivssemos sozinhos. Voc est feliz?
Rob a beijou com suavidade nos lbios.
	Perguntei se voc est feliz, Rob.
	Muito, muito feliz... E voc?
	Tambm. Mal posso me conter de tanto contentamento.
S queria que meu pai estivesse vivo para conhecer o seu primeiro neto.
	A melhor parte dele est aqui conosco, Jenny. Tate fez de voc uma pessoa maravilhosa. Se for menino, adoraria dar o nome do seu pai ao nosso filho. Me sentiria muito orgulhoso.
	Fico muito contente com isso.  Ela o beijou.  Obrigada por me ajudar no momento que mais precisei. Se no fosse voc, a sua compreenso, acho que teria enlouquecido com a morte do meu pai. Eu te amo, Rob Emory.
 Eu tambm te amo querida.
Jenny apagou a luz do abajur.
Rob fechou os olhos e agradeceu a Deus por no ter desistido de Jenny. Fora Deus quem lhe dera fora para continuar lutando quando tudo parecia estar perdido. E agora, ela trazia no ventre o fruto abenoado daquele amor...


FIM
